O envelhecimento da população vem trazendo alguns desafios para a comunidade médica. A expectativa média de vida no Brasil em 1940 era de 50 anos, chegando em 2010 aos 73,4 anos. Já se projeta para o ano de 2050 que o brasileiro passe a viver em média 81,29 anos. Sabe-se que com o envelhecimento, o corpo sofre algumas modificações inerentes à idade associadas a uma maior frequência de doenças cardíacas, pulmonares, vasculares e a um risco aumentado de eventos trombóticos. Os desafios de cuidar dessa população foi o tema do simpósio “Anticoagulação em Idosos”, ministrado pela Dra. Tereza Grillo, durante o XXIII Congresso da Sociedade Mineira de Cardiologia, em Belo Horizonte. O Brasil é o país com um dos índices epidemiológicos mais expressivos em número de mortes por acidente vascular cerebral (AVC) na América Latina, com mais de 129 mil casos todos os anos. Uma das principais causas deste problema é a fibrilação atrial, um tipo de arritmia cardíaca que atinge cerca de 1,5 milhão de pessoas no país.
De acordo com a Dra. Tereza, a importância de realizar a terapia de anticoagulação reside no fato de que as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade e incapacidade em indivíduos adultos no Brasil e no mundo e os casos de AVC de origem cardioembólica podem ser prevenidos com a utilização dos anticoagulantes orais. “Devemos tomar o cuidado de não nos deixar guiar pela idade para contraindicar certos tratamentos, por considerarmos de risco, e deixar de oferecer aos idosos os benefícios que estes tratamentos poderiam promover. É preciso considerar sempre a idade biológica do paciente para não deixar de oferecer este benefício para muitas pessoas com idade cronológica avançada, mas ainda muito ativos”, explica a Dra. Tereza.
Os eventos tromboembólicos são uma causa importante de mortalidade e morbidade em todo o mundo. A anticoagulação é recomendada para a prevenção e/ou o tratamento do tromboembolismo venoso, manifestado como a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar e também recomendado para a prevenção do AVC em pacientes com fibrilação atrial. Os critérios de inclusão do tratamento são: • História de acidente vascular cerebral isquêmico prévio (AVCI) • Hipertensão arterial sistêmica (HAS) controlada • Diabetes mellitus • Insuficiência cardíaca • História de infarto do miocárdio ou doença arterial periférica • Cirurgias • Obesidade • Varizes dos membros inferiores • Câncer • Doença pulmonar crônica Embora não exista um critério absoluto de exclusão, a Dra. Tereza reforça que os tratamentos devem ser individualizados, porque na maioria das vezes o benefício da terapia é significativamente superior ao risco de complicação. A idade avançada é um fator de risco importante para o AVC, no entanto, muitos fatores que são considerados ser de risco para o sangramento e são contraindicações relativas ao uso do anticoagulante oral são comuns nos pacientes idosos, tais como comorbidades associadas, necessidade do uso simultâneo de múltiplas drogas, hipertensão, insuficiência renal e reduzido estado funcional com predisposição a quedas.
“Estas incertezas estão presentes na prática clínica e concorrem para o corrente subtratamento da população idosa”, ressalta a médica. Tratamento Durante mais de 50 anos houve um único grupo de anticoagulante oral para uso clínico, os antagonistas da vitamina K, como a varfarina. Porém, essa opção traz várias complexidades que dificultam a extensão da proteção anticoagulante a todos os pacientes que necessitam desse tratamento.
Dentre as limitações conhecidas dos anticoagulantes tradicionais, destacam-se as múltiplas interações alimentares e medicamentosas, bem como a necessidade de monitoração laboratorial constante da coagulação. De fato, alguns estudos indicam que menos da metade dos pacientes idosos que se beneficiariam da terapia anticoagulante estão recebendo a varfarina. Portanto, fez-se necessário que esforços fossem feitos para a pesquisa e desenvolvimento de novas drogas anticoagulantes, possibilitando o uso alternativo à varfarina. Dentre estas novas drogas está o grupo dos inibidores diretos do fator Xa como a rivaroxabana (Xarelto®, da Bayer HealthCare Pharmaceuticals).
A rivaroxabana é um anticoagulante oral moderno aprovado no Brasil para a redução do risco de AVC e embolia sistêmica em pacientes com fibrilação atrial, tratamento de pacientes com trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP) e para prevenção de TVP e EP recorrentes; prevenção de tromboembolismo venoso (TEV) em artroplastia total de quadril (ATQ) e artroplastia total de joelho (ATJ) eletivas. O medicamento oferece os benefícios de baixa interação medicamentosa, nenhuma interação alimentar e não necessidade de monitoramento da coagulação sanguínea, considerações importantes para que o tratamento seja mantido por um longo período.

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