SAÚDE

Saúde cardiovascular: por que períodos eleitorais podem mexer com o coração

Estresse, ansiedade e emoções intensas podem elevar temporariamente os batimentos e a pressão arterial; cardiologista explica por que pessoas com fatores de risco cardiovascular precisam de atenção redobrada

Saúde cardiovascular: por que períodos eleitorais podem mexer com o coração Crédito: Divulgação

Períodos eleitorais costumam ser marcados por emoções intensas, discussões e uma exposição maior a notícias e redes sociais. Esse cenário pode aumentar o estresse e a ansiedade e provocar alterações temporárias nos batimentos cardíacos e na pressão arterial. Segundo o Dr. Fábio Kanamaru, médico cardiologista intervencionista, o estresse emocional pode funcionar como um gatilho para eventos cardiovasculares, principalmente em pessoas que já apresentam fatores de risco.

“Ansiedade, medo e estresse ativam a resposta de luta ou fuga. O sistema nervoso simpático libera adrenalina e noradrenalina, acelerando os batimentos cardíacos e aumentando temporariamente a pressão. O coração passa a trabalhar mais rápido, a exercer mais esforço e necessitar de mais oxigênio”, explica.

O médico ressalta, porém, que uma discussão ou emoção isolada não significa que necessariamente haverá um infarto. O risco depende das condições de saúde de cada pessoa. Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, histórico de infarto ou AVC, insuficiência cardíaca e presença de placas de gordura nas artérias estão entre os fatores que aumentam a vulnerabilidade cardiovascular.

“O estresse emocional e o estresse corporal podem funcionar como gatilhos temporários, sobretudo em pessoas que já possuem doenças cardiovasculares ou fatores de risco. Não significa dizer que eleições, debates, desacordos ou brigas vão causar um infarto”, afirma.

Entre as possíveis manifestações estão palpitações e alterações no ritmo cardíaco. O cardiologista também chama atenção para a síndrome de Takotsubo, conhecida como síndrome do coração partido, uma doença cardíaca relacionada a uma liberação excessiva de adrenalina que pode ocorrer inclusive em pessoas sem doença cardiovascular ou fatores de risco prévios.

Para quem já possui fatores de risco, a recomendação é manter o tratamento e o acompanhamento médico, sem interromper ou alterar medicamentos por conta própria. Sono adequado, alimentação equilibrada, atividade física regular e redução ou suspensão do consumo de álcool e cigarro também fazem parte dos cuidados.

Outro ponto importante é saber diferenciar uma reação ao estresse de sintomas que precisam de avaliação médica. Dor, pressão, queimação ou aperto no peito, especialmente quando persistem por mais de alguns minutos, além de falta de ar, suor frio, náusea, tontura, sensação de desmaio ou desmaio, são sinais de alerta. “A dor que começa na região do peito e corre para o braço esquerdo, pescoço ou mandíbula e dura mais do que 20 minutos necessita de atenção especial. Nesses casos, recomendo a procura do pronto-socorro”, orienta.

O médico também recomenda reduzir a exposição contínua a situações que aumentem a tensão, sem que isso signifique deixar de acompanhar o cenário político. “A gente não precisa ignorar a política. É possível se manter informado, mas sem permanecer o dia inteiro em estado de alerta ou querendo brigar ou discutir com alguém”, afirma.

Caso a ansiedade ou o estresse persistam e comecem a prejudicar o sono ou a rotina, a orientação é buscar acompanhamento profissional. “Cuidar do coração também é cuidar da forma como lidamos com o estresse. Sintomas de alerta não devem ser tratados só como nervosismo, precisam de uma avaliação médica”, finaliza Dr. Fábio Kanamaru.

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