SAÚDE

Os riscos da automedicação na terceira idade

Quando mal utilizados, os remédios podem desencadear complicações sérias para a saúde

Os riscos da automedicação na terceira idade A automedicação é um hábito de 77% dos brasileiros
Crédito: BANCO DE IMAGENS
Já dizia um provérbio que de médico todo mundo tem um pouco. O que a maioria das pessoas parece ignorar é que aquele antigripal, anti-inflamatório ou analgésico usados sem prescrição médica podem se tornar o vilão. O perigo é ainda mais eminente para a população idosa, já que o uso indiscriminado de remédios pode causar confusão mental, insuficiência renal, arritmias, tonturas, quedas, entre outras enfermidades que colocam em risco a vida do idoso

“Por conviver com problemas crônicos de saúde, os idosos são consumidores de grande número de medicamentos, e, embora necessários em muitas ocasiões, quando mal utilizados podem desencadear complicações sérias para a saúde”, observa a Dra. Livia Passini Gobbo, médica geriatra do Residencial Santa Cruz, moradia para pessoas com mais de 60 anos. 

Dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF) apontam que a automedicação é um hábito de 77% dos brasileiros, sendo que quase metade da população se automedica pelo menos uma vez por mês e 25% o faz todo dia ou pelo menos uma vez por semana. A população com mais de 60 anos está entre os maiores consumidores e os medicamentos mais comuns são analgésicos, anti-inflamatórios, antiácidos, laxantes, antigripais e vitaminas. 

A geriatra alerta que a automedicação é perigosa em qualquer idade, mas nos idosos é mais complexa, já que, em detrimento da fragilidade da idade e diversos fatores externos, o idoso fica mais vulnerável e as complicações são maiores. As reações ocorrem de maneira mais rápida, o que pode trazer desconfortos, piorando os sintomas apresentados pelo idoso. 

Dois exemplos comuns são a utilização de remédios para dor de estômago. Se utilizados por tempo prolongado podem reduzir a absorção de substâncias importantes, como ferro e cálcio, essenciais na terceira idade, e causar anemia e osteoporose. No caso dos antigripais, cresce o risco de quedas e até problemas mais sérios como arritmia cardíaca, já que em sua formulação esses medicamentos possuem várias substâncias, entre elas antialérgicos, que causam sonolência, e vasoconstritores, que reduzem o fluxo de sangue e aumentam a pressão dentro dos vasos. 

Estudos sobre o tema apontam que a classe de medicamentos com maior frequência de utilização por automedicação na terceira idade é constituída por analgésicos, antigripais e anti-inflamatórios, sucedido pelos grupos dos medicamentos para o trato gastrointestinal, suplementos minerais e vitamínicos e para os sistemas cardiovasculares e antialérgicos.

Entre os principais riscos e consequências da automedicação no idoso, estão:

• Diminuição da função do fígado e dos rins, órgãos fundamentais no metabolismo e na eliminação de substâncias;
• Interferência no tratamento de doenças crônicas, anulando ou até aumentando o efeito dos medicamentos utilizados;
• Redução do fluxo sanguíneo e aumento da pressão;
• Redução da absorção de substâncias como cálcio e ferro, essenciais nesta fase;
• Potencializar ou anular os efeitos terapêuticos de outros medicamentos em uso;
• Mascarar o diagnóstico de outras doenças na fase inicial devido à semelhança de sintomas;
• Intoxicações e agravamento de doenças já existentes;
• Surgimento de reações adversas.

“É extremamente importante usar os medicamentos de forma criteriosa, evitando o uso concomitante de várias substâncias, e sempre seguindo a prescrição do médico, inclusive na dosagem sugerida e os horários a serem tomados devem ser obedecidos à risca”, ressalta a geriatra do Residencial Santa Cruz.

Comentários