Uma pesquisa realizada na Dinamarca, baseada em dados do sistema de saúde público do país, trouxe uma descoberta sobre a vacina da gripe. Ao cruzar informações das taxas de vacinação contra a doença em pacientes com problemas cardíacos com o índice de mortes de causas geral e cardiovasculares desses pacientes entre 2003 e 2015, constatou-se que quanto maiores as taxas de vacinação contra a gripe, menores as taxas de morte nesse grupo.
Mais precisamente: a vacinação anual contra a gripe em idosos diagnosticados com problemas cardíacos foi associada a uma redução de 19% em mortes por problemas cardiovasculares. “Como a composição das vacinas é orientada pela OMS e segue um padrão a cada ano, é provável que esse mesmo benefício possa ser enxergado aqui no Brasil, onde a campanha acontece todos os anos”, analisa Kelem Chagas, gerente médica da Sanofi Pasteur, divisão de vacinas da Sanofi.
Para esse estudo, conhecido como Influenza Vaccine in Heart Failure, publicado na American Heart Association em 2018, foram analisados cerca de 134 mil pacientes com problemas cardíacos a partir do Danish National Patient Registry, banco de dados de saúde do país.
A relação identificada pelo estudo fica ainda mais evidente quando foram analisados os períodos de circulação de vírus influenza, causador da gripe, entre 2007 e 2008 e 2015 e 2016, quando houve um desencontro entre a cepa B inclusas no imunizante e a que circulou com maior atividade no período. O resultado: a vacinação nessas duas épocas não pôde ser associada à redução de mortes, enquanto nos períodos que sucederam ambas, a relação voltou a ser notada.
“Apesar do estudo dinamarquês ser meramente observacional, há uma relação clara que mostra que pessoas idosas e com comorbidades que se vacinam contra a gripe todos os anos, além de se imunizarem contra a doença – que é bem séria para este perfil de indivíduos – também estão contribuindo com seu próprio bem-estar, saúde e qualidade de vida”, observa a especialista. “Não à toa esse é um dos públicos prioritários na campanha do Brasil”.
Outro estudo, conduzido pelo George Institute for Global Health, da Universidade da Oxford, analisou dados do National Health Service do Reino Unido entre 1990 e 2013, associando anos de vacinação contra a influenza a uma queda de 27% nas taxas de hospitalização motivadas por problemas cardíacos em relação a nos sem campanhas públicas de vacinação. “Pode-se concluir que a imunização faz parte dos cuidados que as pessoas devem ter com a saúde, como praticar atividade física regularmente e se alimentar bem, por exemplo”, conclui Chagas.

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