O Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, costuma reacender uma dúvida frequente entre quem busca manter uma alimentação saudável: é preciso abrir mão desse alimento? Segundo a nutróloga Sandra Fonseca, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, não. O consumo ocasional não é o principal responsável pelo ganho de peso ou pelo desenvolvimento de doenças metabólicas. O maior risco está no excesso de açúcar através de alimentos ultraprocessados e calorias consumidas de forma contínua.
Para a especialista, transformar o chocolate em um alimento proibido pode ter o efeito contrário e dificultar a construção de uma relação equilibrada com a comida. "Não existe alimento que, sozinho, determine a qualidade da alimentação. O chocolate pode fazer parte da rotina, desde que seja consumido com moderação e dentro de um padrão alimentar preestabelecido e saudável. Quando ele é tratado como proibição, a tendência é aumentar a ansiedade, a vontade de consumir favorecendo o exagero", explica.
A nutróloga destaca que a escolha do produto também merece atenção. Chocolates ao leite ou branco têm menor disponibilidade do cacau, que possui nutrientes capazes de melhorar o humor, reduzir inflamação e o risco cardiovascular, e alto teor de açúcar e gordura.Alguns, inclusive, têm gordura hidrogenada, que pode ser utilizada para reduzir os custos da indústria e são responsáveis por maior risco de doenças cardíacas
"O mais importante não é contar quantos quadradinhos foram consumidos, mas observar a qualidade do chocolate, o teor de cacau e alimentação ao longo do dia. Quando a dieta é equilibrada e saudável, baseada em frutas, verduras, legumes, proteínas de qualidade e grãos integrais, há espaço para o chocolate sem que isso traga culpa ou comprometa a saúde”, ressalta.
Teor de cacau faz diferença
O chocolate pode trazer benefícios à saúde quando consumido com moderação, especialmente nas versões com 70% ou mais de cacau. O alimento contém triptofano, aminoácido que participa da produção de serotonina, neurotransmissor associado ao bem-estar e ao controle da ansiedade. Além disso, é fonte de energia, de magnésio que ajuda a relaxar os músculos, vitaminas e antioxidantes.
Opções com concentração de cacau acima de 70% são ricos em compostos fenólicos (polifenóis), substâncias com ação antioxidante que contribuem para a saúde cardiovascular, quando associados a hábitos saudáveis.
"As versões ao leite e o chocolate branco costumam ter mais açúcar e gordura saturada e quando consumidas em excesso, favorecem o ganho de peso aumentando o risco de alterações metabólicas, além de oferecerem menor quantidade dos compostos benéficos presentes no cacau", afirma a especialista.
A porção também deve ser observada. Em geral, a recomendação varia entre 20 e 30 gramas por dia — o equivalente a cerca de dois quadradinhos pequenos de uma barra, sempre considerando as necessidades individuais e a orientação de um profissional de saúde.
Neste Dia Mundial do Chocolate, a principal mensagem é que alimentação saudável não depende da exclusão de nenhum alimento. O equilíbrio é resultado das escolhas feitas de forma consistente ao longo da rotina, permitindo que até mesmo um alimento associado ao prazer tenha espaço em uma dieta variada e nutritiva.

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