SAÚDE

Síndrome de Boreout pode causar até doenças físicas

A síndrome decorre da sensação de menos valia no ambiente laborativo, de subutilização e de perda da autoestima

Síndrome de Boreout pode causar até doenças físicas A Síndrome de Boreout decorre da sensação de menos valia no ambiente laborativo
Crédito: BANCO DE IMAGENS

Desmotivação, insatisfação, ansiedade e depressão, estresse crônico e até doenças físicas. Estes são os primeiros sintomas da Síndrome de Boreout, o tédio dos funcionários no ambiente de trabalho. O termo boreout surgiu pela primeira vez em 2007, no livro homônimo de Peter Werder e Philippe Rothlin.

Werder e Rothlin ressaltam que o problema vem aumentando há muitos anos. Sem desafios no trabalho, sempre se dedicando às mesmas tarefas monótonas e repetitivas, os funcionários desistem e acabam com uma sensação oposta à do Burnout que decorre de excessos, de metas, de pesos desumanos sobre o trabalhador, provocando a sensação decorrente do esgotamento mental.

De acordo com Maria Inês Vasconcelos, advogada, especialista em Direito do Trabalho, o mundo do trabalho está em permanente evolução e é palco para todo tipo de vivência humana. “A tecnologia que hoje é a grande questão na agenda trabalhista, caminha ao lado de outros temas, dentre eles, o adoecimento do trabalhador ocorrido pelo estresse mental”, comenta.

Ainda segundo a advogada, o psiquismo do trabalhador vem sofrendo ataques nunca antes realizados. Dentro desse contexto, surgem novas patologias que decorrem justamente de como o trabalho é prestado e de que forma as atividades são realizadas.  

A Síndrome de Boreout decorre da sensação de menos valia no ambiente laborativo, de subutilização e de perda da autoestima, tudo em decorrência da forma como o trabalhador é tratado pelos seus gestores e pares. De um lado tem o esgotamento mental pelo excesso de "uso", de outro, pela subutilização.  “É preciso muita atenção dentro da empresa. O correto é sempre estimular permanentemente os empregados e mantê-los em exercício de atribuições do contrato e que as funções sejam compatíveis com o cargo. Manter alguém congelado, ministrando-lhe trabalhos inferiores à sua capacidade, além de ser uma forma de humilhação é a causa dessa patologia que vem ganhando cada vez mais destaque na literatura do trabalho”, explica Maria Inês Vasconcelos.

Boreout vem do inglês bored. Bored é entediado. Por não ter o que fazer. Não é um tédio qualquer. É realmente uma sensação de ter tão pouca valia que desperta sensação de despertencimento, de nenhum valor. E justamente por não se sentir como parte do negócio, parte importante da empresa, o empregado se desconecta e a aderência ao trabalho se torna zero, o empregado subutilizado por falta de estímulo e motivação em geral tende à depressão.  

A advogada Maria Inês Vasconcelos diz claramente que a solução para a Bournout é criar um ambiente de trabalho sadio do ponto de vista mental, onde os talentos sejam aproveitados e também manter a vigilância. “Gestores devem estar atentos à valorização de atributos pessoais e estimular a inventividade e criatividade.  Deixar alguém de lado, à mingua, com atividades que estejam muito aquém de sua capacidade é também um tipo de assédio punido pela Justiça, em razão de interferir diretamente a dignidade da pessoa humana, que realmente pode se sentir diminuída perante os colegas e chefias”.  

Para a advogada, além do Bournout que é representado pela queima do palito de fósforo, provocando a sensação de estar acabado, está o Bureout que assola os empregados justamente porque o palito nunca é aceso. “Aplica-se aqui a máxima:  a relação de trabalho precisa ser sustentável, ética e equilibrada. O trabalhador não é coisa e nem mercadoria. Cabe aos gestores responsáveis pelas pessoas identificar esse tipo de situação e levar o time para cima. A relação de trabalho é via de mão dupla, ou seja, todo palito deve ser aceso, mas com moderação”, finaliza.

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