O aumento dos casos de sarampo em São Paulo voltou a acender o alerta das autoridades de saúde. Na última sexta-feira (7), o Governo do Estado confirmou que o número de infecções chegou a 23 em 2026 e informou o envio de novas doses da vacina para suprir a demanda em unidades de saúde após relatos de falta de imunizantes. O cenário reforça a necessidade de ampliar a cobertura vacinal e conscientizar a população sobre uma doença altamente contagiosa, mas que pode ser prevenida por meio da imunização.
Para o infectologista Dr. Evaldo Stanislau, coordenador do curso de Medicina da Universidade São Judas, cujo curso de Medicina integra a Inspirali, ecossistema responsável pela gestão de 15 escolas médicas em diferentes regiões do Brasil, o momento exige atenção, mas não é motivo para pânico.
"O sarampo continua sendo uma das doenças infecciosas mais transmissíveis que conhecemos. A confirmação desses casos mostra que ainda existem brechas na proteção coletiva da população. A boa notícia é que hoje contamos com uma vigilância epidemiológica estruturada e uma vacina altamente eficaz. Por isso, o mais importante é garantir que a caderneta de vacinação esteja em dia."
Segundo o especialista, embora o Brasil tenha recuperado o certificado de eliminação da circulação endêmica do vírus, a ocorrência de casos importados e de cadeias localizadas de transmissão demonstra que o risco de reintrodução permanece sempre que há queda na cobertura vacinal.
O sarampo é causado por um vírus transmitido pelo ar, principalmente por gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar. A capacidade de transmissão é tão elevada que uma única pessoa infectada pode contaminar a maioria das pessoas suscetíveis que compartilham o mesmo ambiente. Os primeiros sintomas costumam se confundir com outras infecções respiratórias e incluem febre alta, tosse, coriza, olhos avermelhados e mal-estar. Alguns dias depois, surgem manchas vermelhas na pele que normalmente começam no rosto e se espalham pelo restante do corpo.
Embora muitas pessoas se recuperem sem maiores complicações, o sarampo pode evoluir para quadros graves. "As complicações são mais frequentes entre crianças pequenas, especialmente menores de cinco anos, pessoas imunossuprimidas e pacientes com doenças crônicas. Em contextos de maior vulnerabilidade social, como situações de desnutrição, a doença tende a ser ainda mais grave. Já em adultos saudáveis e crianças bem assistidas, o risco de complicações costuma ser menor, mas isso não significa que ele deixe de existir."
Entre as possíveis complicações estão pneumonia, infecções de ouvido, encefalite e, em situações mais graves, até o óbito.
Vacinação continua sendo a principal proteção
De acordo com o infectologista, a melhor estratégia para evitar novos surtos continua sendo a vacinação. A vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e apresenta elevada eficácia quando o esquema vacinal é completado. "A vacinação não protege apenas quem recebe a dose. Ela reduz a circulação do vírus e ajuda a proteger pessoas que, por questões médicas, não podem ser imunizadas. Quando a cobertura vacinal diminui, aumentam as oportunidades para que o vírus volte a circular."
Stanislau também destaca que muitas pessoas desconhecem sua própria situação vacinal, principalmente os adultos. "Vale a pena separar alguns minutos para conferir a carteira de vacinação e verificar se todas as doses recomendadas foram recebidas. Esse é um cuidado simples, mas que faz toda a diferença para a proteção individual e coletiva."
A recomendação ganha ainda mais importância diante do atual cenário em São Paulo, onde o Ministério da Saúde ampliou temporariamente a estratégia de vacinação para pessoas de 6 meses a 59 anos em municípios com circulação do vírus, buscando interromper a transmissão e evitar novos casos.
O que fazer ao suspeitar de sarampo?
Caso surjam sintomas compatíveis com a doença, especialmente após contato com casos suspeitos ou confirmação de circulação do vírus na região, a orientação é procurar atendimento médico o quanto antes.
Além disso, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de transmissão:
- Evite frequentar locais com grande circulação de pessoas enquanto houver suspeita da doença.
- Utilize máscara ao buscar atendimento de saúde, principalmente se apresentar sintomas respiratórios.
- Informe ao serviço de saúde sobre o aparecimento das manchas na pele e a presença de febre.
- Não recorra à automedicação e siga as orientações médicas.
- Confira sua carteira de vacinação e a de crianças sob seus cuidados. Caso haja dúvidas, procure uma unidade de saúde para avaliação.
"A vacina sempre será nossa principal aliada. O calendário vacinal existe justamente para proteger a população antes que doenças como o sarampo encontrem espaço para voltar a circular. Manter a imunização em dia é uma responsabilidade individual que gera um benefício coletivo", conclui o especialista.

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