SAÚDE

Isolamento: cuidados com saúde mental também reforçam sistema imunológico

Durante o isolamento social, muitas pessoas desregularam sua rotina e, por conta da ansiedade e aflição características desse período de incertezas, isso afetou a saúde mental. Médicos ressaltam a importância de estar bem psicologicamente 

Isolamento: cuidados com saúde mental também reforçam sistema imunológico É importante estabelecer uma rotina para não ficar desregrado
Crédito: BANCO DE IMAGEM
Não é fácil ficar em casa e estar longe de familiares e amigos. As incertezas sociais e econômicas que a pandemia de Covid-19 tem causado também não ajudam. Por isso, esse é um momento de preocupação para quase todas as pessoas, não só pelo risco contágio com o novo coronavírus, como com os problemas advindos dele, que interferem no convívio social e desregulam a rotina de muitos. Mesmo trabalhando em casa, e teoricamente tendo horário, muitas pessoas estão extremamente estressadas. “Nesse período de confinamento é normal que estejamos apreensivos e ansiosos com o presente e o futuro próximo, o que pode fazer com que façamos tudo no piloto automático enquanto nossa cabeça permanece ligada no assunto gerando ainda mais estresse. Gerenciar o estresse nesse período e manter a sanidade mental é fundamental para diminuir a incidência de depressão e não afetar o sistema imunológico”, afirma a Dra. Aline Lamaita, cirurgiã vascular e angiologista, membro do Colégio Americano de Medicina do Estilo de Vida. “Agora, mais do que nunca, dedique parte do seu dia para fazer o que gosta. Isso ajuda a controlar o estresse e ansiedade em passar tantas horas dentro de casa em isolamento social. Procure práticas de autoconhecimento, como a meditação, ou leia, cozinhe novas receitas”, sugere a Dra. Ana Carolina Lúcio Pereira, ginecologista membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).
De acordo com o cirurgião plástico Dr. Mário Farinazzo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e médico voluntário no atendimento a casos suspeitos de Covid-19 no Hospital São Paulo, muitas pessoas ficam com a impressão de que estar em casa é não estar produzindo, por isso é importantíssimo ter um cronograma. “Para quem está fazendo home office, é necessário se organizar. Quanto mais o cérebro trabalhar, melhor. Quanto mais desafios e problemas a serem resolvidos, melhor, mas temos que ter períodos de recuperação, de descanso”, explica a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida. “Assim que ‘sair’ do trabalho home office, é necessário detox para esses neurônios. Cozinhe, faça exercício físico em casa, brinque com o filho, leia um bom livro, cuide da pele, qualquer coisa que o faça desconectar”, completa a médica.
É importante estabelecer uma rotina para não ficar desregrado, segundo o cirurgião plástico Dr. Paolo Rubez. “Procure ter horário para acordar, de refeições e para dormir. Use seu tempo para coisas que você queria fazer antes e não conseguia ou não teve atitude de começar. Faça meditação, comece algum projeto, algum livro, procure criar objetivos e prazos para que você cumpra ao longo desse período”, diz Dr. Paolo.
Outra dica importante é com relação às práticas de meditação e bons hábitos. “Mindfullness, por exemplo, significa viver em atenção plena, ou seja, conseguir literalmente vivenciar os momentos, desde os mais simples com todas as suas características emocionais e sensoriais, sem distrações. O mindfullness pode ser usado para qualquer pessoa que queira começar alguma prática de meditação mas que não sabe como dar os primeiros passos. Essa prática está relacionada à gerência de estresse, melhora de concentração e melhora de produtividade”, diz Dra. Aline.  “É importante também para quem tem alguma crença exercitar isso. A prática da meditação, pelo menos 15 minutos por dia, é bem potente nesses momentos, principalmente por conta da ansiedade e de estar pensando em muitas coisas ao mesmo tempo. Existem aplicativos para fazer isso, como Headspace e Calm”, completa Dr. Mário Farinazzo.
Para minimizar o impacto da saudade de conviver com os familiares e amigos, as tecnologias podem ajudar. “É muito importante manter esse contato com familiares através dos aplicativos, pois isso também está relacionado com a imunidade. Com os contatos sociais, mesmo que virtuais, você consegue liberar serotonina e dopamina e isso aumenta a sua imunidade”, diz o médico Dr. Mário Farinazzo. “Sabemos que a sociabilidade está diretamente ligada à longevidade. Um importante estudo de Harvard que já dura 75 anos mostra que pessoas que se consideram felizes são as que têm mais relações sociais, ou seja, amigos e família, independente do nível sociocultural. Fale com esses amigos por telefone ou aplicativos, mantenha o seu convívio mesmo que por meios virtuais”, diz Dra. Beatriz.
Todas essas dicas também farão com que você durma melhor, segundo os médicos. “E o período do sono é reparador. Dormir mal constantemente predispõe a diversos problemas, como indisposição física, indecisão, falta de energia, desinteresse, depressão e cansaço ao longo do dia. Recomenda-se dormir entre 7 a 8 horas diariamente. Para dormir bem, também fique longe de aparelhos como celulares, computadores e TV antes de se deitar e faça refeições mais leves à noite”, finaliza a ginecologista Dra. Ana Carolina.

FONTES: 
DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular e angiologista, Dra. Aline Lamaita é membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine. Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a médica participa, na Universidade de Harvard, de cursos de pós-graduação que ensinam ferramentas para estimular mudanças no estilo de vida nos pacientes em prol da melhora da longevidade e qualidade de vida. A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. 

DRA. ANA CAROLINA LÚCIO PEREIRA: Ginecologista, membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), especialista em Ginecologia Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira e graduada em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro em 2005. Especialista em Medicina do Tráfego pela Abramet, a médica realiza consultas ginecológicas, obstétricas e cirurgias, atuando na prevenção e tratamento de doenças gineco-obstétricas com foco em gestação de alto risco.

DRA. BEATRIZ LASSANCE: Cirurgiã Plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Trabalhou no Onze Lieve Vrouwe Gusthuis – Amsterdam -NL e é Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) e da American Society of Plastic Surgery. Além disso, é membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

DR. MÁRIO FARINAZZO: Cirurgião plástico, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Chefe do Setor de Rinologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Formado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o médico é especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Professor de Trauma da Face e Rinoplastia da UNIFESP e Cirurgião Instrutor do Dallas Rinoplasthy™ e Dallas Cosmetic Surgery and Medicine™ Annual Meetings. Opera nos Hospitais Sírio, Einstein, São Luiz, Oswaldo Cruz, entre outros. 

DR. PAOLO RUBEZ: Cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), Dr. Paolo Rubez é Mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com o Dr Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade, e pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP.

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