Não adianta forçar a barra e achar que dá para trabalhar mais do que o corpo aguenta, uma hora a máquina falha. Mesmo com excesso de tarefas e equipes cada vez menores e com mais responsabilidades, o organismo é programado para trabalhar (com produtividade) apenas 8 horas por dia. O excesso, além de não ser satisfatório, aumenta o estresse, atrapalha o sono, engorda e não resolve nada. A mestre em fisiologia do exercício pela UNIFESP e palestrante, Bianca Vilela, de SP, que atua há quase 20 anos em ergonomia, reabilitação, prevenção e saúde corporativa, dá dicas para quem precisa aumentar a produtividade do trabalho, quais pontos chaves de atenção e cuidados que podem ajudar – e muito – na rotina.
Mesmo que muita gente tente abraçar o mundo, não há CNPJ que pague a saúde humana. “O corpo foi feito para fazer pausas, precisa cultivar o ócio e ter intervalos para que a mente possa produzir mais e melhor. Para se dar bem no trabalho, tudo começa na noite anterior, com um bom jantar”, diz. A especialista explica que só com uma excelente qualidade do sono o organismo consegue produzir a quantidade ideal do Hormônio de Crescimento, o qual promove nossa completa regeneração para que o dia seguinte seja satisfatório.
Bianca enumerou os 4 principais erros, que a maioria dos trabalhadores cometem e ensina como reverter o quadro.
1- Sair de casa sem tomar café da manhã
Ao acordar, a dica é levantar sempre 10 minutos antes do que o horário ideal, para meditar e colocar todas as pautas da agenda no radar, organização e disciplina são fundamentais. Outra dica da especialista é jamais sair de casa sem café da manhã, já que o corpo em estado em jejum necessita de nutrientes de qualidade (vitaminas, carboidratos complexos e proteína) para poder gerar energia para o cérebro funcionar.
2- Exagerar no cafezinho
No máximo 3 doses de café preto ao longo do dia. Para Bianca, o último consumo ainda não pode passar das 16h para não atrapalhar o sono à noite e tornar esse ciclo vicioso.
“Cada café com açúcar possui cerca de 30 a 40 calorias, ou seja, 5 xícaras representam 200 calorias apenas de café”, revela.
A fisiologista lembra ainda que o metabolismo basal de uma mulher de 1.60m, por exemplo, é de cerca de 1.200 calorias (se 200 calorias vierem só de café, já é algo muito representativo).
3- Não sair para almoçar
Não é recomendado almoçar no escritório. Para Bianca, a mente precisa espairecer alguns minutos, ver coisas novas e até aproveitar a exposição ao sol por cerca de 10 a 15 minutos nos braços e/ou nas pernas. Já que a vitamina D é fundamental para a melhora da performance intelectual e ainda garante um pouquinho da atividade física diária recomendada de 1 hora, para baixar o cortisol, o conhecido hormônio do estresse.
4- Compensar o cansaço no consumo de doces
A letargia (lenificação para executar tarefas) é comum em quem não faz refeições de maneira fracionada e continua exigindo mais do corpo do que ele pode oferecer. Comer de forma fracionada e inteligente (uma dose de carboidrato complexo, com uma dose de verdura e mais uma proteína magra) é que faz o organismo entender que ele não precisa de doces. “Se isso não acontece, o consumo de açúcar aumenta de forma compulsiva na tentativa ilusória de combater a preguiça pós-almoço. Essa ingesta de doce produz no organismo um ciclo perigoso não só para a saúde, mas também para a produtividade física e intelectual”, finaliza.

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