Pacientes com
rosácea precisam adequar à alimentação e, no geral, devem evitar os desencadeantes
alimentares e nesse grupo entram várias especiarias, molho picante, chocolate
ao leite e branco, frutas cítricas, álcool (incluindo vinho e bebidas
destiladas), além de bebidas quentes como o chá e, até então, o café. Mas em um
novo artigo publicado em outubro no JAMA Dermatology, pesquisadores do
Departamento de Dermatologia da Brown University descobriram que, além de não
trazer malefícios para a vermelhidão da pele, o café pode até reduzir os
sintomas e suavizar o eritema.
“A rosácea é uma
doença vascular inflamatória e crônica que deixa a pele sensível e reativa, de
forma que ela fica vermelha facilmente, e ainda podem aparecer vasos finos,
pápulas e pústulas que lembram a acne. O que se descobriu nessa pesquisa foi
que, como o café contém altos níveis de cafeína, ele pode ser útil para
contrair vasos sanguíneos para melhorar a aparência da vermelhidão, um quadro
que frequentemente aparece em pacientes com rosácea. Mas é importante que novas
pesquisas sejam realizadas”, pondera a dermatologista Dra. Claudia Marçal,
membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de
Dermatologia. Os pesquisadores descobriram que as mulheres que consumiam quatro
ou mais xícaras de café por dia tinham um risco menor de apresentar sintomas de
rosácea.
Segundo a
pesquisa, não é qualquer alimento com cafeína que pode ajudar, já que, por
exemplo, o chá com altas doses de cafeína não influenciou nos sintomas e o
chocolate (que contém cafeína) é um fator de risco para a rosácea. “Outra coisa
importante que devemos ter em mente é que beber café não é considerado um
tratamento de primeira linha para a rosácea e esse paciente deve tomar muito
cuidado com bebidas quentes", diz a médica. "Então, se você adicionar
café a sua rotina diária, certifique-se de que não está muito quente",
afirma.
Causas e
tratamentos
Ainda com causa
desconhecida, sabe-se que a rosácea tem forte predominância hereditária, mas há
uma piora da doença relacionada com alguns hábitos, como o consumo de bebida
alcoólica, alimentos quentes e comidas com temperos picantes. “O próprio
estresse, com situações de raiva ou constrangimento, exercícios físicos
intensos, sauna, banhos quentes e exposição excessiva ao sol também influem,
assim como o uso de cortisona e de alguns medicamentos, como antidepressivos.
Histórico de acne grave é outro fator que pode intensificar os sintomas,”
esclarece a médica.
De acordo com a
médica, apesar de ser mais frequente em mulheres, a condição também atinge
muitos homens e, neles, o quadro tende a ser mais grave, evoluindo
continuamente com rinofima (aumento gradual do nariz por espessamento e
dilatação folículos).
“A origem da rosácea ainda não é conhecida. Há
uma predisposição individual (mais comum em brancos e descendentes de europeus)
que pode ser familiar (30% dos casos têm uma história familiar positiva),
evidenciando uma possível base genética. Os fatores psicológicos têm forte
influência no agravamento dos casos. Além disso, hoje já se considera
importante à participação de um ácaro da flora normal da pele chamado de
Demodex folliculorum, e da bactéria Bacillus oleronius, que colonizam esse
fungo”, explica. O diagnóstico, de acordo com a médica, é feito com facilidade
na presença de eritemas e telangiectasias na região central da face,
acompanhadas de pápulas e pústulas.
Os sintomas e
sinais típicos são: Flushing facial (períodos de sensação abrupta de
vermelhidão e calor na pele como se fosse um surto de vasodilatação);
Telangiectasias (dilatação de pequenos vasos permanentes); Persistente eritema
facial com possível edema facial; Pápulo-pustulosas (podem ocorrer nódulos e as
pápulas podem eventualmente, quando numerosas, formar placas granulomatosas, no
caso da rosácea lupoide); Rinofima (espessamento irregular e lobulado da pele
do nariz, dilatação folicular, levando ao aumento e deformação do nariz);
Alterações oculares (ocorrem em 50% dos casos com irritação, ressecamento,
blefarite, conjuntivite e ceratite).
Embora a rosácea
não tenha cura, seu tratamento ajuda muito a controlar contra os sintomas.
“Tudo depende da fase clínica que o paciente está. Mas em primeiro lugar todos
os agravantes ou desencadeantes devem ser afastados ou controlados, como
bebidas alcoólicas, exposição solar, vento, frio e ingestão de alimentos
quentes. O tratamento se inicia com sabonetes adequados; protetor solar com
elevada proteção contra UVA e UVB e com veículo adequado à pele do paciente; e
uso de antimicrobianos tópicos (metronidazol) e antiparasitários (ivermectina)”,
explica.
Dependendo dos
casos medicações orais podem ser prescritas. O laser ou a luz pulsada são
excelentes para tratamento das telangiectasias. “Para o rinofima, a abordagem
pode ser cirurgia, radiofrequência, dermoabrasão ou laser. O médico dermatologista
avalia o grau, a fase e a pessoa como um todo para indicar o melhor
tratamento”, afirma. “A luz intensa pulsada é extremamente interessante para o
controle da vermelhidão e da formação das pápulas e pústulas (lesões
avermelhadas e que muitas vezes tem presença de pus) e hoje mais recentemente
nós temos um controle muito interessante da rosácea com microdoses de toxina
botulínica aplicada na região onde o paciente apresenta rosácea.
Isso faz com que,
além do tratamento tópico para casa e via oral, no consultório o paciente
receba mais conforto e um controle mais prolongado. A toxina botulínica é
aplicada em doses dérmicas, então ela não é muscular, com microdoses diluídas.
Com isso, há a diminuição tanto do processo inflamatório como a secreção sebácea
e pode ser usada no rosto todo. Intercalando as microdoses da toxina botulínica
com a luz intensa pulsada, conseguimos um controle interessante e prolongado”,
afirma a médica. Além disso, alguns equipamentos home device com LEDs
(tecnologia LLLT), lasers de baixa intensidade no comprimento red (650), podem
ser usados, pois têm característica anti-inflamatória.

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