SUPLEMENTOS

Suplementos para longevidade estão em alta: entenda quais que devem ser priorizados

Mercado de suplementos no Brasil deve alcançar R$ 13,8 bilhões até 2030, puxado principalmente na atual preocupação com saúde preventiva e envelhecimento saudável

Suplementos para longevidade estão em alta: entenda quais que devem ser priorizados Crédito: Divulgação

O envelhecimento não pode ser atribuído a uma única causa, mas cada vez mais pesquisas destacam o papel do estresse oxidativo, com excesso de radicais livres, na perda gradual da função celular observada com o avanço da idade. “Os radicais livres são moléculas instáveis produzidas naturalmente durante o metabolismo celular. Em condições normais, o organismo dispõe de mecanismos de defesa capazes de neutralizá-los. O problema surge quando há um desequilíbrio entre a produção dessas moléculas e a capacidade do corpo de eliminá-las, situação conhecida como estresse oxidativo”, explica o Dr. Maurizio Pupo, farmacêutico pela PUC-Campinas (1988), pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações. O estilo de vida atual, com má alimentação, sedentarismo e estresse, favorece esse estresse oxidativo, por isso cresce a procura por suplementos para longevidade, contendo principalmente antioxidantes. Segundo projeções da Euromonitor, o mercado de suplementos no Brasil deve alcançar R$ 13,8 bilhões até 2030. Já a Mordor Intelligence projeta um crescimento robusto até 2031, a uma taxa anual composta de 4,28%, puxado por um impacto maior foco na saúde preventiva (+0,9%) e pelo foco no envelhecimento saudável (+0,6%). Segundo a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), a dieta pode ofertar antioxidantes com frutas vermelhas e roxas (mirtilo, amora, morango, uvas roxas), cacau, chá verde, cúrcuma e vegetais verde-escuros como espinafre, brócolis e couve, ricos em vitamina C, vitamina E, polifenóis e flavonoides. “Os antioxidantes neutralizam radicais livres, reduzindo o estresse oxidativo associado a doenças crônicas como câncer, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas. E alguns suplementos têm se destacado por sua atuação na proteção celular e na longevidade saudável”, completa a médica.

A ginecologista Dra. Patricia Magier, criadora do Método Plena para cuidado da mulher de forma completa, profunda e individualizada, explica que a suplementação não deve ser padronizada e, na prática clínica, o foco é corrigir três pilares principais: deficiências nutricionais silenciosas (muito comuns nessa fase); processos inflamatórios e metabólicos; e impactos da queda hormonal no organismo. Com relação aos suplementos para longevidade, a ideia é diminuir processos inflamatórios e, para isso, a Dra. Marcella cita alguns suplementos: “A coenzima Q10 ajuda na produção de energia celular e tem efeito antioxidante, podendo melhorar a vitalidade e a saúde cardiovascular; o resveratrol: encontrado na uva e no vinho tinto, ativa proteínas ligadas à longevidade, como as sirtuínas; o ácido alfa-lipoico é um antioxidante potente que ajuda na regeneração de outros antioxidantes, com impacto positivo no metabolismo e na saúde mitocondrial; o ômega-3 tem ação anti-inflamatória e protege o cérebro, os olhos e o coração”, explica a Dra. Marcella. “O ômega-3 também ocupa um espaço importante na minha prática. Seu efeito anti-inflamatório contribui não apenas para a saúde cardiovascular, mas também para a função cerebral e o controle de sintomas como fadiga e dificuldade de concentração. Em mulheres com tendência a processos inflamatórios ou ganho de peso mais resistente, ele costuma fazer uma diferença significativa”, comenta a Dra. Patricia.

Já o farmacêutico explica que entre os compostos que mais despertam atenção da comunidade científica estão a oleuropeína, extraída das folhas da oliveira; o extrato da semente de uva; a curcumina; e a astaxantina. “A oleuropeína, polifenol encontrado nas folhas da oliveira e na polpa das azeitonas, oferece, além da atividade antioxidante, ação anti-inflamatória e a proteção contra danos celulares provocados pelo estresse oxidativo. Também existem estudos investigando seus efeitos na saúde cardiovascular e metabólica”, afirma o farmacêutico. O extrato da semente de uva, segundo o Dr. Maurizio, é rico em proantocianidinas, compostos fenólicos reconhecidos pelo elevado potencial antioxidante. “As proantocianidinas ajudam a proteger proteínas estruturais importantes, como colágeno e elastina, contra danos oxidativos. Por isso, esse ativo costuma ser associado à manutenção da saúde vascular e ao suporte da integridade da pele. “A curcumina apresenta uma característica interessante porque não atua apenas como antioxidante direto. Ela também influencia mecanismos celulares envolvidos na resposta antioxidante do próprio organismo, estimulando sistemas naturais de defesa”, explica o farmacêutico. “Uma característica importante da astaxantina é sua capacidade de proteger estruturas celulares contra danos oxidativos induzidos por fatores ambientais, especialmente a radiação ultravioleta. Por isso, ela tem sido bastante investigada em estudos relacionados à saúde da pele”, afirma o farmacêutico.

Como a ideia não é só viver mais, mas também melhor, a nutricionista Cida Mariosa, executiva do Núcleo de Nutrição da Biotec, explica que é importante atuar na mitocôndria com ativos como Bio-Arct. “Ele é um ativo biotecnológico, especificamente formulado para otimizar a função mitocondrial e estimular processos de autofagia (limpeza celular). Ele atua na restauração de energia e vitalidade, melhora de resistência física e mental, suporte à preservação de massa muscular e melhora de performance geral”, explica a nutricionista. “A atuação neuronal também é importante com Lipo PS 20, regulador de estresse e neuroprotetor padronizado em fosfatidilserina 20% e fosfatidilcolina 20%. A fosfatidilserina é um fosfolipídeo essencial que atua como neuroprotetor e regulador da resposta ao estresse. Ele promove melhora de memória, concentração e clareza mental, neuroproteção contra envelhecimento cerebral e suporte ao sistema nervoso durante transição hormonal para mulheres na menopausa”, completa Cida Mariosa.

Por fim, o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo ressalta que os suplementos antioxidantes devem ser encarados como parte de uma estratégia mais ampla de promoção da saúde. “Não existe um único composto capaz de impedir o envelhecimento. O que a ciência mostra é que determinadas substâncias podem contribuir para a proteção celular quando associadas a hábitos saudáveis”, comenta o farmacêutico. “Suplementos complementam, mas não substituem os pilares da longevidade, que são: boa alimentação, prática regular de atividade física, sono de qualidade, controle do estresse e exposição moderada ao sol. Nenhum suplemento é capaz de replicar os efeitos do exercício físico ou de uma alimentação rica em vegetais, fibras e antioxidantes. A ideia é somar estratégias, nunca compensar maus hábitos com cápsulas”, finaliza.

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