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Punho doendo na academia? Há sinais que não devem ser ignorados durante o treino

Flexões, pranchas, exercícios com barras e movimentos que exigem força das mãos podem evidenciar desconfortos na região; ortopedista explica quando dor, formigamento e perda de força merecem investigação

Punho doendo na academia? Há sinais que não devem ser ignorados durante o treino Crédito: Divulgação

Segurar a barra, apoiar as mãos no chão durante uma flexão ou sustentar o peso do corpo em uma prancha são movimentos tão comuns na academia que pouca gente pensa no trabalho realizado pelas mãos e pelos punhos. Até que aparece a dor.

O desconforto pode começar discreto, surgir apenas em determinadas posições ou vir acompanhado de formigamento e perda de força. Embora nem toda dor represente uma lesão importante, insistir repetidamente em movimentos que provocam sintomas também não deveria ser encarado como parte normal do treinamento.

Para o Dr. André Pires, ortopedista especialista em Cirurgia da Mão e do Punho, o corpo costuma dar sinais antes que determinadas alterações se tornem mais limitantes.

“Muitas pessoas ignoram os primeiros sinais, achando que o formigamento noturno ou um incômodo leve no polegar vai passar sozinho. No entanto, a repetição contínua dos movimentos inflama os tendões e comprime os nervos. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores são as chances de um tratamento bem-sucedido sem a necessidade de intervenções cirúrgicas”, alerta.

Formigamento também merece atenção

Quando se fala em lesão na academia, é comum pensar imediatamente em dor. Mas alterações nas mãos e nos punhos podem produzir outros sintomas.

Formigamento ou dormência nos dedos, especialmente polegar, indicador e médio, sensação de choque ou queimação na palma da mão e no punho e perda de força para segurar objetos estão entre os sinais apontados pelo especialista.

Isso significa que perceber a pegada ficando mais fraca durante os exercícios não deveria ser automaticamente interpretado como simples fadiga muscular. Se o sintoma aparece repetidamente ou começa a interferir também nas atividades fora da academia, vale investigar sua origem.

A posição do punho importa

Um ponto destacado por André é a importância de manter o punho em posição neutra nas atividades repetitivas. Embora a orientação original do especialista esteja relacionada principalmente à ergonomia no trabalho e ao uso de eletrônicos, o princípio chama atenção para algo que também merece ser observado por quem treina: a posição assumida pela articulação durante movimentos que exigem apoio ou força das mãos.

Isso não significa que todo exercício exija o punho completamente reto ou que exista uma posição universal para todos os movimentos. A execução depende do exercício e das características individuais. O problema está em repetir um gesto que provoca dor e simplesmente aumentar carga ou volume acreditando que o corpo irá se acostumar.

A sobrecarga pode começar fora da academia

Outro detalhe importante é que o punho utilizado no treino é o mesmo que passou o restante do dia segurando celular, digitando no computador e repetindo pequenos movimentos.

Por isso, o incômodo percebido durante a musculação nem sempre começou naquele exercício. Uma rotina marcada por movimentos repetitivos pode contribuir para sobrecarga de tendões e nervos, e o treinamento pode ser apenas o momento em que o sintoma se torna mais evidente.

Entre as condições frequentemente diagnosticadas pelo especialista estão a síndrome do túnel do carpo, relacionada à compressão do nervo mediano, e a tenossinovite de De Quervain, que envolve tendões da região do polegar.

Alongar resolve?

O Dr. André Pires recomenda alongamentos suaves para os flexores e extensores dos dedos e do punho dentro dos cuidados para reduzir sobrecargas provocadas por atividades repetitivas. Isso, porém, não significa que alongar seja tratamento universal para qualquer dor.

Quando existe formigamento persistente, dormência, perda de força, sensação de choque ou dor recorrente, o mais importante é descobrir a causa. Continuar treinando sobre um sintoma sem entender sua origem pode prolongar o problema.

Também é preciso diferenciar desconforto muscular esperado depois de determinados estímulos de sintomas neurológicos ou articulares que aparecem repetidamente.

Parar completamente de treinar é sempre necessário?

Não necessariamente. A conduta depende do diagnóstico e da intensidade do quadro. Em algumas situações, ajustes na atividade, tratamento conservador e fisioterapia podem fazer parte da recuperação. Em outras, uma intervenção mais específica pode ser necessária.

Nos casos em que o tratamento conservador não apresenta evolução e existe indicação cirúrgica, André destaca que técnicas minimamente invasivas passaram a permitir abordagens com menor trauma aos tecidos.

“Essas técnicas reduzem o trauma nos tecidos, provocam menos dor no pós-operatório e permitem que o paciente retorne às suas atividades cotidianas e profissionais em um tempo significativamente menor”, explica.

Para quem treina, entretanto, o melhor cenário continua sendo não esperar o problema chegar a esse ponto. Dor recorrente, formigamento, dormência e perda de força não são indicadores de que o exercício está funcionando melhor.

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