A corrida é uma das atividades físicas mais populares do mundo, mas também carrega uma dúvida comum sobre os seus efeitos nas articulações do joelho, essa resposta não é tão simples quanto parece.
A corrida, por si só, não significa necessariamente desgaste ou dano às articulações. O impacto da prática depende de fatores como a condição prévia do joelho, o preparo muscular, o alinhamento corporal e a forma como os treinos são realizados.
Para o ortopedista, especialista em células-tronco, Dr. Luiz Felipe Carvalho, Diretor do Departamento de Tratamento com Uso de Células-Tronco do CPAH, Centro de Pesquisa e Análise Heráclito, é fundamental analisar individualmente o estado da articulação antes de classificar a corrida como benéfica ou prejudicial.
“Depende bastante do estado da articulação para definir os efeitos da corrida. Uma articulação saudável e bem preparada pode tolerar exercícios prolongados, enquanto uma articulação já comprometida exige uma atenção muito maior”, destaca.
Correr não é automaticamente uma sentença para o joelho
Existe uma crença de que o impacto repetitivo da corrida inevitavelmente provoca artrose e desgaste nas articulações, mas uma articulação saudável, com preparo adequado e submetida a uma prática compatível com sua condição, pode tolerar exercícios vigorosos sem que isso signifique necessariamente o desenvolvimento de problemas articulares. O problema surge quando a atividade é realizada sem considerar as condições individuais.
Fatores como lesões anteriores, fraqueza muscular, alterações no alinhamento das pernas e problemas já existentes na articulação podem modificar completamente a resposta do organismo ao impacto repetitivo.
“Não podemos colocar todos os corredores na mesma situação. Uma pessoa com um joelho saudável e fortalecido é diferente de alguém que já possui desgaste, dor persistente ou uma lesão anterior”, explica o Dr. Luiz Felipe Carvalho.
Quando a corrida pode representar um risco?
Correr sobre uma articulação que já apresenta comprometimentos pode aumentar a sobrecarga sobre determinadas estruturas, especialmente quando não existe fortalecimento muscular suficiente para auxiliar na estabilização e distribuição das forças. Além disso, aumentar abruptamente a intensidade ou o volume dos treinos também pode ser um problema para pessoas que ainda não estão adaptadas à atividade.
A questão não está simplesmente em correr ou deixar de correr, mas em entender se o corpo está preparado para aquele tipo de demanda.
“Quem possui uma articulação fragilizada e inicia ou intensifica os treinos sem o devido preparo pode acabar agravando um problema que já existia. Por outro lado, o fortalecimento e uma progressão adequada podem ajudar a proteger as estruturas articulares”, afirma.
Cada joelho tem uma história
Duas pessoas podem correr exatamente a mesma distância e apresentar respostas completamente diferentes. Uma pode estar com uma articulação saudável e condicionada, enquanto a outra pode carregar alterações decorrentes de lesões antigas ou desgaste já instalado.
Por isso, uma avaliação individual pode ser importante antes de iniciar a corrida ou aumentar significativamente a intensidade dos treinamentos, especialmente quando existem dores ou histórico de problemas ortopédicos.
“Antes de começar ou intensificar os treinos, é importante entender em que condição está a articulação. A corrida pode fazer parte de uma rotina saudável, mas a atividade precisa ser compatível com o estado do joelho e com o preparo de cada pessoa”, conclui o Dr. Luiz Felipe Carvalho.

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