As dores nas costas, o sedentarismo e a ansiedade tornaram-se realidade para um número crescente da população com o advento da pandemia. Os dias estão cada vez mais corridos, estressantes e cheios de preocupações. Tudo isso, somado ao home office sem a ergonomia correta tem levado pessoas a buscarem, de alguma forma, diminuir os prejuízos acarretados nos últimos meses.
Uma das atividades mais procuradas, por cuidar tanto da saúde mental, quanto do corpo, é a prática da yoga.
Segundo a professora de yoga, Thamires Matos, a atividade desenvolve capacidades físicas como flexibilidade, equilíbrio, força e resistência muscular, mas além disso, traz benefícios a nível mental, reduzindo ansiedade, estresse e depressão.
“Como auxilia na redução de ansiedade, ajuda também no emagrecimento, reduzindo compulsão alimentar e, de acordo com a intensidade da aula, promove um maior gasto calórico. A prática ajuda a conectar mais com o momento presente, traz mais conexão com seu interior e acalma a mente das agitações do dia a dia, além de ajudar a desenvolver mais equilíbrio emocional”.
Foi o caso da relações públicas, Priscila Resende, de 39 anos. Ela conta que começou a praticar a modalidade há seis meses, incentivada pela família. “Eles queriam, de alguma forma, fazer com que eu iniciasse alguma atividade física. Diferente do que muita gente pensa, o yoga não funciona apenas como técnica de relaxamento, alongamento e respiração. Com ela, através de várias posições, consigo trabalhar e fortalecer minha musculatura. Desde então, tento levar aquilo que pratico durante as aulas para o meu cotidiano e a mudança foi muito grande, tanto em termos de uma mente mais relaxada, como hábitos de vida mais saudáveis.”
O médico ortopedista especializado em coluna vertebral, Daniel Oliveira, ressalta que, além dos benefícios citados pela professora de yoga, a prática também é uma excelente aliada para pessoas com problemas na coluna e dores na região lombar.
Ele explica que a atividade trabalha diretamente a coluna, sendo terapêutica, promovendo fortalecimento, consistência e consciência corporal e possibilitando uma melhora da postura no decorrer do dia.
“É claro que qualquer incômodo na coluna deve ser, primeiramente, analisado por um médico ortopedista especializado. É ele quem vai dizer o que está acontecendo e quais os passos para uma melhora. Em alguns casos, como por exemplo, a hérnia de disco, nas fases de dor aguda, o recomendado é que o paciente suspenda temporariamente as atividades físicas. Porém, com a dor e a lesão controlada, a yoga pode ser uma excelente ferramenta de reabilitação, evitando, inclusive, novas crises.”
Os exercícios, conforme explica o médico ortopedista, se feitos regularmente, aliviam dores nas costas e na coluna, já que fortalecem os músculos profundos das costas, que suportam a coluna vertebral, conhecido como core, além de alongar e relaxar seus músculos.
“É fundamental que os movimentos do yoga sejam realizados com a ajuda de um professor qualificado, garantindo, assim, sua perfeita execução e os benefícios para a saúde do corpo".
Para aqueles que desejam começar a praticar o yoga, mas não sabem se estão aptos, Thamires ressalta que para todas as pessoas, de qualquer perfil físico ou idade, não tem contraindicação. A professora afirma, inclusive, que a atividade pode ser realizada todos os dias da semana.
“Uma sugestão é alternar práticas com mais e menos intensidade durante os dias. O tempo de prática vai depender do objetivo do aluno, lembrando que, se for uma prática com meditação, exercícios de respiração, posturas do yoga e relaxamento, varia de 45 minutos a 1h30. Porém, se for alternar com aulas de menor intensidade ou com objetivos específicos (fazer somente a meditação com exercícios de respiração, ou só um relaxamento, ou todas as partes da aula com um tempo reduzido) pode variar de 5 a 45 minutos.”
Para quem já tem problemas na coluna ou sofre de dor nas costas, Thamires dá dicas de posições que ajudam a fortalecer sua musculatura, como a postura da cobra (Bhujangasana), a respiração do gato e da vaca, postura da criança (Balasana) e postura do gafanhoto (Salabhasana).
Vale lembrar que é fundamental respeitar os limites do próprio corpo, experimentar a prática, sem medo, sem rótulos ou expectativas e manter constância nos treinos.

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