O câncer da pele é
um dos tipos de câncer mais comuns, correspondendo a 33% dos diagnósticos da
doença no Brasil. E, por mais estranho que possa parecer, o câncer de pele não
se restringe apenas ao tecido cutâneo, podendo atingir também os lábios, uma
região extremamente delicada, de pele fina, formada por uma semimucosa, ou
seja, uma transição da mucosa oral para a pele estratificada que a gente tem ao
redor dos lábios.
“Assim como outros tipos de câncer, o câncer de lábios
ocorre devido a um crescimento anormal e acelerado de células cancerígenas,
sendo que sua principal causa é a exposição excessiva e sem proteção aos raios
ultravioletas do sol. Mas, apesar da exposição solar ser o principal fator, o
tabaco e o álcool também possuem papel importante no desenvolvimento do câncer
de lábio”, explica a dermatologista Dra. Valéria Marcondes, membro da Sociedade
Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology (AAD).
Segundo a
especialista, este tipo de câncer tende a aparecer principalmente no lábio
inferior, pois estes ficam mais expostos ao sol devido a sua posição, e em
pessoas de pele clara. “Pessoas de fototipos de pele mais baixos possuem menos
melanina, pigmento que dá cor a pele e que a protege da ação dos raios solares.
Dessa forma, quem tem a pele mais clara acaba desenvolvendo câncer de pele e de
lábios mais facilmente. O que, claro, não quer dizer que pessoas de fototipos
altos não possam desenvolver este tipo de câncer, apenas estão mais
protegidas”, completa.
E, apesar do
câncer de lábios poderem demorar anos para aparecer, já que os danos dos raios
solares são cumulativos, alguns sinais podem surgir antes da doença se instalar
de fato. Um exemplo é a Queilite Actínica, uma doença que afeta o lábio devido
à exposição constante e desprotegida ao sol e que, apesar de ainda não ser um
câncer, tem grande potencial de se tornar maligna. “Podendo permanecer por
muitos anos antes de se transformar em um câncer, a Queilite Actínica é
bastante comum em profissionais que trabalham em ambientes externos e começa
com uma pequena descamação da área dos lábios que pode evoluir para feridas que
não cicatrizam. Em casos mais graves, o lábio incha e podem aparecer manchas
brancas e vermelhas, bolhas e sensação de queimação na região”, alerta a
médica. Outros sintomas da doença incluem sangramento, dor e o surgimento de
feridas, lesões, bolhas, úlceras e nódulos que não desaparecem na região dos
lábios.
Ao encontrar
qualquer um destes sintomas, o mais importante é que você consulte um médico
especializado. Apenas ele poderá realizar uma avaliação de seus lábios, pedir
exames para confirmar a doença, como uma biopsia, e dar o diagnóstico correto,
indicando o melhor tratamento para o seu caso. “Assim como outros cânceres, o
tratamento depende do estágio do câncer, do quão rápido a doença está
progredindo e de sua saúde no geral. Se o tumor ainda estiver pequeno, pode ser
realizada uma cirurgia para removê-lo, com a possibilidade de uma segunda
cirurgia para a reconstrução do lábio, dependendo do quanto à estrutura foi
afetada. Já em casos em que a doença está em estágios mais avançados, a
radioterapia e a quimioterapia podem ser usadas para diminuir o tumor antes de removê-lo
cirurgicamente e depois da cirurgia para reduzir o risco de reincidência”,
destaca a dermatologista.
Porém, prevenir a
doença ainda é o melhor remédio e evitar o câncer não é tão difícil, basta
adotar alguns cuidados e hábitos básicos a sua rotina diária. Por exemplo, é
fundamental que, além de evitar fumar e ingerir álcool, você não faça sessões
de bronzeamento artificial, utilize chapéus e bonés sempre que for se expor ao
sol e, o mais importante, aplique diariamente protetores labiais com fator de
proteção solar de no mínimo 30 FPS, reaplicando sempre a cada duas horas.
“É essencial
também que você consulte um médico regularmente para detectar qualquer indicio
de câncer precocemente. Quando diagnosticado nos primeiros meses do
aparecimento, praticamente 100% dos casos de câncer de lábios são curados
rapidamente e com pouco ou nenhum dano estético”, finaliza a Dra. Valéria
Marcondes

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