A figura materna é
um grande referencial na qualidade de vida dos filhos e um novo trabalho
científico corrobora essa afirmação. Publicado no British Medical Journal em 4
de julho desse ano, o estudo Association between maternal adherence to healthy
lifestyle practices and risk of obesity in offspring, feito por cientistas da
Universidade de Harvard, conclui: filhos de mães com hábitos saudáveis têm
chance 75% menor de se tornarem obesos.
“O estudo examinou
a associação entre um estilo de vida saudável materno geral (caracterizado por
um índice de massa corporal saudável, dieta de alta qualidade, exercício
regular, não fumar e ingestão leve a moderada de álcool, ou o ideal, sem
ingestão de álcool) e o risco de desenvolver obesidade nos filhos. E o saldo
foi muito impressionante no sentido de analisar como os hábitos saudáveis da
mãe diminuem tão expressivamente o risco de obesidade nos filhos”, explica a
angiologista Dra. Aline Lamaita, médica atuante em Medicina do Estilo de Vida e
membro do American College of Lifestyle Medicine.
Para realizar a
pesquisa, os cientistas analisaram dados de dois grandes estudos que
acompanharam, ao longo de 5 anos, cerca de 17 mil mulheres e seus mais de 24
mil filhos - crianças e adolescentes com idade entre 9 e 18 anos. De acordo com
o estudo, 1.282 crianças - 5,3% do total - desenvolveram obesidade durante o
acompanhamento. “Embora fatores genéticos tenham um papel importante na
obesidade, já se sabia que o rápido crescimento da epidemia de obesidade detectado
nos últimos anos é provavelmente causado por mudanças no estilo de vida e na
dieta. O novo estudo reforça essa hipótese e indica que a obesidade infantil
pode ser combatida com estratégias focadas nos pais”, afirma a médica.
A angiologista
explica que a obesidade infantil está associada a um aumento do risco de
múltiplos distúrbios metabólicos, incluindo diabetes e doenças
cardiovasculares, além de má circulação do sangue, trombose e morte prematura,
na vida adulta. “A identificação de fatores de risco modificáveis para a
prevenção da obesidade infantil tornou-se uma prioridade de saúde pública”,
afirma.
Os fatores do
estilo de vida que contribuem para a obesidade infantil incluem a falta de
atividade física, o sedentarismo e a ingestão de uma dieta hipercalórica entre
as crianças. “Esse estudo mostra que as escolhas de estilo de vida das crianças
são amplamente influenciadas por suas mães”, diz. “Outro dado importante do
estudo é que, quando as mães e os filhos aderem a um estilo de vida saudável, o
risco de desenvolver obesidade cai ainda mais”, afirma a médica, que dá algumas
dicas para mudança do lifestyle com o objetivo de melhorar a qualidade de vida:
Insira
fibras na dieta
O bom
funcionamento do intestino é um aliado na medida em que o aumento da pressão
sobre as veias do abdômen, por conta da prisão de ventre e inchaço, pode
comprometer a circulação das veias das pernas. Acrescente ao cardápio frutas
como mamão, legumes, verduras e sementes. Se não funcionar, os pré e
probióticos podem ajudar, desde que bem orientados por médicos ou
nutricionistas.
Controle o
peso
Comer o essencial,
controlar a quantidade de açúcar, sódio e gordura são ações que devem fazer
parte da vida de qualquer pessoa para minimizar problemas circulatórios.
“Pessoas obesas têm maior disposição de desenvolver varizes por causa da
quantidade de volume sanguíneo dentro das veias que se eleva. Além disso, a
gordura acumulada dentro dos vasos sanguíneos também acarreta em uma má
circulação. Além das varizes, outra complicação que pode surgir entre obesos é
a trombose em decorrência do mau bombeamento do sangue para o corpo inteiro,
gerando doenças ligadas ao sistema vascular”, afirma a médica. A obesidade e o
sobrepeso aumentam a pressão exercida sobre os vasos e também favorece
inflamações.
Água
sempre
Água, sucos e chás
são recomendados para melhorar a circulação do sangue. “Quanto menor a ingestão
de água, maior a viscosidade do sangue. Além disso, a desidratação também
favorece a queda da pressão arterial, ameaçando vários órgãos. O consumo
adequado de água garante que o organismo seja irrigado e bem nutrido de
sangue”, enfatiza. Por outro lado, afaste-se do álcool: “Ao favorecer a
desidratação, o álcool pode fazer o organismo reter mais líquidos e aumentar a
pressão sobre veias e artérias”, explica a médica.
A perna
precisa de movimento (e também de descanso)
Trabalhar sentado
oito horas por dia (ou mais) aumenta em 10% o risco de morte, segundo estudo
publicado na revista médica britânica The Lancet. E para cada oito horas
sentado, é necessário praticar uma hora de atividade física para resistir aos
efeitos negativos desse “sedentarismo”. “Mas para pessoas com propensão a
problemas vasculares, o ideal é também introduzir alguns hábitos para ativar a
circulação, como: realizar exercícios movimentando os pés a cada hora de
trabalho sentado; levantar a cada hora e andar para movimentar um pouco as
pernas”, afirma. No caso de quem trabalha em pé e fica nessa mesma posição por
longos períodos, o ideal é fazer pausas para se sentar e levantar os pés.
Exercite
seu corpo
E nem precisa ser
atleta profissional, já que os exercícios de baixo impacto são benéficos, pois
a contração da musculatura em caminhadas, por exemplo, entre outros benefícios,
aumenta a velocidade do fluxo do sangue nas veias, melhorando o retorno do
sangue ao coração.
Apague o
cigarro
A médica enfatiza
que a nicotina está ligada à diminuição da espessura dos vasos sanguíneos.
“Além disso, o monóxido de carbono oferece um fator adicional de risco ao
diminuir a concentração de oxigênio no sangue. Todo esse processo pode causar
complicações para o normal funcionamento dos vasos, que ficam mais susceptíveis
ao entupimento, podendo levar a processos de trombose principalmente quando há
fatores de risco envolvidos”, afirma a médica. Alguns estudos também sugerem
que a exposição à fumaça do cigarro resulta na ativação das plaquetas e
estimulação da cascata de coagulação, por isso há um aumento na incidência de
trombose arterial em fumantes. “Ao mesmo tempo, as propriedades anticoagulantes
naturais são significativamente diminuídas”, comenta.
Consulte
um médico

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