Para a especialista em Dietoterapia Chinesa, Cláudia Siqueira, o olhar da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) amplia essa perspectiva, mostrando que o cuidado começa muito antes — na forma como nos alimentamos, dormimos e sentimos.
De acordo com a MTC, a saúde é resultado do equilíbrio entre corpo, mente e emoções. “Na Dietoterapia Chinesa, usamos a comida para harmonizar sistemas como o baço, fígado, pulmões e rins. Quando esses pilares estão estáveis, o terreno biológico fica menos inflamatório e mais resiliente, dificultando o surgimento de doenças como o câncer de mama”, explica Cláudia.
Esse equilíbrio energético é mantido por meio da alimentação natural e consciente. A base é simples: comida de verdade, com muitos vegetais, grãos integrais e proteínas magras. A especialista destaca a importância de incluir alimentos escuros, como feijão preto, gergelim, chia, cogumelos e algas, que nutrem o Yin e fortalecem os rins — considerados a base da vitalidade e da energia de longo prazo. Já especiarias como cúrcuma, gengibre, alho e pimenta estimulam o Yang, favorecendo a circulação de energia, a digestão e a desinflamação do organismo.
“O segredo está em combinar alimentos que nutrem e hidratam (Yin) com aqueles que aquecem e estimulam (Yang) no mesmo dia. Essa é a receita do equilíbrio energético e da manutenção da saúde”, orienta Cláudia. Essa harmonia é o que, segundo ela, mantém o corpo forte e preparado para enfrentar desequilíbrios internos e externos, reduzindo o risco de doenças crônicas e inflamatórias.
Mas não é apenas o que se coloca no prato que conta. A MTC entende que as emoções também têm impacto direto na saúde física. Emoções reprimidas, estresse prolongado e sobrecarga mental podem causar bloqueios na circulação da energia vital (Qi) e comprometer o funcionamento dos órgãos.
“Cuidar do emocional libera bloqueios, melhora a adesão alimentar e fortalece a imunidade — é uma forma de prevenção tão importante quanto o prato”, afirma a especialista. Ela explica que o fígado, na visão chinesa, está energeticamente ligado às mamas e ao equilíbrio hormonal, por isso, emoções mal geridas, como raiva e ansiedade, tendem a afetar esse eixo.
Entre as práticas que ajudam a equilibrar o emocional, Cláudia recomenda atividades que tragam presença e calma, como respiração consciente, meditação, escrita terapêutica ou qualquer hábito que conecte a pessoa a um estado de tranquilidade. O sono de qualidade, o convívio social e o tempo para o autocuidado também são pilares indispensáveis.
A especialista reforça que prevenção não é apenas evitar o que faz mal, mas construir um estilo de vida que promova vitalidade todos os dias. “Desembale menos, descasque mais”, aconselha. Evitar o consumo de ultraprocessados, respeitar os horários das refeições e preferir líquidos mornos ou em temperatura ambiente são ajustes simples que fazem diferença real no equilíbrio do organismo.
Cláudia resume sua visão de forma prática e inspiradora: a prevenção começa nas pequenas escolhas diárias. “Quando nutrimos corpo, mente e energia, o organismo responde com equilíbrio, vitalidade e saúde. Essa é a verdadeira base da prevenção”, finaliza.

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