SUPLEMENTOS

Imunidade no inverno: entenda quais suplementos realmente fortalecem as defesas do organismo

Zinco, vitamina D, espermidina, glutamina, probióticos e N-acetilcisteína podem ser aliados em situações específicas, desde que associados a uma alimentação equilibrada, sono adequado e hábitos saudáveis.

Imunidade no inverno: entenda quais suplementos realmente fortalecem as defesas do organismo Crédito: Divulgação

Com a chegada das temperaturas mais baixas, consultórios, farmácias e serviços de saúde registram um aumento expressivo dos casos de resfriados, gripes, crises alérgicas e infecções respiratórias. Além da maior circulação de vírus, o inverno favorece a permanência em ambientes fechados, com pouca ventilação, facilitando a transmissão de agentes infecciosos. Nesse período, muitas pessoas recorrem aos suplementos na tentativa de "aumentar a imunidade". Mas será que eles realmente funcionam? “Desde que sejam utilizados de forma racional e o paciente tenha hábitos saudáveis, os suplementos podem ajudar. Nenhum suplemento é capaz de impedir sozinho o aparecimento de doenças. A imunidade depende de um conjunto de fatores, como alimentação, atividade física, qualidade do sono, controle do estresse e vacinação. No entanto, alguns nutrientes e compostos bioativos apresentam benefícios importantes para o funcionamento do sistema imunológico, especialmente quando existe deficiência ou maior demanda do organismo", explica o farmacêutico, pesquisador e professor Dr. Maurizio Pupo, diretor científico do IPUPO Pós-Graduações. Abaixo, ele explica os principais ativos que ajudam na imunidade:

Zinco – O zinco é um dos micronutrientes mais estudados quando o assunto é imunidade. “Ele participa diretamente do desenvolvimento e da atividade de diversas células do sistema imunológico, incluindo linfócitos T, neutrófilos e células natural killer, fundamentais para combater vírus, bactérias e outros agentes infecciosos. Além disso, o mineral contribui para a manutenção da integridade das mucosas do nariz, garganta e vias respiratórias, consideradas a primeira barreira de proteção contra microrganismos”, diz o Dr. Maurizio. "A deficiência de zinco está associada a maior susceptibilidade a infecções e pior resposta imunológica. A suplementação pode ser uma estratégia interessante em indivíduos com ingestão inadequada ou grupos de maior risco, sempre respeitando as doses recomendadas", orienta o farmacêutico.

Vitamina D – Conhecida por seu papel na absorção de cálcio, a vitamina D também exerce importante função na modulação do sistema imunológico. “Receptores para essa vitamina estão presentes em diversas células de defesa, que utilizam esse nutriente para regular a produção de substâncias envolvidas na resposta inflamatória e no combate a patógenos. Durante o inverno, a menor exposição solar pode contribuir para a redução dos níveis séricos de vitamina D, principalmente em idosos, pessoas que permanecem em ambientes internos e indivíduos com pele mais escura”, alerta o farmacêutico. “Hoje sabemos que a vitamina D participa do equilíbrio da resposta imunológica. A suplementação é especialmente indicada para quem apresenta deficiência comprovada, evitando tanto a falta quanto o excesso, que também pode trazer riscos", explica o Dr. Maurizio.

Espermidina – Embora ainda seja menos conhecida pelo público, a espermidina vem despertando interesse da comunidade científica por sua capacidade de estimular um processo chamado autofagia, mecanismo natural de reciclagem das células. “Esse processo auxilia na eliminação de componentes celulares danificados e contribui para a manutenção da função das células imunológicas, especialmente durante o envelhecimento. Pesquisas sugerem que a espermidina pode favorecer um funcionamento mais eficiente do sistema imune e ajudar a preservar a capacidade de resposta do organismo ao longo dos anos”, diz o pesquisador. "Ela não atua como um estimulante imediato da imunidade, mas como um composto que contribui para a saúde celular, criando um ambiente mais favorável para o funcionamento adequado das defesas do organismo", afirma.

Glutamina – A glutamina é o aminoácido livre mais abundante do organismo e representa uma importante fonte de energia para células do sistema imunológico e para os enterócitos, células que revestem o intestino. “Como cerca de 70% das células imunológicas estão associadas ao tecido linfoide intestinal, preservar a integridade da barreira intestinal é considerado um fator importante para o adequado funcionamento das defesas naturais. Situações como exercício físico intenso, infecções, cirurgias ou períodos prolongados de estresse podem aumentar a demanda por glutamina”, diz o Dr. Maurizio. "A glutamina ajuda a manter a saúde da mucosa intestinal e oferece suporte para células que participam da resposta imunológica. Sua suplementação apresenta melhores evidências em situações de maior desgaste metabólico ou quando há indicação clínica específica", destaca o especialista.

Probióticos – Como a microbiota intestinal desempenha um papel fundamental no equilíbrio do sistema imunológico, alterações nessa comunidade de microrganismos podem influenciar tanto a susceptibilidade a infecções quanto o desenvolvimento de processos alérgicos. “Probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, promovem benefícios à saúde, especialmente por favorecerem um ambiente intestinal mais equilibrado”, diz o farmacêutico. Diversas revisões científicas demonstram que determinadas cepas podem reduzir discretamente a incidência e a duração de infecções respiratórias, embora os resultados dependam da cepa utilizada, da dose e das características de cada indivíduo. "É importante entender que não existe um probiótico universal. Cada cepa possui propriedades específicas, por isso a escolha deve ser individualizada e baseada na finalidade desejada", explica.

N-acetilcisteína – A N-acetilcisteína (NAC) é conhecida há décadas por sua ação mucolítica, ajudando a tornar o muco mais fluido e facilitando sua eliminação pelas vias respiratórias. “Além desse efeito, ela atua como precursora da glutationa, um dos principais antioxidantes produzidos pelo organismo, contribuindo para reduzir o estresse oxidativo que acompanha diversos processos infecciosos e inflamatórios. A NAC pode auxiliar na manutenção das defesas antioxidantes das células e apresentar benefícios na prevenção de exacerbações de doenças respiratórias crônicas em populações específicas”, explica o Dr. Maurizio. "Ela não substitui tratamentos médicos nem funciona como um escudo contra vírus, mas pode ser uma importante aliada da saúde respiratória e da resposta antioxidante do organismo, especialmente em pessoas com indicação clínica", afirma.

Apesar dos benefícios descritos na literatura científica, o farmacêutico ressalta que suplementos ajudam, mas não devem ser encarados como uma solução isolada para prevenir doenças típicas do inverno. "A melhor estratégia para manter a imunidade funcionando adequadamente continua sendo um conjunto de medidas: alimentação rica em frutas, verduras, proteínas e fibras, prática regular de atividade física, sono de qualidade, controle do estresse, hidratação adequada e vacinação em dia. Os suplementos podem complementar esse cuidado”, finaliza.

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