A prática regular de atividade física traz uma série de benefícios para o organismo, incluindo correção da postura corporal, redução de gordura, tonificação dos músculos, melhora do sistema respiratório e cardiovascular, prevenção de doenças, entre diversos outros. Porém, para quem sofre de incontinência urinária, o ato de realizar exercícios físicos pode ser extremamente desconfortável. “A incontinência urinária é uma condição caracterizada pela perda de urina sem desejo consciente, causando grande desconforto físico e psicológico por ser uma situação imprevisível e socialmente desagradável”, explica a Dra. Ana Carolina Lúcio Pereira, ginecologista membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). “É muito comum que ocorra durante a prática de atividade física, principalmente em mulheres, por causa do excesso de força abdominal que fazemos durante os exercícios, o que gera uma pressão abdominal sobre a bexiga que, combinada a fraqueza da musculatura perineal, pode levar a perda involuntária da urina”.
De acordo com a especialista, o problema é especialmente comum em grávidas, pacientes em menopausa, obesas, que possuem fraqueza da musculatura do períneo (região situada entre a vagina e os glúteos), que já foram submetidas a partos normais ou que possuem distúrbios na produção de colágeno. “Para evitar situações desagradáveis é importante então prestar atenção aos sintomas relacionados à incontinência urinária, como necessidade inevitável de urinar ou cheiro de urina ao realizar atividades físicas. Ao notar tais comportamentos, deve-se observar mais atentamente se há perda de urina”, recomenda a médica. “Além disso, vale a pena investir em medidas preventivas como praticar exercícios que fortaleçam a musculatura perineal, evitar o excesso de força sobre o abdômen e sempre esvaziar a bexiga antes de iniciar o treino”.
Mas a Dra. Ana também ressalta que parar de vez com os exercícios físicos não é a solução ideal para quem sofre com incontinência urinária. “A atividade física possui uma variedade muito grande de benefícios para o organismo para não ser praticada devido à possibilidade de perda urinária, principalmente quando existe a possibilidade de a paciente perder gordura abdominal e, consequentemente, descomprimir a pressão sobre a bexiga, assim melhorando o problema”, destaca. Porém, caso a perda involuntária de urina seja muito intensa, causando grandes problemas psicológicos, emocionais e sociais, recomenda-se que a paciente passe por tratamento prévio para a condição antes de voltar a praticar exercícios, evitando assim sofrer com desconforto durante o treino.
Segundo a ginecologista, entre as opções terapêuticas eficazes para o problema estão tratamentos como fortalecimento muscular através de fisioterapia pélvica, eletroestimulação, uso de hormônios tópicos vaginais, para permitir o remodelamento da região, turgência local, para ativar os mecanismos que conferem sustentação à uretra, realização de cirurgias de reposicionamento da uretra e colocação de pessários vaginais corretores para melhora temporária das queixas em casos de pacientes impossibilitadas de passarem por cirurgias. “O laser vaginal, muito divulgado para o tratamento da incontinência urinária, ainda não se mostrou superior aos outros tratamentos no que diz respeito à redução da perda involuntária de urina, sendo necessários mais estudos para realmente comprovar sua eficácia”, afirma. “Por fim, recomenda-se que, ao notar sintomas de incontinência urinária, você consulte um médico ginecologista, que poderá diagnosticar a condição corretamente e indicar tratamento individualizado para o seu caso, visto que esse pode variar de acordo com o fator causador do problema”, finaliza Dra. Ana Carolina Lúcio Pereira.
Fonte: DRA. ANA CAROLINA LÚCIO PEREIRA: Ginecologista, membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), especialista em Ginecologia Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira e graduada em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro em 2005. Especialista em Medicina do Tráfego pela Abramet, a médica realiza consultas ginecológicas, obstétricas e cirurgias, atuando na prevenção e tratamento de doenças gineco-obstétricas com foco em gestação de alto risco.

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