A transformação digital na área de saúde já aconteceu. Alguns especialistas falam que estamos na era pós-digital, inclusive. Mas, de certa forma, a pandemia do novo coronavírus acelerou as inovações tecnológicas na saúde. Para a enfermeira Daennye Bezerra, coordenadora do MBA em Gestão da Informática em Saúde, da Faculdade IDE, e associada da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), a pandemia ocasionou uma mudança do mindset das empresas e instituições de saúde.
“O lado bom e que veio para ficar foi o surgimento de aplicativo para o engajamento do paciente com sua saúde, ajudando no monitoramento e controle de sinais e sintomas de doenças, principalmente da covid-19”, diz a enfermeira. E a doutora em ciência da saúde Maria Goretti Fernandes, professora convidada do núcleo de pós-graduação em saúde da Faculdade IDE, completa sobre as principais transformações na área: o atendimento remoto (telemedicina), desenvolvimento de novos aplicativos, jogos e softwares, além de avanço nas plataformas dos cursos à distância na área de educação em saúde.
Sobre o teleatendimento em saúde, sempre foi um assunto polêmico, tanto em consultas médicas como aulas online de educação física, por exemplo. Mas, com a quarentena, o atendimento remoto acabou sendo grande aliado para muitas consultas continuarem acontecendo. O Conselho Federal de Medicina, no início do isolamento social, informou que a teleconsulta só ia ser permitida até o fim da pandemia. Agora, a exemplo do Recife, os consultórios já estão liberados para o atendimento presencial. Mas será que essa consulta virtual veio para ficar?
Para a doutora em ciência da saúde Maria Goretti Fernandes, o teleatendimento veio para ficar sim, e possui mais benefícios do que prejuízos. “Porém, um dos pontos negativos é a perda da proximidade com o profissional da saúde, deve haver uma maior compreensão por parte dos profissionais da saúde para manter o vínculo com o paciente, bem como uma melhor percepção dos problemas relatados no teleatendimento”. Já no lado positivo, a telemedicina poderá evitar longas filas em postos de atendimento e os enfrentamentos das burocracias promovidas pelos planos de saúde. Isso porque as plataformas de teleatendimento possibilitam conectar com o médico que estiver disponível.
“Haverá uma desconstrução da necessidade de clínica física ou hospital para procedimentos mais simples. Teremos ao alcance da população os maiores especialistas de todo o mundo, não havendo necessidade dos grandes gastos que teríamos com deslocamentos ou hospedagens para consultas em outros estados ou países, por exemplo”. Em alguns países, no atendimento à distância, o paciente recebe uma espécie de kit, onde fica fácil ele medir a temperatura, ver a frequência cardíaca etc, com o intuito de facilitar o diagnóstico do médico, que está do outro lado da tela. Há um consenso entre os profissionais de saúde que o exame clínico, o toque, é essencial para avaliar o paciente.
Contudo, tecnologias assim ajudam muito aquele paciente que não pode se deslocar de cidade para ter atendimento, por exemplo. A professora convidada do núcleo de pós-graduação em saúde da Faculdade IDE Maria Goretti Fernandes acredita que inovações para possibilitar o atendimento à distância vão continuar surgindo pós-pandemia e serão ainda mais aceleradas. “Basta entrar no site do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) do Brasil e acompanhar o observatório de tecnologias relacionadas à Covid 19, onde diversos aplicativos estão sendo registrados e farão parte integrante de nossas vidas, muito mais do que já fazem atualmente”, observa.
Novos aplicativos para auxiliar no diagnóstico e tratamento
Um exemplo é o registro do aplicativo conhecido como TeleCOVID, que vem a ser uma plataforma de triagem, monitoramento, telemedicina e gestão dos usuários com sintomas de Covid-19. Surgimento de aplicativos na área de saúde também é outra tendência. A doutora em ciência da saúde destaca outro já registrado no INPI agora na pandemia: o SARCVIDA, que realizará a avaliação da qualidade de vida e risco de sarcopenia nas pessoas.
“Temos também o SIMON, um sistema de gestão de leitos e salas cirúrgicas. Esse sistema faz monitoramento de mapa de leitos e monitoramento de salas cirúrgicas Outro exemplo é o PREDICT COVID, que se trata de um software de predição sobre Covid-19, realizado através de análise de imagens de raio-x pulmonar por deep learning”, destaca a professora Maria Goretti Fernandes.
Outro ganho nessa transformação: aplicativos e sensores inteligentes que, principalmente em outros países, estão utilizando para o monitoramento do paciente à distância. “Sistemas com automatização de processos para agilizar o atendimento com o paciente entraram no dia a dia dos profissionais, auxiliando e direcionando o tratamento do paciente de forma rápida e segura, além de sistemas de indicadores de forma preditiva que acompanham todas as etapas do paciente e dos recursos do hospital, verificando com preditividade possíveis áreas de colapso na instituição ou possíveis tratamentos mais eficazes para o paciente”, lembra a coordenadora do MBA em Gestão da Informática na Saúde.
“É importante ressaltar que o teleatendimento e o uso de outras tecnologias precisam ser feitos por profissionais capacitados, sendo necessário treinamento adequado para saber utilizar a tecnologia a seu favor, bem como os pacientes serem capacitados, orientados e terem os subsídios necessários para serem examinados à distância pelos profissionais”, explica a coordenadora do MBA em Gestão da Informática em Saúde, Daennye Bezerra. Ela completa lembrando que esses avanços tecnológicos para a saúde, vieram para auxiliar cada vez mais os profissionais e melhorar a segurança nas três vertentes: paciente, instituição e profissional.
“São tecnologias que apoiam a decisão clínica. Isso foi visto, de fato, durante a pandemia, pois antes enxergavam como substitutos dos profissionais de saúde. Porém, nenhuma tecnologia substitui o profissional, ela oferece subsídios para apoiá-lo no melhor tratamento adequado, sendo a decisão final do profissional”, afirma a especialista em informática na saúde.

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