O
Brasil é um país que enfrenta forte crescimento de doenças associadas à
obesidade. Segundo estudo publicado pela revista científica The Lancet em 2017,
o número de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos obesos em todo o mundo
aumentou dez vezes nas últimas quatro décadas. Em artigo publicado no Journal
of Paediatrics and Child Health, 15-20% das crianças menores de cinco anos já
apresentam sobrepeso ou obesidade, com evidências de que a intervenção no
controle de peso da mãe durante a gestação já pode ter impacto na programação
metabólica da criança, mesmo antes do nascimento.
Segundo
Dra. Gabriela e Dra. Laura, as dúvidas sobre como evitar a obesidade em
crianças são muito comuns e existem alguns mitos que costumam confundir os
pais. Elas comentam que muitos pais deixam de orientar os filhos por falta de
informação e por coisas que ouvem por aí sem antes checar a veracidade e a
opinião de um médico. “A obesidade infantil pode ser evitada de forma muito
simples, principalmente por meio de mudanças nos hábitos da família”, comenta
Laura.
Neste
contexto as pediatras selecionaram alguns mitos quando o assunto é
obesidade para explicá-los. Confira:
“Sou
obeso e por uma questão genética meu filho também será”
Quando
um dos pais é obeso, a criança tem 15% maior de ser obesa, quando o pai e a mãe
são obesos esse risco pode aumentar para 30%.
A
obesidade por fatores genéticos existe, mas corresponde a menos de 10% dos
casos. Em geral a obesidade infantil acontece porque os hábitos de vida da
família são favoráveis para o ganho de peso das crianças. Acontece pouca
prática de atividades físicas, horários irregulares para as refeições, consumo
exagerado de alimentos processados ricos em gorduras e açúcares. Se os adultos
têm hábitos que levam ao ganho de peso, as crianças também terão, mas isso não
é genético, é comportamental.
O
fundamental é que as pessoas ensinem seus filhos a terem uma alimentação
balanceada e saudável e a sempre praticar exercícios físicos. Para isso, também
é recomendável manter a regularidade de visitas aos médicos para avaliar a
saúde para orientá-los corretamente.
“Só não emagrece quem não quer”
“Ninguém
ganha peso de um dia para outro” é mais correto. Quando o pediatra identifica
que o ganho de peso inadequado está acontecendo, em geral, as mudanças nos
hábitos são suficientes para interromper esse processo. É muito difícil perder
peso, principalmente com o passar do tempo.
“Criança
não pode fazer dieta”
Se
comer nos horários corretos, quantidades adequadas, sem excesso de gorduras e
açúcares for fazer dieta, então deveríamos todos fazer dieta. O conceito de
dieta que temos para adultos, com restrição de calorias e grupos alimentares (low carb, 100 calorias, entre
outros) realmente não é o recomendado para crianças.
Quando
uma criança está acima do peso ou apresenta problemas de saúde relacionados
diretamente com maus hábitos alimentares (alteração de colesterol, por exemplo)
é necessário consultar um especialista para entender onde está o erro e como corrigi-lo.
“Uma
criança obesa será um adulto com tendência a engordar mais fácil”
Estatisticamente,
uma criança obesa tem maior risco de ser um adolescente obeso; um adolescente
obeso tem mais chances de ser um adulto obeso; pais obesos têm maior
probabilidade de ter filhos obesos.
Quando
se identifica o ganho de peso na criança, o tratamento com mudança de hábitos
de vida pode ser suficiente para evitar que esse ganho de peso se perpetue até
a idade adulta.
Não importa a idade, ter hábitos alimentares saudáveis é sempre fundamental.
“Criança
não pode comer açúcar até os dois anos”
Essa
é uma recomendação das sociedades de pediatria e endocrinologia pediátrica do
mundo todo. Não é recomendado oferecer alimentos ultraprocessados nem adicionar
açúcar aos alimentos oferecidos às crianças menores de 2 anos de idade. A
criança está desenvolvendo o paladar e conhecendo o sabor dos alimentos. A
adição de açúcar, na maioria das vezes é desnecessária, portanto deve ser
evitada.
“É
melhor substituir o refrigerante pelo suco de caixinha”
A
orientação atual é não oferecer sucos para as crianças menores de 2 anos,
deve-se oferecer a fruta inteira em razão de ser uma melhor fonte de vitaminas
e fibras. O líquido de escolha é água!
Se
for oferecer suco, a melhor opção é o suco natural da fruta da estação, que não
precisa ser adoçado, pois a fruta é naturalmente doce. Atualmente há sucos de
caixinha que são 100% suco e sem adição de açúcar ou conservantes. Eles são
melhores do que os “sucos de caixinha” do tipo néctar - menos de 30% de suco e
adição de açúcar. Refrigerantes devem ser consumidos com moderação e muito
esporadicamente, nunca antes dos 2 anos de idade.

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