ALIMENTAÇÃO & NUTRIÇÃO

Alimentação anti-inflamatória e saúde mental: como o que você come afeta o cérebro

Nos últimos anos, a relação entre alimentação, inflamação e saúde mental tem ganhado cada vez mais destaque na ciência

Alimentação anti-inflamatória e saúde mental: como o que você come afeta o cérebro Crédito: Divulgação

Sintomas como ansiedade, cansaço constante e dificuldade de concentração não estão ligados apenas a fatores emocionais, mas também a um processo conhecido como inflamação crônica de baixo grau. 

A conexão entre inflamação e cérebro 

A inflamação crônica de baixo grau atua de forma silenciosa no organismo e pode impactar diretamente o funcionamento cerebral. Esse processo interfere na produção e no equilíbrio de neurotransmissores como serotonina e dopamina, fundamentais para o humor, a motivação e o bem-estar. Além disso, substâncias inflamatórias podem atravessar a barreira hematoencefálica e influenciar circuitos ligados à cognição e à resposta ao estresse. Um dos principais mecanismos envolvidos é o eixo intestino-cérebro, que estabelece uma comunicação constante entre a microbiota intestinal e o sistema nervoso central. Alterações no equilíbrio intestinal podem desencadear respostas inflamatórias que se refletem no cérebro, contribuindo para sintomas como irritabilidade, fadiga mental e dificuldade de concentração. 

Alimentação anti-inflamatória: a base 

A Dieta Mediterrânea é considerada um dos padrões alimentares mais eficazes na redução da inflamação. Rica em alimentos naturais e minimamente processados, ela fornece nutrientes e compostos bioativos que atuam diretamente na modulação do processo inflamatório. O azeite de oliva extra virgem, utilizado diariamente, é uma importante fonte de polifenóis com ação antioxidante e anti-inflamatória, contribuindo para a proteção celular e para a saúde cerebral. O consumo frequente de peixes como salmão, sardinha e cavala garante a ingestão de ácidos graxos ômega-3, essenciais para o funcionamento do sistema nervoso e para a regulação do humor. Vegetais, especialmente os verdes escuros, fornecem vitaminas, minerais e compostos bioativos como flavonoides e carotenoides, que ajudam a combater o estresse oxidativo — um dos principais gatilhos da inflamação crônica. Frutas como as vermelhas, maçã e uva oferecem antioxidantes que auxiliam na proteção do organismo e no suporte à função cerebral. A qualidade dos carboidratos também influencia diretamente esse processo. Grãos integrais, aveia e leguminosas promovem liberação gradual de energia, contribuindo para a estabilidade da glicemia e evitando oscilações que impactam o humor e a disposição. Oleaginosas e sementes completam esse padrão alimentar, fornecendo gorduras saudáveis e micronutrientes importantes para o equilíbrio do organismo. 

O papel da suplementação 

Embora a alimentação seja a base, a suplementação pode ser uma grande aliada, especialmente em casos de deficiência ou maior demanda do organismo.

• Ômega-3 (EPA/DHA): auxilia na redução da inflamação e na saúde cerebral 

• Magnésio: importante para o sistema nervoso e controle do estresse • Probióticos: contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal

• Vitaminas do complexo B: fundamentais para a produção de neurotransmissores A escolha deve sempre ser individualizada e orientada por um profissional. 

O que evitar 

Da mesma forma que existem alimentos que ajudam, há aqueles que favorecem a inflamação, como açúcar refinado, alimentos ultraprocessados, gorduras trans e excesso de álcool. O consumo frequente desses itens pode agravar sintomas como irritabilidade, fadiga e oscilações de humor. 

Cuidar da alimentação impacta diretamente o funcionamento do cérebro e a regulação da inflamação. A adoção de um padrão alimentar equilibrado, associada à suplementação quando necessária, contribui para melhora do humor, energia e qualidade de vida ao longo do tempo.

Kerlin Schmitz

Nutricionista

CRN2 nº 16250D

Kerlin Aline Schmitz Costacurta é nutricionista e empresária com mais de 14 anos de experiência no setor de alimentação saudável e suplementação. Cofundadora da Divina Terra, consolidada rede de produtos naturais no Brasil, Kerlin se destaca por unir conhecimento técnico, visão empreendedora e propósito.

Formada em Nutrição há 7 anos e também em Estética e Cosmética, construiu sua carreira com base na promoção de hábitos saudáveis e no compromisso em transformar a vida das pessoas por meio da alimentação e do bem-estar.

Atualmente, vive na Itália, onde se dedica a projetos de pesquisa de tendências de mercado no ramo de alimentação saudável e suplementação, além de desenvolver iniciativas voltadas à disseminação da dieta mediterrânea e ao fortalecimento do setor de suplementos.

Apaixonada pelo universo da nutrição, Kerlin alia ciência e prática para aproximar saúde, sabor e qualidade de vida, mantendo-se sempre à frente das inovações do mercado.

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