*Por Rodrigo de Almeida Ramos - Psiquiatra, doutorando e mestre em medicina
Existem doenças psiquiátricas que relacionam problemas de um funcionamento inadequado da mente com a forma como a pessoa se relaciona com os alimentos. Entre elas se destacam a anorexia e bulimia nervosa e o transtorno da compulsão alimentar periódica.
Porém, sabemos agora que essas condições têm uma prevalência quatro vezes maior do que se imaginava. Um artigo publicado na revista científica Lancet verificou que a última estimativa dos números dessas doenças, realizado em 2019, foi subestimado em cerca de 42 milhões de casos.
A anorexia nervosa configura-se como uma doença na qual a pessoa tem uma restrição alimentar tamanha que, além de ter um medo desproporcional de ganhar peso ou ficar obeso, apresenta um peso significativamente baixo, abaixo dos limites considerados normais pelos padrões da Organização Mundial de Saúde. Essa situação pode refletir em sérios impactos à saúde física. Além disso, a anorexia pode vir acompanhada do que chamamos de comportamento purgativo, em que a pessoa provoca vômitos, usa laxantes ou diuréticos para conseguir perder peso.
A bulimia nervosa se parece com a anorexia na preocupação com o peso, mas ela pode estar acompanhada de um comportamento de compulsão alimentar em que a pessoa ingere descontroladamente uma quantidade de comidas notadamente maior que as outras pessoas. No entanto, ela se volta para uma compensação inadequada a fim de que o que ingeriu não se transforme em ganho de peso. Elas também induzem o vômito, usam laxantes e diuréticos, além de jejum e exercícios físicos excessivos. Mas, neste caso, seu peso está de acordo com o que é preconizado pela OMS. E isto é um importante diferenciador entre as duas doenças.
O transtorno da compulsão alimentar é parecido com o que ocorre com a bulimia, mas sem o comportamento de reparação. Assim, pessoas com esse problema costumam ter comorbidades com obesidade.
Eis um problema que está bastante presente na nossa sociedade, mas ainda muito disfarçado. E que acomete principalmente adolescentes ou adultos jovens.
Fonte: Rodrigo de Almeida Ramos - Psiquiatra, doutorando e mestre em medicina pela Santa Casa de São Paulo. Diretor do Núcleo Paulista de Especialidades Médicas.

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