Embora o controle da glicose seja a principal preocupação de quem convive com o diabetes, os maiores cuidados para a saúde a longo prazo começam no sistema circulatório. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a doença aumenta em até quatro vezes o risco de infartos e AVCs. Para conscientizar sobre essa relação e chamar a atenção para uma complicação pouco conhecida, o "infarto silencioso", a Kora Saúde com o cardiologista André Brandão, traz o tema em evidência neste Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho.
O alerta se torna ainda mais urgente diante do crescimento da doença no país. De acordo com os dados nacionais da pesquisa Vigitel, o número de adultos brasileiros com diabetes aumentou 135% entre 2006 e 2024, saltando de 5,5% para 12,9% da população. O mesmo levantamento apresenta um retrato sobre fatores de proteção e de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), aponta uma escalada em outras condições que sobrecarregam o coração: no mesmo período, a hipertensão cresceu 31%, o excesso de peso subiu 47% e a obesidade disparou 118%.
Dr. André Brandão, cardiologista da Kora Saúde, explica que o excesso crônico de glicose no sangue atua diretamente na estrutura dos vasos sanguíneos. “O açúcar elevado funciona como uma espécie de 'lixa' nas paredes internas das artérias. Esse processo inflamatório danifica o endotélio, facilitando o acúmulo de placas de gordura (aterosclerose) e a formação de coágulos que podem obstruir o fluxo sanguíneo”, revela o médico.
O perigo do "infarto silencioso"
Um dos pontos de maior atenção destacados pelo especialista da Kora Saúde é a mudança nos sintomas clínicos clássicos de problemas cardíacos em pacientes diabéticos. Devido à neuropatia diabética, complicação que afeta os nervos responsáveis pela sensibilidade à dor, o paciente pode sofrer uma isquemia miocárdica sem sentir a tradicional dor lancinante no peito.
“Muitas vezes, o infarto em quem tem diabetes se manifesta de forma atípica e silenciosa. Os únicos sinais de alerta podem ser um cansaço inexplicável, falta de ar súbita ou um suor frio. Essa ausência de dor atrasa a busca por socorro médico de emergência, o que aumenta consideravelmente a gravidade do quadro”, alerta o Dr. André Brandão.
Diante disso, o especialista reforça que a atenção deve ser redobrada sempre que esses sintomas surgirem de maneira repentina, sem uma causa aparente (como após um esforço físico comum ou mesmo em repouso). Nesses casos, em vez de esperar o mal-estar passar, o paciente deve procurar um serviço de pronto-atendimento cardiológico imediatamente para a realização de um eletrocardiograma.
Dicas do especialista: Como proteger o coração convivendo com o diabetes
Para evitar o comprometimento cardiovascular diante desses indicadores nacionais, o Dr. André Brandão lista cuidados fundamentais:
Atenção aos sinais "atípicos"
Na ausência da dor clássica no peito, o paciente deve ficar atento a sinais que parecem corriqueiros, mas acendem o alerta. Falta de ar sem motivo aparente, tonturas repentinas, náuseas persistentes ou uma fadiga extrema ao realizar pequenos esforços cotidianos, como subir um lance de escadas ou caminhar até a esquina não devem ser negligenciados. Ao notar esses sintomas de forma súbita, a recomendação é buscar atendimento médico imediato.
Controle de metas além da glicose
O cuidado com as artérias exige metas rigorosas que ultrapassam o monitoramento do açúcar. O paciente com diabetes precisa manter a pressão arterial controlada (idealmente abaixo de 130x80 mmHg) para evitar a sobrecarga dos vasos. Além disso, os níveis de colesterol ruim (LDL) devem ser mantidos rigidamente baixos, já que o diabetes facilita a aderência dessas gorduras nas paredes vasculares, acelerando entupimentos.
Qualidade do sono e estilo de vida
Dormir mal é um fator de risco biológico. A insônia crônica e noites com menos de seis horas de descanso elevam os níveis de cortisol e adrenalina no organismo, o que aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial. Buscar um sono reparador é indispensável para dar repouso ao coração, equilibrar o metabolismo e ajudar no controle glicêmico.
Cuidado com o tabagismo
Com a tendência de queda nas atividades físicas de deslocamento prático, o exercício moderado no tempo livre (como caminhadas, natação ou ciclismo por pelo menos 150 minutos na semana) ganha papel vital. O movimento muscular consome a glicose circulante de forma natural e melhora a elasticidade das artérias, funcionando como um protetor cardíaco direto.
Tratamento integrado e proteção cardíaco
“Não basta olhar apenas para a taxa de glicose. Diabéticos precisam ter o cardiologista como um aliado tão presente na rotina quanto o endocrinologista. O tratamento moderno protege o paciente de forma integral, através de uma visão sistêmica do corpo humano”, finaliza Brandão.

Comentários