Em 2019, iniciamos uma sequência de projetos fundamentados em achados científicos de terceiros e também de nossa própria autoria, feito inédito em relação a um mecanismo que promove o fisiculturismo. Quem é da área sabe que um dos muitos desafios na construção de trabalhos científicos é que as informações sejam extraídas de fontes confiáveis.
Para respaldar as diversificadas abordagens, nosso acervo é robusto, sendo que, dentre as revistas especializadas geralmente citadas, destaca-se a Revista Suplementação, a qual conquistou nossa credibilidade, não por "apenas" se encontrar entre as poucas (que tratam do fisiculturismo) que sobreviveram, mas por justificar sua existência pelas surpreendentes matérias, que a enobrecem ainda mais, e isso diante de todo o contemporâneo avanço do culturismo nacional.
É fato que o fisiculturismo nacional avançou sobremaneira, projetando o Brasil como a segunda maior referência nesse esporte. Porém, apesar de todo reconhecimento, há décadas que uma importante classe do fisiculturismo tem sido negligenciada.
Dentre as tantas contribuições da Revista Suplementação, muitas delas tecnicistas, eu gostaria de frisar quando esse relevante meio de comunicação realizou uma campanha para relembrar as grandes referências femininas do fisiculturismo.
A partir da edição de número 50, a seção Mitos do Bodybuilding apresentou uma nova fase, direcionada para destacar as mulheres que disputaram o topo do Ms. Olympia, tendo a americana Rachel McLish, que conquistou a 1a edição feminina na história da competição, como a primeira laureada.
A 2ª laureada foi a Finlandesa Kike Elomaa; a 3ª sendo a primeira negra Ms. Olympia, Carla Dunlap; e a 4ª Cory Everson, que dominou o torneio por seis anos consecutivos. Lenda Murray foi à laureada da ed. 54, sendo que também reinou soberanamente por seis anos, mas posteriormente, ao enfrentar uma loira que se transformou numa mutante, a Kim Chizevsky (ed. 55), Murray perde nos anos 1996-97, retorna novamente como campeã em 2002-03, mas anuncia definitivamente a aposentadoria ao perder o título em 2004 para Iris Kely. Naquele ano, esta última atleta apresentou a configuração física mais surpreendente na história da categoria e durante a trajetória se tornou o maior nome em toda história, entre todas as categorias (independente do gênero) da competição.
A edição 56 foi marcada pela holandesa Juliette Bergman, a única mulher da cat. leve a conquistar o overall na história da competição, sendo que de 2001 a 2003 "citada como o Grecian Ideal, ou seja, suas medidas de panturrilha, bíceps e pescoço são semelhantes às medidas da coxa e cintura" (SUPLEMENTAÇÃO, 2018, p. 51 apud* DE SOUSA, 2020, p. 6739).
*OBS.: Eu utilizei um apud, isso significa que citei diretamente a revista Suplementação de uma publicação de minha autoria, ou seja, nesse presente paper consta a minha publicação de 2020 que citou o trabalho de 2018.
Por essas histórias é possível deduzir a continuidade, de maneira que sem dúvidas a abordagem teria um surpreendente feedback nos inúmeros canais de YouTube que tão bem divulgam esse esporte.
Já exemplificando no meio acadêmico, para sustentar que, devido à vulnerabilidade dos critérios de análises, os desfechos foram regidos até pelo racismo, citei a edição 32, pois tratou da parcialidade por mais de três décadas em um dos principais torneios do fisiculturismo americano. Entretanto, essas circunstâncias desfavoráveis também proporcionaram histórias de superação, de sucesso, como a de Carla Dunlap, tratada na edição 52
Assim sendo, a nossa rápida abordagem apresentou pelo menos duas ocasiões em que a Revista Suplementação foi citada em trabalhos científicos, evidenciando a sua relevância. Deste modo, encerro o enfoque com o sentimento de gratidão pelo convite. O meu muito obrigado a todos que compõem esse excelente meio de comunicação.

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