Quando pensamos em uma dieta para reduzir a gordura acumulada no fígado, a primeira idéia que temos é que deveríamos reduzir o teor de gordura do nosso cardápio. Mas não é bem assim. Aqui o alimento de maior risco é o carboidrato. Ele interfere e agrava todos os passos do depósito anormal de gordura no interior do fígado através de um estímulo à produção de insulina. Essa, por sua vez, intensifica esse depósito gorduroso. A dieta continua sendo o nosso maior aliado no tratamento da doença gordurosa do fígado. A maioria dos pacientes são obesos e a dieta deve promover a necessária perda de peso. Isso é mesmo mais importante do que a proporção dos nutrientes. Com o emagrecimento, há uma concomitante perda da gordura visceral e do fígado. Além de levar a perda de peso, uma dieta deve ser balanceada, ou seja, deve conter carboidratos, proteínas e gorduras numa proporção de 50, 15 e 30% respectivamente. O que estamos aprendendo é que nos casos de fígado gorduroso, nós conseguimos melhores resultados quando reduzimos o teor de carboidratos para cerca de 40% e aumentamos o teor das gorduras para cerca de 45%.
Isso para minimizar o efeito dos carboidratos sobre a produção de insulina e, consequentemente, sobre os depósitos de gordura. Essa conduta nutricional não significa seguir uma dieta de proteínas que ensina abolir os carboidratos. Pelo contrário, a porcentagem de proteínas continua a mesma, o que fazemos é aumentar o teor de gorduras. Nesse caso, utilizamos uma seleção de gorduras do bem, presentes nos óleos vegetais como soja, canola, milho e girassol; azeite, abacate, castanhas e nozes, sementes oleaginosas como a linhaça, peixes de água gelada como salmão, cavala, arenque, truta, atum e bacalhau frescos. Nos raros casos de pacientes com esteatose hepática e peso normal, lançamos mão de uma dieta com a mesma composição de nutrientes descrita acima, mas com o valor calórico adequado à manutenção do peso. Devemos encarar os depósitos anormais de gordura no fígado como um dos sinais de diabetes e doenças cardiovasculares em progressão.
O tratamento desse acúmulo de gordura representa uma real oportunidade de corrigir o seu curso clínico. Atualmente, dispomos de medicamentos que facilitam a mobilização das gorduras do fígado, através de uma melhora da ação da insulina. Quando, além dos medicamentos, podemos contar com a perda de peso, a adequação dos nutrientes e a prática regular de atividade física, as chances de sucesso passam a ser ainda maiores, tanto no sentido de controlar os depósitos de gordura, quanto de evitar a progressão para doenças graves como o diabetes.

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