SAÚDE

Janeiro branco: é tempo de falar de saúde mental

Cada vez mais frequentes, casos de ansiedade, depressão e estresse podem ser prevenidos com diálogo, terapia e cuidados especiais relacionados às emoções e aos sentimentos

Janeiro branco: é tempo de falar de saúde mental O início do ano tende a ser o momento mais propício para falar sobre saúde mental, por ser a época dos começos e recomeços
Crédito: BANCO DE IMAGENS
Falar sobre o que sentimos pode ser difícil. Afinal, verbalizar o que está apenas nas emoções é, por vezes, doloroso e nos faz reviver aquilo que nos feriu. Mas, dialogar a respeito do que nos faz mal também é parte do processo de cura. Por isso, desde 2014 foi criada a iniciativa do Janeiro Branco: período do ano dedicado à conscientização sobre a saúde mental.
“Não costumamos falar sobre os sentimentos e o quanto eles acabam afetando diretamente a nossa saúde. Dados da OMS apontam que há 332 milhões de pessoas em todo o mundo sofrendo de depressão neste exato momento. Destes, 11,5 milhões estão no Brasil”, conta a Dra. Maria José Femenias Vieira, médica cirurgiã do aparelho digestivo e especialista em psicossomática.
A médica conta que os casos de depressão, ansiedade e estresse têm aumentado consideravelmente nos últimos anos, sendo que os transtornos de ansiedade já afetam 264 milhões de pessoas no mundo e 18,6 milhões de brasileiros.
E o início do ano tende a ser o momento mais propício para falar sobre saúde mental, justamente por ser a época dos começos e recomeços. “É importante estarmos em plenas condições de saúde para lidar com o que passou e com o que ainda está por vir, mas principalmente com nossas emoções e sentimentos”, destaca.
Ao colocar o tema em discussão, é possível prevenir problemas mais sérios que afetam a saúde e até a carreira das pessoas, como o “burnout”  e a depressão. “O Anuário Estatístico da Previdência Social aponta que, em 2014, por exemplo, foram concedidas  11.225 aposentadorias por invalidez vinculadas a doenças psíquicas e transtornos mentais. No mesmo ano, a quantidade de auxílios-doença concedidos pelos mesmos problemas foi de 202.985. São números muito consideráveis e que refletem o impacto econômico causado pela falta de uma política de saúde mental adequada e constante.”
A fim de evitar que as emoções e sentimentos se tornem prejudiciais, é preciso conhecer melhor as próprias emoções, buscar ajuda profissional a fim de ter mais autoconhecimento, quebrar o tabu de que ajuda psicológica é apenas para casos graves ou para os outros e reconhecer que buscar ajuda para lidar com os sentimentos é benéfico para a saúde como um todo.
No exterior, existe até campanha específica para tratar o tema no trabalho. É o #dearmanager (caro gerente, em inglês), que aborda o tema dentro das companhias e convida a falar sobre a saúde mental dos profissionais. A iniciativa também é bem-vinda no Brasil e o Janeiro Branco pode ser o pontapé inicial para este diálogo. Que tal iniciar com o #falemaissobreisso?

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