lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. Mas a gordura do lipedema, diferente da obesidade, não responde bem ao emagrecimento. Mulheres que sofrem com a condição frequentemente relatam que engordam desproporcionalmente da cintura para baixo, mesmo mantendo hábitos saudáveis, o que levanta a dúvida: exercícios físicos são capazes de tratar o lipedema? “A atividade física faz parte dos pilares fundamentais de tratamento da condição. Mas é sempre importante ressaltar que não existe um tratamento único para o lipedema e sim um conjunto de medidas, englobando prática de exercícios físicos, dieta personalizada, terapias compressivas e, quando necessário, perda de peso”, explica o cirurgião plástico Dr. Rafael Erthal, referência no tratamento de lipedema e fundador da clínica Blue, especializada em lipedema e cirurgia plástica.
Nesse contexto, o médico destaca a musculação como uma prática essencial para quem tem lipedema. “Além de contribuir com a manutenção ou ganho de massa muscular, a musculação também ajuda no fortalecimento e proteção articular”, diz o Dr. Rafael. De acordo com o ortopedista Dr. Marcos Cortelazo, especialista em joelho e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Latino-americana de Artroscopia, Joelho e Esporte (SLARD), o excesso de gordura característico do lipedema interfere diretamente no funcionamento da articulação do joelho. “A presença de tecido adiposo em excesso na parte interna da coxa pode causar uma sobrecarga do joelho, pressionando o compartimento medial dessa articulação. Esse aumento de pressão leva à aceleração da degeneração da articulação do joelho. Além disso, o acúmulo de gordura pode causar uma restrição importante na amplitude do movimento do joelho”, diz o ortopedista.
Além da musculação, atividades aquáticas, como natação e hidroginástica, também podem ser benéficas para pacientes com lipedema, já que a pressão hidrostática exercida pela água pode ajudar na drenagem linfática. “Costumo dizer que a melhor atividade física é aquela que também traz prazer e pode ser mantida a longo prazo. Tão importante quanto praticar exercícios é manter a constância. É preciso ter em mente que o lipedema não tem cura e o tratamento, que inclui atividade física, deve ser mantido por toda vida”, reforça o Dr. Rafael.
O cirurgião plástico ainda esclarece que, embora os exercícios físicos sejam fundamentais, nem sempre o tratamento conservador será suficiente de forma isolada para controlar ou melhorar as queixas relacionadas ao lipedema. “Mesmo nos estágios mais iniciais, a paciente pode atingir um limite de evolução com as medidas conservadoras isoladas, como alimentação com dieta de padrão anti-inflamatório, atividade física regular, terapias compressivas e drenagem linfática. Isso pode ser frustrante em um cenário em que a paciente já acumula estigmas, subdiagnóstico e tratamentos insuficientes”, pontua
Nesses casos, bem como nos estágios mais avançados, a cirurgia redutora de lipedema se destaca como a medida mais efetiva para reduzir de forma significativa a gordura doente e proporcionar maior controle da doença, além de favorecer a melhora da autoestima. “Entre as opções cirúrgicas, técnicas modernas como a Lipedefinition têm ganhado destaque por tratar não apenas o volume, mas também o contorno corporal, respeitando as características da doença. É uma cirurgia funcional, porque ajuda na diminuição do volume e da dor por retirar o máximo de gordura doente, mas ao mesmo tempo devolve uma forma harmônica para a paciente”, diz o Dr. Rafael Erthal. Ao reduzir o volume de tecido adiposo doente, a cirurgia também contribui para diminuir a sobrecarga mecânica sobre as articulações do joelho, assim impedindo a degeneração, que, eventualmente, pode exigir uma cirurgia para colocação de prótese na região, procedimento conhecido como artroplastia. “Mas caso uma artroplastia seja necessária, é importante que ela seja realizada apenas após o tratamento do tecido adiposo do lipedema. Caso contrário, os problemas de mobilidade causados pela condição persistirão e a degeneração da articulação pode continuar a ocorrer”, finaliza o Dr. Marcos Cortelazo.

Comentários