SAÚDE

Dia da Saúde Mental: Pessoas com alto QI podem ter mais sensibilidade emocional e propensão à procrastinação

Pessoas com Alto QI têm desafios bem específicos pela forma diferente como seu cérebro funciona e processa alguns estímulos, destaca o psicanalista, mestre em neuropsicologia e Gestor de Projetos Científicos do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Adriel Silva Weber

Dia da Saúde Mental: Pessoas com alto QI podem ter mais sensibilidade emocional e propensão à procrastinação Crédito: Divulgação

Quais os benefícios de ter um Alto QI? A resposta para essa pergunta pode ser uma lista irreal de pontos positivos que a maioria das pessoas imagina, mas poucos condizem com a realidade. Quais os pontos negativos de ter um Alto QI? A resposta para esta pergunta é bem mais complexa.

Dia 10 de outubro é comemorado o Dia Mundial da Saúde Mental, uma data que chama a atenção para os cuidados com a mente, mas poucos imaginam que pessoas com uma capacidade intelectual acima da média também precisam tomar cuidados, isso costuma ser associado a facilidade para compreender conceitos, identificar padrões e resolver problemas complexos, mas não determina como uma pessoa irá lidar com emoções, relacionamentos, pressão ou rotina.

“Pessoas com alto QI têm desafios específicos pela forma como processam informações e analisam determinadas situações, isso não significa que todas terão problemas emocionais, mas algumas podem apresentar uma atividade mental muito intensa, que precisa ser compreendida dentro da individualidade de cada pessoa”, explica o psicanalista, mestre em neuropsicologia e Gestor de Projetos Científicos do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Adriel Silva Weber.

Pensar demais vira desgaste

Uma característica comum a pessoas com alta capacidade cognitiva é explorar diferentes possibilidades antes de tomar uma decisão. A habilidade de analisar cenários é útil em situações complexas, mas também pode causar desgaste quando leva à ruminação ou à dificuldade de concluir uma escolha.

O excesso de análise faz com que uma tarefa simples pareça exigir inúmeras etapas de planejamento, em vez de iniciar uma atividade, a pessoa permanece avaliando possibilidades, antecipando problemas ou tentando encontrar a melhor maneira de executá-la.

“Existe uma diferença importante entre analisar profundamente uma situação e ficar preso à análise. Quando o pensamento deixa de ajudar na tomada de decisão e passa a impedir a ação, ele pode contribuir para um ciclo de adiamento e frustração”.

QI e procrastinação

A procrastinação está ligada a diferentes fatores, como dificuldade de iniciar uma tarefa, baixa motivação, ansiedade, perfeccionismo, dificuldade de regulação emocional ou percepção de que determinada atividade é pouco estimulante.

Em pessoas com alto QI, tarefas repetitivas ou pouco desafiadoras podem ser percebidas como menos interessantes, em outros casos, a complexidade atribuída à atividade pode dificultar o início.

“A procrastinação precisa ser entendida dentro do contexto. Uma pessoa pode adiar uma tarefa porque não encontra estímulo suficiente nela, porque deseja executá-la de maneira perfeita ou porque está diante de uma demanda emocionalmente desconfortável. O alto QI, isoladamente, não explica esse comportamento”, destaca.

“Uma mente com uma grande capacidade de processamento também precisa de espaços para descansar, organizar informações e lidar com emoções. O objetivo não deve ser reduzir a capacidade intelectual, mas aprender a utilizá-la de maneira equilibrada, sem permitir que a análise constante impeça a experiência e a ação”, conclui Adriel Silva Weber.

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