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Artigo - As principais infecções virais em academias: infectologia e os impactos na performance esportiva

As academias e centros de treinamento são ambientes destinados à promoção da saúde, condicionamento físico e melhora da performance. Entretanto, elevada circulação de pessoas, proximidade durante os exercícios, permanência em espaços fechados e ventilação inadequada podem favorecer a transmissão de agentes infecciosos, especialmente vírus respiratórios.

Artigo - As principais infecções virais em academias: infectologia e os impactos na performance esportiva Crédito: Divulgação

Na Medicina do Esporte, as infecções virais apresentam relevância adicional porque podem interferir temporariamente nas respostas imunológicas, metabólicas, cardiovasculares e respiratórias, comprometendo recuperação muscular, tolerância ao esforço e desempenho.

A prevenção deve, portanto, envolver não apenas cuidados de higiene, mas também qualidade do ar, comportamento individual, recuperação adequada e critérios seguros para manutenção ou retorno ao treinamento.

1- Academias e transmissão viral

Os vírus respiratórios podem ser eliminados por meio de partículas respiratórias durante respiração, fala, tosse e espirros. A transmissão pode ser favorecida em ambientes fechados, especialmente quando existe grande concentração de pessoas e renovação insuficiente do ar.

Durante o exercício ocorre aumento importante da ventilação minuto, particularmente nas atividades de maior intensidade. A qualidade e a renovação do ar tornam-se, portanto, componentes relevantes das medidas preventivas em centros de treinamento.

Equipamentos compartilhados, como halteres, barras, bancos, colchonetes e puxadores, também justificam medidas rotineiras de higiene. Entretanto, para vírus predominantemente respiratórios, a prevenção não deve ficar concentrada exclusivamente na desinfecção de superfícies.

2- Principais vírus envolvidos

Diversos agentes virais podem provocar infecções respiratórias em praticantes de atividade física. Entre os principais encontram-se rinovírus, influenza A e B, vírus sincicial respiratório (VSR), adenovírus, SARS-CoV-2, metapneumovírus humano e vírus parainfluenza.

Os rinovírus constituem importantes agentes relacionados ao resfriado comum e frequentemente provocam rinorreia, congestão nasal, espirros, odinofagia e tosse. Embora geralmente produzam doença autolimitada, os sintomas podem interferir na qualidade do sono, recuperação e percepção subjetiva de esforço.

Os vírus influenza A e B apresentam maior potencial para manifestações sistêmicas, incluindo febre, cefaleia, mialgia, prostração e fadiga acentuada, podendo produzir queda significativa da capacidade física durante a fase aguda e de recuperação.

O VSR, embora frequentemente associado à população pediátrica, também pode causar doença respiratória em adultos, especialmente idosos e indivíduos pertencentes a grupos de risco.

Os adenovírus podem provocar diferentes manifestações clínicas, incluindo síndromes respiratórias e conjuntivite, enquanto o metapneumovírus humano e os vírus parainfluenza também participam das infecções respiratórias adquiridas na comunidade.

O SARS-CoV-2 permanece relevante pela possibilidade de apresentações clínicas variadas e, em determinados pacientes, persistência de sintomas após a fase aguda, incluindo fadiga e intolerância ao esforço.

A identificação etiológica específica nem sempre é necessária em quadros leves, mas pode assumir importância diante de maior gravidade, fatores de risco ou situações epidemiológicas específicas.

3- Exercício físico e resposta imunológica

A relação entre exercício e imunidade é complexa. A atividade física regular está associada a diferentes adaptações fisiológicas favoráveis, enquanto períodos de treinamento intenso combinados a recuperação insuficiente, restrição energética, privação de sono e elevado estresse fisiológico podem modificar diferentes componentes da resposta imunológica.

Durante uma infecção viral ocorre ativação coordenada da imunidade inata e adaptativa, com produção de interferons, quimiocinas e citocinas inflamatórias. Essas respostas participam do controle da infecção, mas também contribuem para manifestações como febre, mialgia, astenia, redução do apetite e maior percepção de esforço.

Nesse período, acrescentar exercícios de elevada intensidade pode representar carga fisiológica adicional em um organismo já submetido a importante demanda imunometabólica.

4- Infecções virais e queda da performance

Mesmo uma infecção respiratória relativamente leve pode comprometer temporariamente o rendimento esportivo. Alterações do sono, redução da ingestão energética, desidratação, fadiga central, sintomas respiratórios e resposta inflamatória sistêmica podem reduzir a tolerância ao exercício.

Quando existe febre ou maior repercussão sistêmica, essas alterações tendem a ser mais pronunciadas.

Para atletas, a tentativa de preservar integralmente a carga de treinamento durante a fase aguda pode ser contraproducente, interferindo na recuperação e comprometendo sessões subsequentes.

5- Treinamento durante a infecção

A decisão sobre manter atividade física deve considerar intensidade dos sintomas, manifestações sistêmicas e condição clínica individual.

Sintomas como febre, mialgia generalizada, fadiga acentuada, dispneia, dor torácica, palpitações, tontura ou redução expressiva da capacidade física são manifestações que justificam interrupção do treinamento intenso e avaliação clínica conforme a apresentação.

Atenção adicional deve ser destinada aos sintomas cardiovasculares, pois determinadas infecções virais podem estar associadas, ainda que infrequentemente, a comprometimento miocárdico. Dor torácica, dispneia desproporcional, palpitações persistentes, pré-síncope ou síncope após síndrome viral necessitam investigação antes do retorno ao exercício intenso.

6- Prevenção dentro das academias

A prevenção das infecções respiratórias deve combinar diferentes estratégias. Ventilação e renovação adequada do ar, manutenção dos sistemas de climatização, higiene das mãos e equipamentos e afastamento temporário do ambiente coletivo durante períodos sintomáticos constituem medidas relevantes.

A vacinação também representa importante instrumento preventivo para doenças para as quais existem imunizantes recomendados, particularmente influenza e COVID-19, conforme idade, condições clínicas e recomendações sanitárias vigentes.

Fatores como sono adequado, alimentação compatível com a demanda energética, hidratação e períodos apropriados de recuperação também integram a manutenção da saúde do praticante e do atleta.

7- Retorno ao exercício após infecção viral

Após infecções acompanhadas de manifestações sistêmicas, o retorno ao treinamento deve ser progressivo e acompanhar a recuperação clínica.

Volume e intensidade podem inicialmente ser reduzidos, com progressão de acordo com tolerância, resposta cardiovascular e ausência de recorrência dos sintomas.

A persistência de dispneia, fadiga intensa, dor torácica, palpitações, tontura ou queda inexplicada da performance após a fase aguda requer avaliação antes da retomada de exercícios de alta intensidade.

8- Considerações finais

As infecções virais no ambiente das academias possuem relevância epidemiológica e esportiva. A circulação de pessoas, o exercício em ambientes fechados e a ventilação pulmonar aumentada durante atividades intensas justificam atenção às medidas preventivas.

Na Medicina do Esporte, a abordagem deve considerar simultaneamente prevenção da transmissão, repercussões sistêmicas da infecção, modulação da carga de treinamento e retorno seguro à atividade física.

A integração entre qualidade do ar, higiene, vacinação quando indicada, sono, nutrição e recuperação adequada constitui uma estratégia importante para reduzir o impacto das infecções virais sobre a saúde e a performance esportiva.

Referências Bibliográficas

1. International Olympic Committee. Consensus statement on acute respiratory illness in athletes. British Journal of Sports Medicine.

2. World Health Organization. Influenza: prevention and control.

3. Centers for Disease Control and Prevention. Respiratory Viruses: Prevention.

4. Walsh NP, Gleeson M, Shephard RJ, et al. Position statement. Part one: Immune function and exercise. Exercise Immunology Review. 2011;17:6-63.

5. Centers for Disease Control and Prevention. Taking Steps for Cleaner Air for Respiratory Virus Prevention.

Dr. Edson Carlos Z. Rosa

Cirurgião, Fisiologista e Pesquisador em Ciências Médicas, Cirúrgicas e do Esporte

Diretor do Instituto de Medicina e Fisiologia do Esporte e Exercício (Metaboclinic Institute), Diretor Executivo do Centro Nacional de Ciências Cirúrgicas e Medicina Sistêmica (Cenccimes) / Diretor Executivo da União Brasileira de Médicos-Biocientistas (Unimédica) /  Presidente e Fundador da Ordem Nacional dos Cirurgiões Faciais (ONACIFA), Presidente e Fundador da Sociedade Brasileira de Medicina Humana (SOBRAMEH) e Ordem dos Doutores de Medicina do Brasil - ODMB, Doutor em Ciências Médicas e Cirúrgicas (h.c),

Pós-graduado em Clínica Medica - Medicina interna, Medicina e Fisiologia do Esporte/Exercício, Nutrologia e Nutromedicina, Fisiologia Humana Geral aplicada às Ciências da Saúde.

Escritor e Autor de Diversos Artigos na área de Medicina Geral, Medicina e Endocrinologia do Esporte, Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Neurociência e Comportamento Humano.

Fundador-Gestor do e-Comitê Mundial de Médicos do Desporto e Exercício (Official World Group of Sports And Exercise Physicians), Fundador-Gestor Internacional de Cirurgiões Craniomaxilofaciais (The Official World Group of Craniomaxilofaciais Surgeons).

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