Em entrevista à revista People, a ginasta Simone Biles contou sobre sua experiência antes de ser diagnosticada com duas doenças de pele: a dermatite seborreica e o eczema. “Eu estava coçando e descamando. Eu coçava tanto e usava um pente que sangrava. Eu só pensei: 'Não consigo viver assim. Estou coçando. Estou miserável. Me sinto desconfortável. Preciso ver alguém que possa me dar alívio’”, disse a atleta, que chegou a sangrar nas Olimpíadas de 2024 por causa da doença. Simone acreditava que a descamação no couro cabeludo e a coceira eram apenas caspa e, por isso, não buscou acompanhamento médico, um relato comum entre pacientes. Mas a dermatite seborreica e o eczema são condições crônicas de pele que precisam de tratamento adequado. “A dermatite seborreica é definida de forma simples como uma inflamação crônica da pele que ocorre em áreas com maior concentração de glândulas sebáceas, resultando em sintomas como vermelhidão, descamação e oleosidade excessiva. Embora os termos sejam usados de forma próxima, a caspa é, na verdade, o nome popular para a manifestação da doença no couro cabeludo, sendo tecnicamente a descamação visível e geralmente menos inflamatória, enquanto a dermatite seborreica descreve a patologia em si, que pode atingir também o rosto e o tronco”, diz a dermatologista Dra. Glauce Eiko, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
De acordo com a dermatologista, evidências científicas sugerem que a condição está intimamente ligada à presença de fungos do gênero Malassezia, que colonizam a pele e utilizam o sebo como fonte de alimento, liberando subprodutos que desencadeiam a resposta inflamatória em indivíduos predispostos. “Na pele, a condição se manifesta por placas avermelhadas cobertas por escamas, que podem ser finas e secas ou mais espessas e gordurosas, apresentando um aspecto amarelado. No couro cabeludo, é comum o surgimento de crostas e uma descamação que varia do branco ao amarelo, frequentemente acompanhada de coceira de intensidade variável”, diz a Dra. Glauce. “Para tratar e controlar a condição a longo prazo, é importante estabelecer uma rotina regular de higiene, com produtos adequados como shampoos e géis de limpeza suaves, combinada ao uso intermitente de antifúngicos tópicos para manutenção, mesmo em períodos de remissão. Além disso, é fundamental evitar produtos excessivamente oleosos ou irritantes e resistir ao hábito de coçar ou friccionar as áreas afetadas, o que previne danos à barreira cutânea e infecções secundárias. Por fim, o paciente deve aprender a identificar e manejar seus gatilhos pessoais, como o estresse, mudanças de clima ou alterações em outras medicações, mantendo sempre o acompanhamento dermatológico para ajustes terapêuticos dinâmicos”, acrescenta.
Já o eczema, também conhecido como dermatite atópica, é uma doença crônica que causa secura da pele e coceira. “É uma das doenças de pele mais comuns, sendo que 25% das crianças podem apresentar episódios da doença e até 7% dos adultos podem ser acometidos. É uma doença que tem se tornado cada vez mais comum nos últimos anos, especialmente nos países ocidentais, por conta de fatores ambientais e de estilo de vida, como a dieta alimentar”, explica a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Segundo a médica, trata-se de uma doença cutânea inflamatória crônica recidivante, com predisposição genética na qual ocorre uma alteração da barreira cutânea protetora. “Com a barreira alterada, há perda da hidratação e a pele se torna seca ou extremamente seca com tendência a ser tornar irritada e/ou inflamada devido a presença de agressores externos”, explica a Dra. Paola. As regiões de secura e coceira estão geralmente em áreas de dobras (pescoço, atrás dos joelhos e dobras dos braços e pulsos). “Pele seca coça por si só. E o ato de coçar causa escoriação e a liquenificação da pele (a pele se torna ainda mais seca e coça mais). Por isso deve-se hidratar muito a pele para tentar ‘romper esse ciclo’”, diz a especialista. “Para tratar a condição, o médico pode indicar hidratantes específicos, medicamentos e uma série de recomendações, incluindo a menor ingestão de sal na dieta”, finaliza a dermatologista.

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