Só em maio deste ano, a compra de pomadas e emplastros subiram 10% pelas farmácias de todo o país. Os números fazem parte dos relatórios da Iqvia, consultoria que faz a coleta de estatísticas do mercado de saúde e bem-estar. Um levantamento realizado pelo Google revelou que nunca os brasileiros buscaram tanto por dor quanto em maio de 2020. A procura por “dor de cabeça” se elevou em 33% entre 15 de março e 20 de junho na comparação com as mesmas datas de 2019. Já “dor nas costas” passou por um crescimento de 22%. Embora não haja números precisos e oficiais, as queixas também decolaram nos contatos com médicos e fisioterapeutas.
A mistura de carga emocional com falta de mobilidade da pandemia mais o isolamento social pioram a saúde. Trabalho em casa, sedentarismo e estresse dos dias atuais têm um desdobramento direto e doloroso em músculos, articulações e outras estruturas do corpo. Segundo pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, número de casos de depressão quase dobrou, enquanto os de ansiedade e estresse aumentaram 80%. "Saúde não é apenas ausência de doença, pela OMS (Organização Mundial da Saúde) o conceito de saúde é um completo estado de bem-estar físico, emocional e social", explica Cadu Ramos, fisioterapeuta da capital paulista.
Quando esse tripé não está alinhado, há manifestações clínicas, porque muitas das dores podem ser de ordem ortopédica, mas a tensão acumulada também causa incômodo. "Então, quando a gente está sem o esporte, sem interação social há um impacto muito grande", disse. Segundo ele, existe uma maneira de diferenciar quando essas dores são de aspecto funcional. "Quando elas vêm de aspecto emocional, de tensão, vêm associadas a distúrbios de sono ou insônia, gastrite e refluxo, sudorese nas mãos, sudorese na axila, irritabilidade. Se forem fisiológicas, aparecem simlesmente pela falta de postura e consciência corporal em casa. Para ambas situações é preciso tratamento, que muitas vezes pode ser resolvido em apenas algumas sessões de mobilização das articulações do corpo, que o paciente mesmo aprende e consegue desenvolver sozinho em casa. O perigo é travar coluna, enrijecer músculos e entrar em um caminho de dores crônicas sem volta", alerta o especialista
Fonte: Cadu Ramos - Fisioterapeuta clínico - CREFITO 130030 - Especialista em Fisioterapia e Traumatologia – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – Escola Paulista de Medicina (EPM), em Aparelho Respiratório – Ventilação Mecânica Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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