SAÚDE

Alopecia feminina: o que o desabafo de Maiara revela sobre a queda de cabelo em mulheres

Relato da cantora reacende o debate sobre a queda de cabelo feminina, uma condição comum, multifatorial e com forte impacto na autoestima e na saúde emocional das mulheres

Alopecia feminina: o que o desabafo de Maiara revela sobre a queda de cabelo em mulheres Crédito: Ilustrativa

O recente desabafo da cantora Maiara sobre sua luta contra a alopecia trouxe visibilidade a um problema que afeta milhões de mulheres brasileiras, mas que ainda é cercado por tabu, desinformação e sofrimento silencioso. Muito além de uma questão estética, a queda de cabelo feminina pode comprometer a autoestima, a saúde emocional e a qualidade de vida.

De acordo com o dermatologista José Roberto Fraga Neto, do Instituto Fraga de Dermatologia, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Associação Brasileira de Cirurgia da Restauração Capilar (ABCRC), a alopecia feminina é mais comum do que se imagina e pode ter múltiplas causas.

“A queda de cabelo na mulher não deve ser normalizada. Quando há afinamento dos fios, redução significativa do volume ou surgimento de falhas, é fundamental investigar a causa o quanto antes, porque muitos quadros têm tratamento e até possibilidade de reversão quando diagnosticados precocemente”, explica o especialista.

Entre os tipos mais frequentes de alopecia em mulheres estão a alopecia androgenética feminina, caracterizada pelo afinamento progressivo dos fios e diminuição do volume capilar, principalmente no topo da cabeça e na região do rabo de cavalo, a alopecia areata, de origem autoimune, que provoca falhas no couro cabeludo, e as alopecias cicatriciais, menos comuns, porém mais graves, pois podem levar à perda definitiva dos fios se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente.

O médico ressalta a importância de diferenciar essas condições do eflúvio telógeno, que não é considerado uma alopecia, mas uma alteração do ciclo do cabelo. Esse quadro costuma ocorrer após estresse intenso, infecções, cirurgias, parto, perda de peso ou uso de determinados medicamentos, provocando uma queda difusa e abrupta dos fios, geralmente temporária quando a causa é identificada e tratada corretamente.

“A perda diária de até 50 a 100 fios faz parte do ciclo normal do cabelo. A queda se torna patológica quando há aumento persistente da perda, afinamento progressivo dos fios, redução visível do volume ou aparecimento de falhas. É importante reforçar que queda de cabelo não é um diagnóstico, mas um sintoma”, alerta Fraga Neto.

O estresse emocional intenso é um fator conhecido no desencadeamento e na piora da queda de cabelo, especialmente no eflúvio telógeno e na alopecia areata. Entre artistas e figuras públicas, a exposição constante, a cobrança estética e a pressão emocional podem intensificar esse processo, afetando não apenas a aparência, mas também a saúde emocional.

O tratamento da queda de cabelo depende diretamente do diagnóstico correto e pode envolver medicações tópicas ou orais, correção de deficiências nutricionais, controle de alterações hormonais e procedimentos médicos realizados em consultório. A avaliação com médico dermatologista é essencial e pode incluir exames como a tricoscopia, além de exames laboratoriais específicos e, em casos selecionados, biópsia do couro cabeludo.

“O transplante capilar não é indicado para todos os casos e não substitui o tratamento da causa. Ele pode ser considerado quando existe diagnóstico bem definido, estabilidade da doença e área doadora adequada, sendo uma opção segura e eficaz para mulheres corretamente selecionadas”, explica o dermatologista.

Por fim, o especialista destaca o papel das redes sociais na construção da autoimagem feminina. Embora possam reforçar padrões irreais de beleza e aumentar a pressão estética, também têm potencial para ampliar o debate, quebrar tabus e incentivar a busca por avaliação dermatológica especializada.

A pauta utiliza o relato de uma figura pública para ampliar a conscientização sobre a alopecia feminina, reforçar a importância do diagnóstico precoce e orientar mulheres que enfrentam a queda de cabelo em silêncio.

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