Perceber e aceitar a perda auditiva não é uma atitude fácil. Seja jovem ou idoso, a constatação de que já não se ouve bem é sempre ruim. O fato é que apenas 40% das pessoas com perda de audição reconhecem que ouvem mal. Por isso, é fundamental questionar o arraigado preconceito contra os aparelhos auditivos. A falta de informação quanto à discrição e praticidade das próteses auditivas atuais ainda faz com que a maioria das pessoas demore, em média, seis anos para procurar ajuda de um especialista.
“Não há demérito algum em usar aparelho auditivo. Atualmente, existem diversos tipos de aparelhos, com tecnologia digital, pequenos e quase imperceptíveis, que não ofendem a vaidade. Alguns ficam até mesmo invisíveis, pois são colocados dentro do canal auditivo. Por que então não fazer uso dessa tecnologia para ouvir melhor, sentindo-se mais confiante para conversar com familiares, amigos e colegas de trabalho? O uso do aparelho ajuda a melhorar a autoestima e a qualidade de vida”, afirma a fonoaudióloga Isabela Papera, da Telex Soluções Auditivas.
O que geralmente não se percebe é que a perda auditiva prejudica não só a audição em si, mas afeta também o aspecto psicológico e social. Há casos em que o indivíduo, depois de muitos anos sem ouvir direito, quando procura ajuda já está em profunda depressão. A privação sensorial causada pela diminuição de audição gera um isolamento social devastador, além da redução significativa das atividades cerebrais, comprometendo a atenção, o entendimento de fala e a memória, facilitando ainda o aparecimento das demências.
“A família é fundamental no processo de aceitação da perda auditiva daquele ente querido e na busca de ajuda para que ele resgate os sons da vida, pois o deficiente auditivo que não usa aparelhos passa a se isolar; primeiramente da vida social e, depois, dos próprios familiares. Alguns dos sintomas mais comuns na surdez são a irritabilidade e a agressividade”, destaca a fonoaudióloga, que é especialista em audiologia.
À medida em que você envelhece, as células ciliadas da orelha interna começam a morrer, mas há pessoas que perdem a audição mais cedo e mais rápido do que outras. Muitos começam a sentir dificuldades para ouvir quando estão na faixa etária dos 30 aos 40 anos. Pesquisas revelam que quase a metade da população deficiente auditiva ainda está economicamente ativa.
“Quando têm a indicação de uso de aparelho auditivo, alguns se sentem punidos por isso. Infelizmente, muitas vezes, quando a pessoa procura tratamento, o caso já ficou mais grave. Com o decorrer dos anos, a deficiência atinge um estágio mais avançado”, explica Isabela Papera, da Telex.
Ao sentir alguma dificuldade para ouvir, o melhor é procurar um médico otorrinolaringologista para avaliar a causa, o tipo e o grau da perda auditiva. A partir do resultado dos testes, como o de audiometria, será indicado o tratamento mais adequado. O uso do aparelho auditivo é o apoio necessário em grande parte dos casos.

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