SAÚDE

Aprenda definitivamente a aplicar filtro solar

Você sabe que fotoproteção é a base para uma pele saudável, mas com a proximidade da temporada de calor ainda fica com uma série de dúvidas sobre a forma correta de aplicação dos protetores? A dermatologista Dra Thais Pepe e Lucas Portilho, pesquisador em Fotoproteção na Unicamp, esclarecem tudo.

Aprenda definitivamente a aplicar filtro solar O filtro solar tem a necessidade de, pelo menos, 20 a 30 minutos para começar a agir.
Crédito: BANCO DE IMAGENS

A proximidade das estações mais quentes é o momento ideal para finalmente entender uma coisa: fotoprotetor é fundamental. E há uma série de motivos para essa afirmação: os danos solares são imediatos, por isso a pele fica vermelha; mas eles também persistem e danificam o material genético causando envelhecimento e câncer de pele.

Dessa forma, o protetor solar é seu defensor mais eficaz. Mas afinal, qual a forma correta de aplicação do filtro solar? Aliás, existe uma? Investigamos com dois experts no assunto: a dermatologista Dra Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e o farmacêutico e diretor científico da Consulfarma Lucas Portilho, que também é pesquisador em Fotoproteção na Unicamp. Vamos às principais dúvidas:

Quanto de protetor solar eu devo passar?

“Para obter a proteção do fator de proteção solar (FPS) descrito na rotulagem é necessário aplicar 2mg/cm2. De forma prática, se pensar em rosto, equivale a uma colher de café cheia”, conta Lucas Portilho. No caso do corpo, o consenso é aplicar: uma colher de café no braço e antebraço direitos; uma colher no braço e antebraço esquerdos; duas colheres no torso (1 para a frente e 1 para as costas); duas colheres para a coxa e perna direitas (1 para a parte da frente e 1 para a parte de trás); e duas colheres para coxa e perna esquerdas (1 para a parte da frente e 1 para a parte de trás).

Como e onde deve ser aplicado?

“No caso do rosto, tem que passar uma camada generosa do filtro solar até que cubra toda a área e tenha aquela sensação de que existe um conforto e uma cobertura homogênea. Então obrigatoriamente, deve passar e estender no rosto até a raiz do cabelo, também na região pré-auricular, bem pertinho da dobra da orelha, não esquecer pescoço, nuca, orelhas quando está em exposição ao sol como praia, piscina, caminhada, porque essas são áreas que frequentemente sofrem queimaduras”, enfatiza a dermatologista Dra. Thais Pepe.

“Além disso, deve reforçar a região do osso da bochecha, ao redor dos lábios, na ponta do nariz e em suas laterais, já que essas são áreas em que nós mais percebemos os campos de cancerização e mesmo a formação das manchas. Não esquecer de passar o protetor solar na região do pescoço, do colo, para os homens o V da camisa, que acaba sendo uma área esquecida e, por conta disso, acaba tendo a demarcação da linha do fotoenvelhecimento e o aparecimento das queratoses actínicas, que são lesões do tipo pré-câncer”, acrescenta a Dra Thais.

Já no caso do corpo, uma recomendação importante: sempre que o paciente for para a exposição solar, ele deve passar o filtro sem roupa. “Ou seja, o filtro é passado no corpo todo e depois é colocado à roupa do exercício físico, ou biquíni, ou maiô da natação. E o filtro solar deve ser aplicado puro sobre a pele: então não passe um filtro solar com perfume, com hidratante, com produto anterior de hidratação para não perder a sua potência e aderência”, completa a médica.

Quando deve ser aplicado?

“Não adianta chegar à praia ou à piscina e esperar para passar o protetor solar nesse momento. O filtro solar tem a necessidade de, pelo menos, 20 a 30 minutos para começar a agir e nesse período já está sofrendo um dano importante em relação às células da pele”, afirma a dermatologista Dra Thais. Portanto, aplicar o protetor meia hora antes da exposição é uma zona de conforto e segurança. Além disso, a reaplicação deve ocorrer a cada duas horas em média, com uso de chapéu e óculos. “Aqueles que querem ir à praia, devem respeitar os horários recomendados que são: até 10h da manhã e depois das 4h da tarde”, completa a médica.

Qual FPS devo usar?

“A partir do FPS 30 já temos uma boa proteção, que fica perto de 97% de absorção da UVB, por exemplo. O problema é que como os brasileiros não aplicam uma quantidade adequada de produto, quando usam um FPS 30, na verdade a proteção é equivalente a um FPS 8”, conta Lucas. “Por isso gosto de fotoprotetores com FPS mais alto como 50, 60 ou 70. Acima disso o produto fica muito ruim sensorialmente e faz com que o consumidor não utilize diariamente. Afinal ninguém gosta de ficar com o rosto oleoso”, acrescenta.

Qual protetor solar?

Sem dúvida as classificações da pele requerem fotoprotetores diferentes. “Por exemplo, uma pessoa com fototipo 1 precisa de uma proteção muito maior quando comparado com uma pessoa com fototipo maior. Isso porque quanto maior o fototipo, mais escura a melanina da pele, um pigmento que protege a pele contra a radiação. Portanto, um indivíduo com pele clara, tem menos proteção e por isso precisa de fotoprotetores com FPS e UVA maiores”, explica Lucas Portilho. E tem mais: “Em relação ao sensorial do fotoprotetor, é importante usar produtos que sejam mais secos no caso de pessoas com pele oleosa ou produtos mais hidratantes no caso de quem apresenta pele seca”, completa o pesquisador em Fotoproteção.

Por que usar filtro?

Porque ele é a forma mais segura de proteção contra as radiações solares, segundo a médica. “Pesquisa recente descobriu que o guarda-sol não consegue bloquear as radiações e oferece, no máximo, FPS 8. Além disso, a areia reflete os raios solares”, afirma. “UVA é o principal responsável pelo envelhecimento precoce (manchas e rugas), sendo um tipo de radiação que atravessa nuvens, vidro e epiderme e penetra na pele em grande profundidade, até as células da derme – sendo o principal produtor de radicais livres. Entre os prejuízos: desde lesões mais simples até, em casos mais graves, câncer de pele. Já o UVB deixa a pele vermelha e queimada, danifica a epiderme e é mais abundante entre as 10 da manhã e às 4 da tarde. Essa radiação pode furar o bloqueio dos filtros químicos e aumentar o risco de cancerização”, finaliza a dermatologista.

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