Com a chegada das ondas de frio em diversas regiões do país, muitas pessoas relatam aumento nas dores articulares, rigidez muscular e desconfortos em regiões como joelhos, coluna, ombros e mãos. Embora isso seja frequentemente tratado como uma sensação popular, especialistas explicam que as baixas temperaturas realmente podem influenciar o organismo e intensificar sintomas já existentes.
Pessoas com artrose, lesões antigas, inflamações articulares e doenças crônicas costumam perceber esses efeitos com mais intensidade, principalmente durante períodos de frio intenso e mudanças bruscas de temperatura.
De acordo com o ortopedista especialista em células tronco, Dr. Luiz Felipe Carvalho, o frio provoca alterações fisiológicas que impactam diretamente músculos e articulações.
“O tempo tem um enorme impacto na intensidade das dores. Em temperaturas mais baixas, ocorre uma maior contração muscular e redução da circulação periférica, o que pode aumentar a rigidez e a sensação dolorosa”, explica.
Por que o frio aumenta dores articulares?
As baixas temperaturas fazem o corpo naturalmente preservar calor, reduzindo a circulação sanguínea em algumas regiões. Isso pode gerar mais tensão muscular e menor lubrificação das articulações. Além disso, durante o frio, muitas pessoas diminuem a prática de atividades físicas e passam mais tempo em repouso, o que contribui para piora da mobilidade.
“O sedentarismo temporário durante períodos frios também influencia muito. Quanto menos movimento existe, maior tende a ser a rigidez articular”, destaca o Dr. Luiz Felipe Carvalho.
Outro fator muito importante é a sensibilidade de áreas previamente lesionadas. Pacientes que sofreram traumas, cirurgias ou desgastes articulares costumam apresentar maior percepção da dor em mudanças climáticas.
Quais regiões do corpo costumam ser mais afetadas?
Joelhos, quadril, coluna cervical, lombar e ombros estão entre as regiões mais sensíveis ao frio. Isso acontece porque essas áreas sofrem grande carga mecânica no dia a dia. Pessoas com artrose também tendem a apresentar piora dos sintomas durante o inverno, especialmente ao acordar ou permanecer muito tempo na mesma posição.
“É muito comum observar aumento da rigidez matinal e dificuldade maior nos primeiros movimentos do dia em períodos frios”, afirma.
Movimento continua sendo fundamental
Apesar do desconforto, especialistas reforçam que manter o corpo ativo continua sendo um dos pilares mais importantes para proteger as articulações.
Alongamentos, caminhadas leves, fortalecimento muscular e exercícios supervisionados ajudam a melhorar circulação, reduzir rigidez e preservar a mobilidade.
“Muitas pessoas evitam se movimentar porque sentem dor, mas a falta de movimento pode agravar ainda mais o quadro. O ideal é manter atividades adaptadas à realidade de cada paciente”, explica Dr. Luiz Felipe Carvalho, Diretor do Departamento de Tratamento com Uso de Células Tronco do CPAH - Centro de Pesquisa e Análise Heráclito.
Além da atividade física, manter o corpo aquecido, ter atenção à postura e evitar longos períodos na mesma posição também ajudam a reduzir o desconforto.
Quando procurar avaliação médica?
Apesar do aumento das dores durante o frio ser relativamente comum, dores persistentes, limitações importantes de movimento ou inchaços articulares devem ser investigados.
“Quando a dor começa a limitar atividades do dia a dia ou se torna frequente demais, é importante buscar avaliação especializada para identificar a causa corretamente”, finaliza Dr. Luiz Felipe Carvalho.

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