A corrida tem conquistado cada vez mais espaço na rotina dos brasileiros. Segundo dados do Panorama Setorial Fitness Brasil, corrida e caminhada representaram 28% das atividades físicas praticadas no país em 2025, ultrapassando a musculação, com 26%. O levantamento também aponta crescimento de 9% em relação ao ano anterior.
Com a modalidade em alta, cresce também a procura por equipamentos e acessórios voltados à prática. Entre diferentes modelos, tecnologias, tipos de amortecimento e faixas de preço, uma das principais dúvidas é como escolher o tênis adequado, especialmente para quem está começando.
Segundo Thiago Arruda, professor de Educação Física do IBMR, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, o tênis é uma das ferramentas de proteção do praticante. Isso porque, a cada passada, o corpo absorve um impacto equivalente a duas ou três vezes o próprio peso corporal.
“Um tênis adequado é projetado para dissipar essas forças de reação do solo, estabilizar o tornozelo e devolver energia elástica, poupando estruturas anatômicas como cartilagens, ligamentos e tendões, além de melhorar a economia de corrida”, explica.
O que observar na hora da escolha?
“O critério principal deve ser o conforto percebido logo no primeiro calce, sem apertos ou pontos de atrito. Também é preciso levar em consideração o tipo de pisada, o terreno onde você mais treina e o drop, que é a diferença de altura entre o calcanhar e a ponta do pé. Drops mais altos poupam a panturrilha e o tendão do calcâneo”, orienta Arruda.
O tamanho é outro ponto de atenção. Como os pés sofrem um inchaço natural durante a atividade, o professor explica que pode ser interessante optar por um tênis de meio a um número maior do que o calçado usado no dia a dia.
Tênis também tem prazo de uso
Mesmo quando o tênis ainda parece estar em boas condições, a capacidade de amortecimento pode diminuir com o uso. A durabilidade varia de acordo com fatores como peso do corredor, densidade da espuma e características do modelo. Como referência, a troca costuma ocorrer entre 500 e 800 quilômetros rodados, mas a quilometragem não deve ser o único parâmetro.
“Mais importante do que o hodômetro é observar os sinais do corpo e do material: se a sola estiver com desgaste torto, o calcanhar mole ou se você começar a sentir dores articulares incomuns em treinos de rotina, a vida útil acabou”, explica Arruda.
Para quem corre várias vezes por semana, o especialista recomenda ainda considerar o revezamento dos calçados. “Alternar entre dois pares diferentes dá tempo para a espuma descompactar e ainda oferece estímulos variados ao sistema neuromuscular”, conclui.
Escolha inadequada pode aumentar o risco de lesões
O tênis não é, isoladamente, responsável pelo surgimento de lesões. Ainda assim, a escolha pode ter influência quando o calçado não atende às demandas mecânicas da atividade.
“O uso de um tênis inadequado pode aumentar o risco de lesões, embora não seja, isoladamente, um fator causal. Quando o calçado não supre a demanda mecânica ou força o corpo a compensações, podem surgir mais facilmente problemas comuns na corrida, como fascite plantar, canelite, tendinopatia do calcâneo, síndrome da dor patelofemoral no joelho e até microfraturas por estresse na tíbia ou nos metatarsos, causadas pelo impacto repetitivo”, alerta o professor.
Dores e desconfortos incomuns durante os treinos também devem ser observados, principalmente quando aparecem em atividades que já fazem parte da rotina do praticante.

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