SAÚDE DA MULHER E DA GESTANTE

Agosto Dourado: mitos e verdades sobre amamentação

Especialistas alertam: mais do que instinto, amamentar exige apoio, técnica e informação de qualidade. No mês dedicado à amamentação, pediatra e fisioterapeuta especialista em aleitamento humano desmistificam crenças comuns e fortalecem a rede de apoio às mães

Agosto Dourado: mitos e verdades sobre amamentação Crédito: Banco de imagens

Amamentar é natural, mas nem sempre é fácil e definitivamente não é instintivo para todas. Por isso, o Agosto Dourado, mês dedicado à promoção do aleitamento materno, é uma oportunidade essencial para reforçar o papel da informação e da rede de apoio no sucesso da amamentação.

Com o tema de 2025 definido pela WABA (World Alliance for Breastfeeding Action) como “Priorizemos a Amamentação: criemos sistemas de apoio sustentáveis”, o mês convida profissionais de saúde, familiares e sociedade a se unirem em prol das mães lactantes.

A Prof.ª Dra. Elisabeth Fernandes Pediatra da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e a Dra. Alessandra Paula Fisioterapeuta especialista em aleitamento humano, desmistificam os principais mitos e verdades que ainda cercam a amamentação e que podem impactar negativamente a confiança e o sucesso dessa prática tão importante para a saúde do bebê e da mulher.

1. Meu leite é fraco

MITO

Segundo a Dra. Elisabeth Fernandes, não existe leite fraco: “O leite materno é um alimento vivo, completo e adaptável às necessidades do bebê. Se ele está ganhando peso e crescendo bem, está tudo certo.”
A fisioterapeuta Dra. Alessandra Paula reforça: “Essa crença abala a confiança da mãe. O que pode existir é uma percepção errada por não conseguirmos medir o leite ingerido no peito, como na mamadeira.” 

2. Peito pequeno não produz leite suficiente

MITO
A produção de leite depende da estimulação pela sucção, não do tamanho das mamas. Quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido.

3. Bebês precisam de água ou chá nos dias quentes

MITO
O leite materno já é composto por 87% de água. Até os 6 meses de vida, ele supre todas as necessidades do bebê, inclusive de hidratação.

4. Amamentar em livre demanda aumenta a produção de leite

VERDADE
A lógica é simples: oferta e demanda. Quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido. Por isso, livre demanda é essencial para manter a produção.

5. Se o bebê mama muito, é porque o leite não sustenta

MITO
Recém-nascidos têm estômagos pequenos e mamam com frequência. Isso é natural e saudável. Além disso, o choro pode indicar outras necessidades, como sono ou colo, não necessariamente fome.

6. Quem usa mamadeira desmama mais cedo

VERDADE
O uso precoce de mamadeira pode causar confusão de bicos, dificultando a pega correta no peito e levando ao desmame precoce. Em caso de necessidade, métodos como copinho, seringa ou colher são mais indicados.

7. Mãe que toma medicamentos deve parar de amamentar

DEPENDE
Alguns medicamentos são seguros, outros não. A recomendação é sempre consultar um profissional e usar bancos de dados como o E-Lactancia para avaliar o risco.

8. O estresse pode afetar a produção de leite

VERDADE
A Dra. Alessandra Paula destaca: “Estresse, cansaço, pega incorreta e falta de apoio estão entre as principais causas da baixa produção.” A boa notícia? Com suporte adequado, é possível reverter esses quadros.

9. Amamentação mista não vale a pena

MITO
Segundo a fisioterapeuta, “toda gota conta”. Mesmo com complemento, o leite materno continua oferecendo proteção e vínculo. Maternidade não é tudo ou nada é sobre equilíbrio e possibilidades reais.

10. Amamentar protege contra doenças

VERDADE
“O leite materno fortalece o sistema imune do bebê e reduz o risco de infecções, obesidade, alergias e até doenças crônicas. Para a mãe, reduz o risco de câncer de mama e ovário”. Reforça Dra. Elisabeth.

Amamentar é um ato de amor, mas também de persistência e, muitas vezes, superação. Não basta romantizar: é preciso criar sistemas de apoio reais, acolhedores e baseados em evidências. Neste Agosto Dourado, que possamos reforçar essa rede e garantir que cada mãe tenha a chance de viver uma experiência mais segura e possível com o aleitamento.

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