O mieloma múltiplo é um câncer de medula raro e sem cura, que acomete 230 mil pessoas no mundo, de acordo com a International Agency for Research on Cancer (IARC). Mesmo se devidamente tratado e diagnosticado precocemente, a doença afeta principalmente a qualidade de vida do paciente devido aos sintomas associados. Por isso, cuidados complementares passam a ser fundamentais durante o tratamento.
A enfermidade ocorre quando um grupo de plasmócitos (células plasmáticas), responsáveis pela produção de anticorpos que participam do sistema de defesa do organismo, se multiplica de forma desgovernada, passando a comprometer múltiplas áreas da medula e, consequentemente, a produção normal dos glóbulos brancos e vermelhos e das plaquetas.
Desde o diagnóstico ao tratamento, o paciente geralmente sente dores ósseas, tem anemia, sofre com problemas renais e fraturas patológicas. Infecções frequentes também são comuns porque o sistema imunológico fica comprometido. Com isso, o tratamento vai depender dos problemas enfrentados por cada paciente, que deve ser avaliado e indicado pelo médico. Para o tratamento, há opções terapêuticas medicamentosas e pode ou não incluir o transplante autólogo de células progenitoras hematopoiéticas.
O mieloma múltiplo é uma doença com taxa elevada de recidiva. Porém, pode ser tratada e muitos pacientes podem ter uma vida normal e produtiva por longos períodos de tempo. Com o objetivo de minimizar os impactos na rotina provocados pelo mieloma, é importante que, com orientação médica, se adote algumas práticas complementares ao tratamento. Segundo o Dr. Ângelo Maiolino, Professor Associado de Hematologia do Departamento de Medicina Interna da Universidade Federal do Rio de Janeiro, existem várias formas de tornar a situação mais confortável para o paciente e a família. “É fundamental que exista uma humanização no tratamento e diferentes profissionais da área da saúde devem ser envolvidos. Em um plano terapêutico, os campos do emocional, físico e social devem ser conectados para que o paciente se sinta o melhor possível”, explica o Dr. Maiolino.
Conheça alguns dos cuidados multidisciplinares elencados pelo Dr. Maiolino:
1. Integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado ao paciente.
2. Possibilitar que o paciente viva ativamente. “O paciente de mieloma múltiplo pode, na medida do possível, praticar atividades físicas supervisionadas. O médico poderá orientar em cada caso”, salienta o especialista.
3. Ter uma abordagem de diferentes especialistas de saúde com foco nas necessidades dos pacientes e de seus familiares, incluindo acompanhamento psicológico.
4. Controle da ingestão de medicamentos para alívio da dor e de outros sintomas. “Além da terapia específica para o mieloma múltiplo são necessários os tratamentos periféricos que aliviam sintomas adversos. É preciso entender quais medicamentos funcionam melhor para o paciente e a importância do uso com regularidade e adequadamente. Nesse sentindo, cuidadores e familiares desempenham papel significativo”, completa o hematologista.
Dr. Maiolino ainda reforça que as medidas não significam a cura, mas neste processo delicado de lidar com a doença dia após dia, a informação é fundamental: “O paciente, assim como seus familiares, precisa estar atualizado sobre a sua condição. Desse modo, oriento que converse com o médico sobre todas as dúvidas, inclusive sobre os cuidados de suporte, pois assim as chances de ter qualidade de vida são maiores”.

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