SAÚDE

Artigo: A importância de seguir as etapas da recuperação após a Bariátrica

A dieta passa por fases e a adesão do paciente a essas fases é fundamental para que ocorra a sua perfeita adaptação ao novo estômago

Artigo: A importância de seguir as etapas da recuperação após a Bariátrica A importância de seguir as etapas da recuperação após a Bariátrica
Crédito: BANCO DE IMAGENS

*Por Dr. Felipe Borges - Médico Cirurgião do Aparelho Digestivo e Cirurgia Bariátrica

 

O bypass gástrico é hoje o procedimento bariátrico mais realizado. Apesar disso, complicações podem ocorrer. Provavelmente, todos os cirurgiões bariátricos conhecem essas complicações. As complicações do bypass gástrico podem ser divididas em dois grupos: as precoces e as tardias, tendo em conta o período de duas semanas após a operação.

Para auxiliar na diminuição das complicações cirúrgicas, os cuidados alimentares do pós-operatório são muito importantes, lembrando que deve ser acompanhado por um profissional especializado (nutricionista ou nutrólogo) para ajuste individualizado para cada paciente:

 

A dieta evolui gradativamente, passa por fases, e a adesão do paciente a essas fases é fundamental para que ocorra a sua perfeita adaptação ao novo estômago, evitando, assim, as complicações.

 

Fase I – Dieta Líquida coada - Do 1° ao 7° dia após a alta hospitalar. Características: Dieta líquida coada, sem açúcar, pobre em gordura. Fracionamento: 20 ml (o equivalente a 1/2 xícara de café) a cada 5 a 10 minutos. Fazer de 7 a 8 refeições /dia (150 ml/refeição).

 

Fase II – Dieta Líquida completa (Batida) - Do 8° ao 15° dia após a alta hospitalar. Características: preparações liquidificadas (preparações batidas homogêneas) sem açúcar de adição e pobre em gordura. Ingerir líquidos até atingir 2 litros no dia. Fracionamento: 7- 8 refeições/dia (150ml por refeição), 20 ml a cada 5 a 10 minutos.

 

Fase III – Dieta Branda (alimentos bem cozidos, consistência macia) - Do 16° ao 30° após a alta hospitalar. Características: alimentos bem cozidos e amassados sob a forma de papa. Ingerir líquidos até atingir 2 litros no dia. Fracionamento: 7 a 8 refeições ao dia, pequenos volumes.

 

Fase IV – Dieta Geral - A Partir do 1° mês da alta hospitalar. Características: introdução de alimentos sólidos abrandados pelo cozimento (macios – bem cozidos), pobres em gordura e sem açúcar. Fracionamento: 6 a 7 pequenas refeições ao dia.

 

Mesmo seguindo todas as orientações, complicações podem ocorrer, entre as complicações mais comuns está a estenose das anastomoses, e os dois potenciais locais de estenoses são: a jejunojejunostomia e a gastrojejunostomia, sendo esta última o lugar mais comum de ocorrência. É relatado ocorrerem em 5-27% dos casos, geralmente no prazo de 90 dias após a operação. Os sintomas geralmente consistem em vômitos pós-prandiais persistentes ou agravados, com ou sem dor. A causa da formação da estenose não está completamente clara. Os possíveis mecanismos incluem isquemia, causando cicatrizes, formação de cicatriz excessiva não isquêmica, ulceração marginal recorrente, tensão ou mau posicionamento da anastomose, e a própria técnica cirúrgica. É por esta razão que a cirurgia robótica desempenha um papel fundamental através da via minimamente invasiva, diminuindo drasticamente esse tipo de complicação.

Se complicações ocorrerem, a endoscopia é o método de diagnóstico preferido e tem a vantagem adicional de ser terapêutico. Vários estudos têm mostrado que a dilatação com balão endoscópico é o primeiro passo para o tratamento. Os resultados mostraram que 17-67% dos casos respondem à primeira dilatação, ao passo que em 3-8% de casos foram necessárias três ou mais dilatações. Cicatrização tardia e fibrose da anastomose seriam fatores proibitivos e colocariam o paciente em risco aumentado de perfuração durante a dilatação.

 

Fonte: Dr. Felipe Borges - Médico Cirurgião do Aparelho Digestivo e Cirurgia Bariátrica, da clinica Gastrofig

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