SAÚDE

Tabagismo: o grande vilão da saúde global

Em tempos de pandemia, ocorre o aumento dos relatos de dependência no tabagismo, provocada pela quarentena

Tabagismo: o grande vilão da saúde global O tabagismo é considerado pelas autoridades de saúde o grande vilão da qualidade de vida das populações
Crédito: BANCO DE IMAGENS

Apontado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a principal causa de mortes em todo o mundo, o tabagismo é considerado pelas autoridades de saúde o grande vilão da qualidade de vida das populações. Causador de doenças pulmonares como bronquite, enfisema, câncer de pulmão, doença coronariana (infarto e angina) e doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral), ele provoca anualmente mais de 7 milhões de óbitos ao redor do mundo. Aqui no Brasil, são registradas todos os dias mais de 400 mortes atribuídas à dependência.  

Aos 37 anos, a publicitária Bruna dos Anjos sabe bem o desafio diário que é largar o hábito que a acompanha desde a adolescência. "Comecei a fumar aos 13 anos e durante dez anos, cigarro e álcool faziam parte da minha rotina. Com 23 anos e 1,68m de altura, cheguei a pesar mais 150 quilos. Na época, fumava e bebia bastante e o médico recomendou cirurgia bariátrica. Para o procedimento, precisei parar de fumar. Foram 79 quilos eliminados e novos hábitos adquiridos. Consegui manter uma rotina saudável por um longo período, mas há três anos eu tive problemas de ansiedade, síndrome do pânico e voltei a fumar. Ano passado tentei parar novamente. Cheguei a ficar seis meses sem fumar, mas com a quarentena ficou muito difícil. Tem dias que fumo um cigarro, mas tem dias que fumo quatro", lamenta.  

O caso de Bruna se confunde com o de outras milhões de pessoas em todo o mundo e acende o alerta global para os riscos do hábito. "É fundamental conscientizar a população dos males causados pelo tabagismo, principalmente em tempos de pandemia, já que fumantes têm 45% mais chances de agravamento e de contraírem a Covid-19", aponta o médico Alex Galoro, gestor do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica.  

Além disso, o especialista aponta outro agravante do problema: o isolamento social. "As incertezas provocadas pela pandemia geraram aumento dos níveis de estresse, ansiedade e outros fatores que contribuem com este mau hábito". O médico destaca ainda as recentes pesquisas divulgadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que confirmaram que 30% dos homens e 38% das mulheres fumantes passaram a consumir dez cigarros a mais por dia, desde o início da pandemia.  

O problema, enfatiza o médico, vai além de prejudicar a saúde do fumante. "Temos que lembrar que hoje fumantes ativos e passivos dividem, em grande parte do dia, ambientes fechados e os passivos acabam ficando expostos aos componentes tóxicos contidos e emitidos pelo cigarro", explica.  

"Todos os anos são registradas mais de 1,2 milhão de não fumantes que perdem a vida por estarem expostos ao fumo passivo, de acordo com a OMS. Por isso, é importante alertar toda a sociedade e não apenas os dependentes", explica o médico.  

Tabagismo: os índices no Brasil  

Fator de risco para o desenvolvimento dos tipos de câncer: leucemia mieloide aguda; câncer de bexiga; câncer de pâncreas; câncer de fígado; câncer do colo do útero; câncer de esôfago; câncer de rim e ureter; câncer de laringe (cordas vocais); câncer na cavidade oral (boca); câncer de faringe (pescoço); câncer de estômago; câncer de cólon e reto; câncer de traqueia, brônquios e pulmão, o tabagismo também está associado às doenças crônicas não transmissíveis e é um fator importante de risco para o desenvolvimento de outras doenças como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras.  

No Brasil, são cerca de 420 mortes todos os dias por causa da dependência. Em todo o ano, são mais de 156.216 mortes que poderiam ter sido evitadas. Segundo dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), o maior peso é atribuído ao câncer, doença cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Das mortes anuais causadas pelo uso do tabaco: 34.999 mortes correspondem a doenças cardíacas; 31.120 mortes por DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica); 26.651 por outros cânceres; 23.762 por câncer de pulmão; 17.972 mortes por tabagismo passivo; 10.900 por pneumonia; 10.812 por AVC (acidente vascular cerebral).  

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