26 de junho é o Dia Nacional do Diabetes. Entre os sinais clássicos da doença está um conjunto conhecido na medicina como os “4 Ps” do diabetes: polidipsia (sede excessiva), polifagia (fome excessiva), poliúria (aumento da urina) e perda ponderal (redução não intencional de peso). “Os ‘4 Ps’ são mais frequentemente associados ao diabetes tipo 1, condição em que há deficiência absoluta de insulina e os sintomas tendem a surgir de forma rápida e intensa. No entanto, também podem estar presentes na diabetes tipo 2, especialmente em fases mais avançadas ou quando o controle glicêmico está muito inadequado. Nesse caso, o início costuma ser mais silencioso, o que aumenta o risco de diagnóstico tardio. Esses sinais funcionam como um verdadeiro ‘alarme metabólico’ do organismo. Reconhecer esses sintomas precocemente é essencial para evitar complicações. Muitas pessoas convivem com a diabetes sem diagnóstico, e o corpo costuma dar sinais claros quando os níveis de glicose no sangue estão desregulados”, explica a endocrinologista Dra. Deborah Beranger, endocrinologista com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ).
A médica explica que “3 Ps” aparecem na fisiopatologia do diabetes como um efeito dominó bioquímico. “A poliúria (urinar em excesso) ocorre, pois, quando a glicose no sangue está elevada, os rins tentam eliminar esse excesso pela urina. A glicose “puxa” água junto, aumentando o volume urinário. Como consequência da perda de líquidos, o organismo entra em estado de desidratação, estimulando uma sede intensa (polidipsia). E, por fim, apesar do excesso de glicose circulante, as células não conseguem utilizá-la adequadamente por falta ou resistência à insulina. É como se o corpo estivesse ‘faminto em meio à abundância’, o que configura a polifagia”, destaca a Dra. Deborah. “A perda de peso, que completa os “4 Ps”, ocorre porque o organismo passa a utilizar reservas de gordura e massa muscular como fonte alternativa de energia”, completa.
A médica explica que, quando os sintomas aparecem no diabetes tipo 2, os sinais podem ser sutis no começo. “Por isso, exames de rotina são fundamentais, principalmente para pessoas com fatores de risco, como excesso de peso, sedentarismo e histórico familiar”, alerta a especialista. O diabetes mellitus é marcado por um desequilíbrio no metabolismo da glicose, envolvendo dois mecanismos principais: deficiência de insulina e resistência à insulina. “A deficiência de insulina ocorre no caso da diabetes tipo 1, quando há destruição autoimune das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção do hormônio; na resistência à insulina, característica da diabetes tipo 2, o organismo até produz insulina, mas as células não respondem adequadamente a ela”, diferencia a Dra. Deborah.
O resultado, em ambos os casos, é a hiperglicemia crônica, que ao longo do tempo pode causar danos a vasos sanguíneos, nervos, rins e olhos. “Por isso, o controle da diabetes exige uma abordagem multifatorial, que combina tratamento farmacológico e mudanças consistentes no estilo de vida. Entre as principais estratégias estão: uso de medicamentos que podem incluir antidiabéticos orais e, em alguns casos, insulina; uso de análogos de GLP-1, que ajudam no emagrecimento de pacientes obesos e melhoram a sensibilidade à insulina; alimentação equilibrada com controle de carboidratos, priorizando alimentos in natura e ricos em fibras; atividade física regular para melhorar a sensibilidade à insulina; monitoramento da glicemia para avaliar a resposta ao tratamento; e acompanhamento médico contínuo, que é essencial para ajustes terapêuticos e prevenção de complicações”, diz a endocrinologista. “Hoje sabemos que o diabetes pode ser bem controlado quando o paciente participa ativamente do tratamento. Informação e diagnóstico precoce fazem toda a diferença”, reforça a médica. “Ignorar sintomas como sede excessiva, fome constante e aumento da frequência urinária pode atrasar o diagnóstico e favorecer o aparecimento de complicações mais graves. Se esses sinais fizerem parte da rotina, a orientação é procurar avaliação médica”, finaliza.

Comentários