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Artigo - Perda de massa magra no emagrecimento com GLP-1: o papel da suplementação proteica

Tem uma frase que aparece em quase toda conversa sobre GLP-1: “Você vai emagrecer, mas vai perder músculo junto.”

Perda de massa magra no emagrecimento com GLP-1: o papel da suplementação proteica Crédito: Divulgação

Ela é dita como se fosse uma sentença. Como se a caneta viesse com um cupom para secar gordura e levar sua força embora de brinde.

A realidade é menos dramática. E bem mais útil.

Você vai perder alguma massa magra ao emagrecer? Provavelmente sim. Isso acontece em quase todo emagrecimento relevante, com remédio, dieta, jejum, bariátrica ou uma combinação deles.

Mas daí até concluir que GLP-1 “destrói músculo” existe uma distância enorme.

Primeiro: não chame tudo de músculo

Quando alguém diz que “40% do peso perdido foi massa magra”, a reação natural é pânico. Mas esse número precisa de contexto.

No DXA, o exame mais usado nos estudos, massa magra não significa apenas bíceps, coxa e costas. Ela inclui água corporal, glicogênio e outros tecidos que não são gordura. Quando você come menos carboidrato, por exemplo, parte do glicogênio e da água que o acompanha também vai embora. O exame enxerga isso como redução de tecido magro.

Isso não é um convite para ignorar o problema. É um convite para olhar direito para ele.A pergunta não deveria ser apenas “quanto a balança caiu?”. Também não deveria ser “quanto apareceu como massa magra no laudo?”.

A pergunta boa é: você está perdendo força, disposição, mobilidade e capacidade de fazer as coisas que fazia antes?

O que os estudos mostram, sem maquiagem

No subestudo do STEP 1, pessoas usando semaglutida perderam, em média, 15% do peso em 68 semanas. A gordura corporal caiu 19,3% e o tecido magro total caiu 9,7%. Ainda assim, a proporção de massa magra em relação ao peso total aumentou, porque a perda de gordura foi maior.

Na tirzepatida, os dados são ainda mais fáceis de visualizar. No subestudo do SURMOUNT-1, com 124 pessoas avaliadas por DXA, a perda média de peso foi de 21,3% em 72 semanas. Aproximadamente três quartos desse peso perdido vieram de gordura e cerca de um quarto, de massa magra.

Ou seja: há perda de tecido magro. Negar isso seria bobo. Mas o dado também não sustenta a narrativa de que o tratamento “emagrece músculo”. Ele reduz muito mais gordura, inclusive gordura visceral, aquela que você nem vê no espelho e que pesa bastante na saúde metabólica.

O ponto é que o medicamento reduz a fome. E isso é ótimo até o momento em que a pessoa começa a trocar almoço por café, jantar por duas garfadas e proteína por “depois eu compenso”.

A caneta não escolhe seu prato. Mas ela pode tornar muito fácil comer pouco demais.

Onde entra o suplemento proteico

Proteína em pó não é feitiçaria. Não “protege” músculo por decreto. E não é obrigatória para todo mundo, mas é ótima quando utilizada.

Para quem está com saciedade precoce, náusea ou simplesmente sem vontade de mastigar um prato grande, bater uma bebida proteica pode ser muito mais viável do que tentar encarar frango, arroz e feijão às 22h, depois de passar o dia quase sem comer.

A lógica é simples:

• Comida de verdade vem primeiro, quando possível.

• Suplemento entra quando ajuda a fechar a conta, não para substituir todas as refeições.

• Treino de força dá um motivo para o corpo preservar o músculo.

Uma série de três casos acompanhou pessoas que usavam semaglutida ou tirzepatida e mantinham treino regular, incluindo musculação, junto de atenção à ingestão proteica. Uma delas perdeu apenas 8,7% do peso como tecido magro; as outras duas até ganharam tecido magro enquanto emagreciam.

Isso não prova que todo mundo terá o mesmo resultado. Três pessoas não viram uma regra. Mas mostra uma coisa importante: o desfecho não está escrito na caneta.

E a ciência está levando isso a sério.

Danilo Bertasi

Especialista

Danilo Bertasi, CEO e cofundador da TML (The Men's & The Ladies), healthtech especializada em saúde metabólica, medicina preventiva e cuidados personalizados.

Formado em Economia pela FEA-USP, Danilo iniciou a carreira no mercado financeiro, com passagens pelo Banco BBM e pelo programa Global Trainee da Ambev. Em 2021, decidiu empreender inspirado em modelos internacionais de saúde digital que integravam atendimento médico, tecnologia e acompanhamento contínuo do paciente, em um momento em que esse formato ainda era pouco explorado no Brasil.

A proposta chamou a atenção de investidores como Adventures, Neuron Ventures (fundo de venture capital da Eurofarma) e MIT Alumni Angels. Desde então, a empresa evoluiu e já ajudou mais de 100 mil pacientes em jornadas de saúde e bem-estar, consolidando-se como uma plataforma focada em saúde metabólica.

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