Mais de 2,2 bilhões de pessoas no mundo convivem com algum tipo de deficiência visual. Desse total, 1 bilhão de casos poderiam ser evitados ou ainda não receberam tratamento, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estimativas apontam que cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem com cegueira ou baixa visão, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
Os números reforçam a importância do tratamento antecipado, prevenção e cuidados da condição ocular. O alerta faz parte do Abril Marrom, mês de conscientização sobre a cegueira.
Catarata afeta 94 milhões de pessoas no mundo
Apesar do alto índice de ocorrência, a catarata está na lista das doenças visuais que poderiam ser tratadas, conforme o levantamento da Organização Mundial da Saúde. A doença, associada diretamente ao envelhecimento, ocorre quando o cristalino do olho perde a transparência.
“O Brasil ainda é um dos locais com grande concentração de cegueira tratável. A catarata continua sendo a principal causa, e isso mostra que ainda temos pessoas perdendo a visão por algo que poderia ser resolvido”, afirma Dr. Leon Grupenmacher, médico coordenador da clínica de oftalmologia do Eco Medical Center.
Segundo o especialista, no estágio inicial da patologia, o paciente começa a perceber sinais como visão embaçada ou “amarelada”, dificuldade para dirigir à noite, perda de nitidez das cores e sensação de “vidro fosco” nos olhos. “Com o tempo, isso começa a impactar tarefas simples do dia a dia, como assistir TV ou dirigir. Ou o paciente começa a tropeçar em coisas que não enxergou no caminho”, explica o médico.
A catarata é curável. O tratamento é cirúrgico, porém, com um propcedimento simples, rápido e indolor.
Perda silenciosa da visão, glaucoma afeta 7,7 milhões de pessoas no mundo
Embora apresente diagnóstico baixo, no comparativo com doenças como catarata, erros de refração e presbiopia, o glaucoma afeta mais de 7,7 milhões de pessoas no mundo, conforme a OMS. Apesar de não ter cura, o glaucoma pode ser tratado e o diagnóstico nos estágios iniciais pode frear o agravamento da patologia. “O glaucoma não dá sintomas no início. A pressão do olho vai danificando o nervo óptico aos poucos. Quando o paciente percebe, já perdeu parte da visão. E essa perda é irreversível”, alerta Leon.
O especialista destaca que a doença costuma afetar primeiro a visão periférica, o que dificulta a percepção inicial. No trânsito, por exemplo, o motorista perde a capacidade de notar veículos na lateral e acaba sempre fechando outros motoristas durante mudanças de faixa.
Dentro de casa, passa a esbarrar em objetos laterais. No entanto, a leitura - essa visão mais frontal - continua normal, o que mascara o problema e o paciente tende a achar que os deslizes no trânsito e esbarrões em objetos não são nada demais.
Retinopatia diabética: o impacto do diabetes na visão
Outra preocupação crescente é a retinopatia diabética, considerada uma das principais causas de cegueira em idade produtiva. Em todo mundo, a doença afeta 3,9 milhões de pessoas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Assim como o glaucoma, a retinopatia pode evoluir sem sinais aparentes, atrasando o tratamento nos estágios iniciais. Por outro lado, com o diabetes sob controle e o acompanhamento oftalmológico, o avanço da doença pode ser reduzido ou até evitado.
Ceratocone: distorção da visão ainda na adolescência
Menos conhecido, o ceratocone também merece atenção, principalmente entre jovens. A doença provoca uma alteração na córnea, que passa a ter formato irregular, distorcendo a visão. “A imagem começa a ficar deformada, como se estivesse distorcida. A luz incomoda mais, especialmente à noite, e o paciente perde o foco”, explica Leon.
Outro fator de risco importante é o hábito de coçar os olhos. O médico explica que coçar o olho não causa ceratocone. Mas, para quem já tem a doença sem saber, isso piora o quadro, porque o paciente passa a pressionar a estrutura ocular. Hoje, existem tratamentos eficazes, especialmente quando o diagnóstico é precoce.
Na maioria dos casos, as doenças podem ser evitadas ou os danos reduzidos pela prevenção. “Quanto mais cedo a doença é diagnosticada, maior a chance de preservar a visão. Seja com cirurgia, colírio ou acompanhamento, o tratamento precoce muda completamente o futuro do paciente”, aconselha o Dr. Leon.

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