SAÚDE DA MULHER E DA GESTANTE

Alimentação durante a amamentação: o que realmente influencia o leite materno?

Professora de Nutrição do IBMR esclarece dúvidas e aponta os cuidados que merecem atenção nesse período

Alimentação durante a amamentação: o que realmente influencia o leite materno? Crédito: Divulgação

Durante a amamentação, dúvidas sobre o que comer e, principalmente, o que evitar são comuns. Café faz mal ao bebê? É preciso beber mais água para produzir mais leite? Alguns alimentos devem ser cortados da dieta? E o que a mãe come é capaz de alterar a qualidade ou a quantidade do leite materno?

Segundo Letícia Paolino, professora de Nutrição do IBMR, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, não é necessário buscar uma alimentação “perfeita” para garantir o aleitamento.

“O organismo materno possui mecanismos biológicos altamente eficientes para garantir a produção de leite. Mas é importante destacar que a alimentação materna pode influenciar alguns componentes do leite materno e contribuir para a manutenção da saúde e do bem-estar da mulher durante a lactação”, explica.

A especialista ressalta que alguns nutrientes presentes no leite, como vitaminas e determinados minerais, podem variar de acordo com a ingestão alimentar da mãe. Já a quantidade produzida está ligada principalmente ao próprio processo de amamentação.

“A produção está muito mais relacionada à frequência e à eficácia da sucção do bebê do que aos alimentos consumidos pela mãe. Quanto mais o bebê mama e ocorre o esvaziamento adequado das mamas, maior tende a ser o estímulo para a produção de leite. Em casos de desnutrição materna grave, no entanto, a produção láctea pode ser comprometida”, afirma Letícia.

Dieta restritiva? Na maioria dos casos, não

Se não existem alimentos capazes de aumentar, por si só, a produção de leite, também não há necessidade de eliminar itens do cardápio sem uma indicação específica.

“De forma geral, a lactante não precisa seguir uma dieta restritiva. Uma alimentação variada e equilibrada é a melhor estratégia para a saúde da mãe e do bebê. A retirada de alimentos, como o leite, por exemplo, deve acontecer apenas quando existe indicação clínica e acompanhamento profissional”, orienta.

Durante a lactação, alguns nutrientes merecem atenção especial. Entre eles, a nutricionista destaca ômega-3, iodo, cálcio, zinco, proteínas, vitaminas D, vitaminas do complexo B e ferro. A alimentação pode incluir frutas, verduras, legumes, cereais integrais, fontes de proteína e peixes ricos em ômega-3.

Beber muita água aumenta a produção de leite?

A hidratação também costuma gerar dúvidas, especialmente pela crença de que beber mais água poderia aumentar a quantidade de leite produzida.

“A lactante deve manter uma boa hidratação, consumindo água ao longo do dia e respeitando sua sensação de sede, especialmente durante as mamadas. Beber grandes quantidades de água não aumenta a produção de leite, que depende principalmente da sucção frequente do bebê”, explica a professora.

E o cafezinho?

“O consumo moderado costuma ser seguro, mas excessos podem deixar o bebê mais irritado ou com alterações no sono. Bebidas energéticas e outros estimulantes, como mate, chá preto, guaraná e refrigerantes à base de cola, devem ser consumidos com cautela, pois podem conter doses elevadas de cafeína e outras substâncias que nem sempre apresentam segurança comprovada durante a lactação”, alerta Letícia.

A nutricionista reforça que uma alimentação variada, equilibrada e rica em nutrientes contribui para atender às necessidades nutricionais maternas e para um perfil adequado de nutrientes no leite. Já eventuais restrições alimentares ou suplementações devem ser avaliadas individualmente e acompanhadas por um profissional.

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