SAÚDE

Lesão por esforço repetitivo em autônomos e estudantes preocupa terapeutas

LER é considerada doença ocupacional em alguns casos, mas normativa deixa de fora aqueles que não têm vínculo trabalhista

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Crédito: BANCO DE IMAGENS

Formigamento, sensação de choques, calor, perda da sensibilidade e dor. Esses são alguns sinais das lesões por esforço repetitivo, a chamada LER (Lesão por Esforço Repetitivo), síndrome que inclui um grupo de doenças que provocam dor nos membros superiores, dificuldade para movimentá-los e fadiga muscular.

Os mesmos sintomas caracterizam os DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), e ambos reúnem doenças como tendinite, tenossinovite, bursite, epicondilite, síndrome do túnel do carpo, dedo em gatilho, entre outras. De acordo com estudo do Ministério da Saúde, realizado em 2018, os casos de LER e DORT aumentaram 184% em dez anos no Brasil. 1

A LER e o DORT são lesões ou distúrbios relacionados à atividade da pessoa e, em alguns casos, podem ser caracterizados como uma doença ocupacional. Mas também acometem, e muito, profissionais autônomos, donas de casa, atletas e até estudantes. Muitas vezes só são percebidos ou diagnosticados quando já ocorreu um comprometimento da área afetada, geralmente as mãos, ombros e a coluna.

No Brasil, existem várias recomendações para evitar que o colaborador adoeça, como oferecer ginástica laboral e intervalos. A digitação intensa em teclados é uma das causas mais comuns das lesões e/ou dos distúrbios, mas outros movimentos repetitivos como digitação ao celular, trabalhos manuais e esforços realizados por autônomos como dentistas, manicures, cabeleireiros e maquiadores chamam a atenção dos profissionais da saúde, principalmente porque esses pacientes não são respaldados pelas normativas que asseguram os intervalos.  

 

“Essas pessoas fazem por muito tempo um esforço desnecessário que acabam fazendo lesões graves. Eles não têm apoio financeiro e jurídico nesta questão, e isso fica como um alerta”, afirma a terapeuta ocupacional Syomara Cristina Szmidziuk. “A recomendação é que façam intervalos de 10 minutos entre as atividades, realizem alongamento, inclusive das mãos, e organizem sempre a rotina de parada dos movimentos”, completa.

É o caso do dentista João Guilherme Andrade, que há cinco anos percebeu os sinais da epicondilite lateral, principal causa de dor na região do cotovelo. Com 29 anos de profissão, os esforços realizados de maneira repetida durante os atendimentos aos pacientes provocaram dor e limitação de movimentos. O alívio chegou com a terapia ocupacional e com o cumprimento rigoroso das orientações repassadas pela terapeuta. “Eu posso afirmar que, depois de pouco mais de um ano de acompanhamento, conseguimos eliminar 95% dos incômodos”, conta. A epicondilite lateral caracteriza-se por dor na região do epicôndilo lateral (face lateral do cotovelo), onde se localizam 6 tendões. “Voltei até a tocar guitarra”, comemora.

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