De acordo com a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), temos cerca de 194 milhões de habitantes, o que aponta a estimativa de aproximadamente 1.940.000 portadores de epilepsia. No mundo inteiro, são cerca de 65 milhões de portadores. Outra estatística importante válida tanto para nosso país quanto para o restante do planeta, é a de que uma em cada 26 pessoas já foi, é ou será acometida pela epilepsia. No Brasil não temos dados consolidados sobre o número de portadores na atualidade. Nos Estados Unidos, são 50 mil. Se traçarmos uma projeção sem valor científico, chegaríamos a algo em torno de 35 mil em nosso país. Embora seja possível controlar as crises em 70% dos casos, ao menos 40% desses pacientes, ou seja, 780 mil estão recebendo tratamento inadequado ou não recebem tratamento algum. Pode-se dizer que a Epilepsia é uma das áreas mais desenvolvidas da Neurologia brasileira.
O atendimento ao paciente nos Centros de Epilepsia Plenos é realizado de forma semelhante e com resultados equivalentes aos melhores Centros de Epilepsia do mundo. Por outro lado, mesmo com equipes multiprofissionais habilitadas, resultados efetivos e ampla experiência no atendimento das epilepsias refratárias e na cirurgia de epilepsia, os Centros de Epilepsia não conseguem atender adequadamente à demanda nem aumentar a capacidade atendimento. Isso se dá em virtude de a rede básica ser deficitária, além do mais os pacientes que chegam a ela são refratários e demorar a ser reconhecidos como portadores da epilepsia. A consequência é que hoje um paciente corre o risco de demorar até 18 anos para ser diagnosticado corretamente e chegar aos Centros de Epilepsia Plenos.
Prejuízos irreversíveis
O prejuízo é imenso para o indivíduo e para o Estado. Mesmo porque, com o tratamento postergado por tempo tão longo, o portador fica quase duas décadas com limitações importantes na vida produtiva e nas relações sociais. São questões que reforçar o fato de que, apesar de a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) para portadores de epilepsia estar desenhada e implantada, ainda funciona de forma precária, assimétrica e desproporcional às necessidades dos pacientes. Os motivos são vários: o treinamento em epilepsia é insuficiente, o retorno às unidades de saúde é muito demorado, os Centros de Neurologia estão sobrecarregados (com recursos pessoais e diagnósticos insuficientes) e a comunidade não conhece bem a doença. Uma das soluções capazes controlar as crises epilépticas em 50% dos pacientes com epilepsia é fazer este atendimento na rede básica de saúde. Atualmente a ABN atua nesse sentido, participando da Comissão do Ministério da Saúde/OPAS para elaborar o Caderno de Ações Básicas de Saúde (CAB) em epilepsia para capacitar os profissionais que atuam neste nível de atendimento.

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