SAÚDE

Saúde mental na pandemia preocupa psicólogos

Psicólogo alerta sobre a necessidade de atenção com os transtornos emocionais durante período sensível que o mundo está vivendo 

Saúde mental na pandemia preocupa psicólogos O primeiro passo para cuidar do bem-estar físico durante a pandemia passa pela criação de uma rotina
Crédito: Chinnapong/Shutterstock

Neste ano, o contexto mundial da pandemia tem agravado ainda mais a situação da saúde mental de pessoas em todo o planeta, podendo inclusive colocá-las em risco por conta do descuido com a própria saúde, seja ela física ou mental.

 

O psicólogo Ronaldo Coelho, da capital paulista, lembra que, em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou relatório com alerta sobre a crise global da saúde mental em todo o mundo. “Desde o início já dizíamos que era preciso investir mais no assunto porque o isolamento, o medo, a incerteza quanto ao futuro e até a economia causam grande sofrimento psicológico”.

 

O ano de 2020 é marcado pelo luto, seja pelas perdas de sonhos não realizados, planos paralisados ou abandonados e até mesmo por conta de perdas de pessoas queridas, familiares, emprego, renda etc.

 

“A pandemia veio como um grande chacoalhão na vida de muitas pessoas. Todos tiveram que repensar a vida e a sobrecarga emocional que isso implica é enorme, gerando impactos físicos, como o cansaço extremo que nunca passa”, descreve o psicólogo.

 

O primeiro passo para cuidar do bem-estar físico durante a pandemia, segundo o psicólogo, passa pela criação de uma rotina. “Temos que organizar o dia e, dessa forma, nos preparamos psicologicamente para o que vai acontecer. Sem esse tipo de planejamento, ficamos angustiados e psiquicamente desorganizados, o que que pode desencadear uma desorganização do sistema imunológico ou queda da imunidade. Corpo e mente estão muito conectados”, reforça.

 

Outro ponto levantado por Ronaldo é que, gradativamente, estamos começando a retomar as atividades e adotando protocolos de segurança para reinventar o autocuidado. “Tem gente que está paranóica com a possibilidade de ter de sair de casa. Isso tem até nome: Síndrome da Cabana. Neste caso não estamos falando de algo necessariamente ruim, porque essa paranóia decorre de um instinto de sobrevivência, mas é preciso cuidar para que a pessoa não fique paralisada em seu sofrimento. A vida continua acontecendo, ela não estaciona para que a pandemia possa passar”, conclui.

 

Fonte: Ronaldo Coelho - É idealizador e professor do curso Análise do Discurso na Clínica Psicanalítica, que tem por objetivo formar psicólogos e psicanalistas para realizarem uma análise consistente de seus pacientes desde a primeira sessão. Atua como psicanalista em seu consultório particular e mantém o canal Conversa Psi no YouTube. Graduado em Psicologia (USP) e Mestre em Psicologia Institucional (USP). Foi professor de Psicologia Médica do curso de graduação de Medicina (UNIFESP) e preceptor da Residência Multiprofissional em Saúde (UNIFESP). Trabalhou em hospitais como Hospital São Paulo e Hospital Universitário da USP, onde, além da assistência aos pacientes e familiares, realizava supervisão clínica de atendimentos psicológicos desenvolvidos por estudantes e psicólogos, orientação de pesquisas e aulas em Psicologia Hospitalar.  

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