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Artigo - Amigdalectomia: a cirurgia de remoção das amígdalas palatinas, seus principais prós e contras

A Amigdalectomia é a remoção cirúrgica das amígdalas palatinas, glândulas linfóides que fazem parte do sistema imunológico e estão localizadas em cada lado da orofaringe

Amigdalectomia: a cirurgia de remoção das amígdalas palatinas, seus principais prós e contras Crédito: Banco de imagens

Essa cirurgia é uma das mais antigas e rotineiras em áreas como a Otorrinolaringologia e Cirurgia Maxilo Facial, sendo indicada principalmente para pacientes com quadros de Amigdalite crônica, infecções de garganta recorrentes e distúrbios respiratórios relacionados à hipertrofia amigdalar, como a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS).

1- Indicações clínicas: as principais indicações para amigdalectomia incluem:

1.1. Amigdalite recorrente:

Caracterizada por episódios frequentes de inflamação (geralmente >7 episódios em 1 ano ou >5 episódios ao ano em 2 anos consecutivos) que afetam a qualidade de vida.

1.2. Apneia obstrutiva do sono (AOS):

A hipertrofia das amígdalas pode obstruir as vias aéreas durante o sono, causando roncos e interrupções respiratórias.

1.3. Halitose intraoral persistente associada a tonsilólitos:

Os cálculos nas amígdalas que causam mau hálito).

1.4. Possível suspeita de neoplasia, embora rara, que exige remoção para análise.

2- Benefícios da Amigdalectomia (Cirurgia das Amígdalas)

- Redução importante de episódios infecciosos de garganta, diminuindo dor, febre e necessidade de antibióticos.

- Melhora expressiva na qualidade do sono e redução de apneias, especialmente em crianças.

- Melhora da fala e da deglutição em casos de obstrução crônica causada por amígdalas volumosas.

- Redução do absenteísmo escolar e profissional pelo controle das infecções.

3-Desvantagens e Riscos associados a Amigdalectomia

- Hemorragia pós-operatória, que pode variar de leve a emergencial; requer atenção imediata se ocorrer.

- Dor intensa nas primeiras semanas, que pode atrapalhar alimentação e hidratação, aumentando risco de desidratação.

- Possíveis alterações temporárias no paladar e na voz pela cicatrização local.

- Raramente, complicações como infecção profunda, reação adversa à anestesia e mesmo danos em estruturas próximas.

- Perda da função imunológica local das amígdalas, embora estudos mostrem que o impacto geral do sistema imunológico é mínimo.

4- Técnicas Cirúrgicas

Existem várias técnicas para amigdalectomia, como a convencional (excisão total), técnicas a laser, eletrocautério e coblação, que visam minimizar sangramentos e dor, acelerando a recuperação. A escolha depende do perfil do paciente e experiência do cirurgião.

5- Pós-Operatório e Cuidados Associados

A recuperação completa pode variar de 10 a 14 dias, com orientações para dieta leve, hidratação e analgesia adequada.

A monitorização para sangramentos e sinais de infecção é essencial.

6- Considerações Finais

A Amigdalectomia é um procedimento efetivo para controlar infecções crônicas e problemas respiratórios decorrentes da hipertrofia amigdalar. A decisão pelo procedimento deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios.

A evolução das técnicas cirúrgicas e do tratamento pós-operatório vem reduzindo as complicações e melhorando os resultados.

7- Referências Bibliográficas

1. Mitchell RB, Pereira KD, Friedman NR. "The efficacy of tonsillectomy for recurrent throat infection in children: A meta-analysis." *Laryngoscope*. 2020;130(7):1702-1709.

2. Kumar A, Bhatia H, Gupta S. "Adenotonsillectomy in pediatric obstructive sleep apnea: A systematic review." *Sleep Medicine Reviews*. 2021;56:101408.

3. Windfuhr JP, Chen YS.

"Complications associated with tonsillectomy and adenoidectomy." *Current Opinion in Otolaryngology & Head and Neck Surgery*. 2022;30(3):203-208.

4. Koskenkorva T, Koivunen P.

"Coblation versus cold dissection tonsillectomy: postoperative pain and bleeding." *Clinics in Otolaryngology*. 2023;48(1):25-31.

Dr. Edson Carlos Z. Rosa

Cirurgião, Fisiologista e Pesquisador em Ciências Médicas, Cirúrgicas e do Esporte

Diretor do Instituto de Medicina e Fisiologia do Esporte e Exercício (Metaboclinic Institute), Diretor Executivo do Centro Nacional de Ciências Cirúrgicas e Medicina Sistêmica (Cenccimes) / Diretor Executivo da União Brasileira de Médicos-Biocientistas (Unimédica) /  Presidente e Fundador da Ordem Nacional dos Cirurgiões Faciais (ONACIFA), Presidente e Fundador da Sociedade Brasileira de Medicina Humana (SOBRAMEH) e Ordem dos Doutores de Medicina do Brasil - ODMB, Doutor em Ciências Médicas e Cirúrgicas (h.c),

Pós-graduado em Clínica Medica - Medicina interna, Medicina e Fisiologia do Esporte/Exercício, Nutrologia e Nutromedicina, Fisiologia Humana Geral aplicada às Ciências da Saúde.

Escritor e Autor de Diversos Artigos na área de Medicina Geral, Medicina e Endocrinologia do Esporte, Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Neurociência e Comportamento Humano.

Fundador-Gestor do e-Comitê Mundial de Médicos do Desporto e Exercício (Official World Group of Sports And Exercise Physicians), Fundador-Gestor Internacional de Cirurgiões Craniomaxilofaciais (The Official World Group of Craniomaxilofaciais Surgeons).

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