Desde seu início, a pandemia de coronavírus fechou comércios e clínicas, obrigando muitas pessoas a adiarem inclusive tratamentos de saúde. Os dentistas não podem mais prestar uma série de cuidados, como check-ups regulares e clareamento dos dentes. Tudo isso para minimizar a propagação da Covid-19. No entanto, se você tiver uma urgência e sentir muita dor, seu dentista poderá tratá-lo. Para evitar o surgimento de doenças que necessitam de tratamento odontológico e, dessa forma, exigirão que você saia de casa e acabe se expondo ao vírus, o Dr. Hugo Lewgoy, cirurgião-dentista e doutor em Odontologia pela USP, recomenda que nesse período de reclusão, você invista ainda mais em uma rotina de cuidados orais. “Além de auxiliar na prevenção de doenças como cáries e gengivite, os cuidados com a saúde oral também ajudam a manter a boca livre de patógenos infecciosos, visto que a saliva, apesar de proporcionar diversos benefícios para a saúde bucal, também abriga milhões de microrganismos, sendo assim um meio de transmissão de vírus e bactérias”, afirma. “Alguns trabalhos de pesquisa publicados têm demonstrado que as células da cavidade oral (especialmente as células da língua) são possíveis rotas de entrada da Covid-19, ou seja, a nossa boca pode ser um reservatório importante do vírus. Então lembrem que precaução/prevenção nunca é demais. Logicamente o distanciamento social, o uso de máscaras e lavar sempre muito bem as mãos são os pontos principais, mas a higiene oral não deve ser esquecida”, comenta Dr. Hugo.
Quando os dentistas trabalham nos dentes, eles podem produzir aerossóis - gotículas ou sprays de saliva ou sangue no ar. Isso acontece rotineiramente quando o dentista usa um instrumento rotatório, por exemplo. E os cirurgiões-dentistas estão acostumados a seguir rigorosas precauções de controle de infecção em circunstâncias normais para reduzir o risco de transmissão de doenças infecciosas, sejam elas doenças respiratórias ou transmitidas pelo sangue. “Essas precauções ajudam a manter pacientes e dentistas em segurança, pois pressupõem que todos os pacientes possam ter uma infecção, apesar de a maioria não ter”, diz o especialista. Porém, com a pandemia de coronavírus, há um risco aumentado de aerossóis transportando o vírus, infectando diretamente a equipe odontológica ou aterrissando em superfícies que a equipe ou o próximo paciente possa tocar, por isso, ir ao dentista deve ser evitado nesse momento, a não ser em casos de urgência.
Dessa forma, o atendimento odontológico não essencial agora é adiado. “Isso inclui exames de rotina, tratamentos estéticos e quando não há dor. Portanto, tratamentos como clareamento terão que esperar”, diz o Dr. Hugo. Outras condições ou tratamentos que precisarão ser adiados incluem: exodontias não urgentes (extrações dentárias), dentes fraturados (quebrados ou lascados) , tratamento de halitose (mau hálito), próteses soltas (desde que não haja um risco de asfixia), tratamentos com próteses totais e parciais (dentaduras e pontes móveis), tratamentos com implantes dentários e ortodontia.
O que é permitido? Alguns pacientes precisarão de atendimento urgente para problemas agudos que exijam tratamentos que produzam aerossóis. Os tratamentos permitidos são limitados a: extrações dentárias ou tratamento do canal radicular quando alguém está com dor aguda causada por inflamação ou necrose da chamada polpa dental (nervo no dente); dentes significativamente danificados por trauma, por exemplo, em um acidente (este é um caso em que uma prótese provisória pode ser instalada); tratamentos periodontais mais severos (gengivas ulceradas); prestar assistência aos pacientes com condições médicas complexas e se não tratar pode levar à piora de sua saúde geral; e pacientes encaminhados por um médico para o atendimento necessário.
Muitas práticas odontológicas são abertas apenas para gerenciar problemas dentários que causam dor, que são urgências. “Portanto, consulte o seu cirurgião-dentista de confiança por telefone, e-mail ou faça uma “consulta virtual” através de algum aplicativo, para ver quais serviços ele pode oferecer. E esteja preparado para que os tratamentos previamente combinados sejam adiados”, diz o cirurgião-dentista. Se você precisar de atendimento odontológico urgente e achar que pode ter a Covid-19, é importante conversar com o cirurgião-dentista para discutir sua situação específica. “Mas se você realmente tiver uma emergência odontológica e tiver sido diagnosticado com Covid-19, você será encaminhado para um hospital com instalações apropriadas”, finaliza o Dr. Hugo.
O que posso fazer enquanto isso?
Não se sabe ao certo por quanto tempo a Covid-19 estará conosco. Portanto, é importante cuidar da sua saúde bucal, mantendo uma dieta saudável e uma rotina de higiene oral rigorosa.
Então, é fundamental que, para prevenir o surgimento de doenças e manter a saúde oral em dia, você lembre-se de escovar os dentes duas vezes ao dia de uma forma minuciosa. Para isso, aposte em uma escova com cerdas ultramacias, já que cerdas duras podem machucar as gengivas, desgastar o esmalte dos dentes, provocar retração gengival e, consequentemente, sensibilidade. “Além disso, uma grande quantidade de cerdas também é recomendada, pois, quanto maior a quantidade de cerdas, maior é a eficácia da escovação e menor é o acúmulo de biofilme oral (placa bacteriana) sobre os dentes”, alerta o especialista.
Além da escovação, utilize diariamente um fio dental. Para complementar esse passo, visto que o fio dental sozinho não é capaz de higienizar com eficácia toda a região que fica entre os dentes, vale a pena investir também em uma escova interdental. “Esta escova especial é responsável pela desorganização dessa “placa” que se acumula na região entre os dentes, possuindo maior efetividade que o fio dental, pois muitos dentes, especialmente os posteriores, possuem uma depressão nesta área que apenas a escova interdental é capaz de atingir e higienizar adequadamente”, destaca o Dr. Hugo.
A higienização da língua também é necessária, pois é nesse local onde a maioria das bactérias ficam acumuladas (saburra lingual). Para isso, utilize escovas e instrumentos próprios para a limpeza da língua.
O gel facilita a remoção desta saburra e neutraliza os gases que provocam odor desagradável (compostos sulfurosos voláteis). Então, além de deixar o hálito puro e com sensação de frescor, a higiene da língua é fundamental para preservar a nossa saúde. Dr. Hugo Lewgoy ressalta que é importante limitar a quantidade de alimentos ricos em açúcar que você consome diariamente, que, além de provocarem cáries, podem contribuir para inúmeras outras doenças periodontais, como gengivite e periodontite.
Por fim, caso você necessite de atendimento odontológico emergencial e precise ir a um consultório, lembre-se de, no caminho, utilizar máscara de proteção, evitar aglomerações e manter a distância de, no mínimo, dois metros entre você e outras pessoas, no consultório também tentar manter o distanciamento e higienizar bem as mãos, tanto na entrada quanto na saída do consultório.

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